Cresce apelo por segurança privada em aeroportos dos EUA

Iniciativa tenta colocar empresas na operação de scanners corporais, liberando agência do governo para demais funções

The New York Times |

Parlamentares insatisfeitos com o desempenho da Agência de Segurança do Transporte dos Estados Unidos (TSA, na sigla em inglês) voltaram a insistir em uma proposta que busca permitir que os aeroportos utilizem scanners corporais de empresas de segurança privada. Com isso, a agência poderia se concentrar mais em seu papel de vigiar, ao invés de operar e supervisionar a segurança feita nos aeroportos.

Apenas 16 dos 450 aeroportos comerciais dos Estados Unidos usam empresas de segurança privada, que são controladas e supervisionadas pelo TSA de acordo com regras criadas pelo Congresso quando criou a agência. Mas nos últimos anos a agência de segurança rejeitou os pedidos feitos por diversos aeroportos para participar do processo de triagem privado - uma decisão que alguns membros do Congresso e oficiais de aeroportos gostariam de mudar.

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Mark VanLoh, diretor de aviação do Aeroporto Internacional de Kansas City, em Missouri, onde scanners são operados por empresas privadas (24/01)

Defensores da privatização dizem que este procedimento poderia economizar o dinheiro da agência e que as empresas de segurança privada são mais eficientes e eficazes do que o governo em executar tais operações.

"Sei que eles têm um melhor desempenho, pois vi os resultados de um teste que foi feito com essas empresas", disse John L. Mica, um republicano da Flórida que é presidente do Comitê de Transporte da Câmara.

Nesse cargo, Mica tem acesso a relatórios confidenciais que avaliaram a TSA, incluindo um relatório efetuado pelo Gabinete de Prestação de Contas do Governo sobre a eficácia dos scanners de tecnologia avançada que a agência tem instalado nos aeroportos.

"Não sei quanta informação será revelada", disse Mica. "Mas a informação inicial que recebi é a de que não foi uma operação bem sucedida”.

Chuck Young, um porta-voz do Gabinete de Prestação de Contas do Governo, disse que não poderia discutir o relatório porque ele ainda é considerado confidencial. No entanto, a falta de transparência sobre o desempenho da agência de segurança é precisamente o motivo pelo qual os críticos dizem que ela não deve ser a reguladora, operadora e auditora das triagens nos aeroportos.

Infográfico: Conheça as etapas da segurança nos aeroportos

Um estudo realizado no ano passado pelo Comitê de Transporte da Câmara constatou que a maioria dos países terceiriza este serviço, tirando a responsabilidade do governo - e as operações de triagem nos aeroportos geralmente são realizadas por empresas de segurança privadas. Segundo o estudo, a maioria dos países europeus, por exemplo, contrata scanners particulares que são operados por empresas privadas ou pelos próprios aeroportos.

O relatório também inclui uma comparação detalhada entre a segurança do Aeroporto Internacional de São Francisco, que usa uma empresa de segurança privada para fazer o escaneamento corporal, e o Aeroporto Internacional de Los Angeles, que utiliza funcionários da TSA. Foi constatado que a equipe de segurança particular foi mais eficiente, fazendo a triagem de cerca de 65% passageiros a mais. Além disso, ele estima que o governo poderia economizar US$ 1 bilhão em cinco anos usando empresas particulares nos 35 maiores aeroportos do país.

A TSA questiona essas estimativas, mas uma comparação de custo mais completa é difícil, em parte porque os dados do desempenho da agência são mantidos em segredo.

Greg Soule, um porta-voz da TSA, disse que a diferença de custo entre a triagem feita pelo governo federal e pelas empresas de segurança privadas varia dependendo do contrato, mas que empresas privadas geralmente cobram de 3% a 9% a mais do que os agentes da TSA.

Essa porcentagem está abaixo da estimativa feita pela agência em 2007, com uma diferença de 17%, e o Escritório de Prestação de Contas do Governo disse que os cálculos feitos pela TSA ainda contêm erros.

A comissão de transporte baseou a sua estimativa de redução de custos principalmente numa maior produtividade e em menores taxas de negócios do que as empresas de segurança privadas (que resultam do baixo índice de contratação e custos de treinamento). Aeroportos com empresas privadas têm obtido um menor número de ausência de funcionários, que custam caro para substituir com funcionários contratados apenas como uma solução temporária.

"Se esses números continuarem assim, poderia haver uma redução ainda maior de custos ao utilizar de uma maneira mais abrangente as empresas de segurança privadas", disse Robert Poole, diretor de política de transportes na Reason Foundation, uma empresa libertária de pesquisa de Washington.

Poole disse que apoia a expansão do número de aeroportos que utilizam os serviços das empresas de segurança privadas como uma abordagem que, do seu ponto de vista, pode solucionar o conflito de interesses causado pelos múltiplos papéis da agência.

"O Congresso criou a TSA de maneira que a agência acabasse tendo que se responsabilizar por missões conflitantes", disse ele. "Por um lado, ela é um órgão regulador de segurança e que toma decisões políticas. Por outro lado, faz a segurança dos aeroportos. Quando o desempenho da triagem não é como que deveria ser, é difícil imaginar uma reação mais eficaz por parte da TSA em comparação a uma empresa que se dedique apenas a isso."

Mark VanLoh, diretor do departamento de aviação de Kansas City, Missouri, que usa empresas de segurança privadas no seu aeroporto internacional, disse considerá-las são mais responsáveis, particularmente quando acontecem incidentes em postos de controle.

"Posso fazer uma ligação para a pessoa responsável por toda a operação e obter um retorno da minha ligação em apenas alguns minutos resolvendo o problema", disse VanLoh. "Não conseguiria fazer isso com a TSA."
Ele também citou sua economia de custos, uma menor rotatividade entre os funcionários e um tratamento melhor dado aos passageiros como razões pelas quais Kansas City tem lutado para continuar utilizando os serviços desta empresa de segurança privada.

Por outro lado, ter uma força de trabalho federal fornece à TSA mais flexibilidade para responder a ameaças de segurança maiores, declarou Soule. Essa é uma das principais razões pelas quais a agência rejeitou os aeroportos que se candidataram ao programa de parceria privada para a triagem. Mas a TSA está disposta a analisar os pedidos de aeroportos que consigam demonstrar uma "clara ou substancial" vantagem na privatização.

"Existe um novo formulário no qual você precisa justificar porque acha que o programa de parceria de triagem seria melhor para o seu aeroporto", disse Diane Crews, uma porta-voz do Aeroporto Internacional Sanford de Orlando, que reenviou sua aplicação em dezembro.

Existem muitas evidências de que mais aeroportos gostariam de fazer a troca. Charles Barclay, presidente da Associação Americana de Executivos de Aeroportos, disse ao Comitê do Senado de Segurança Interna que os membros do grupo queriam que a TSA permitisse que mais aeroportos pudessem optar por utilizar os serviços das empresas de segurança privadas.

Mas para alguns autoridades dos aeroportos, esse é um tema delicado. "Acho que quase a maioria dos diretores dos aeroportos no país concordaria comigo: preferimos ser responsáveis pela segurança dos aeroportos", disse T. J. Orr, diretor de aviação do Aeroporto Internacional Charlotte Douglas, na Carolina do Norte, que testemunhou perante o Congresso sobre as dificuldades que o aeroporto está enfrentando ao trabalhar com a TSA.

"Isso porque poderíamos fazer melhor, de maneira mais econômica e mais eficaz - ou seja, mais segura", disse Orr. "Mas muitas pessoas não querem se levantar e dizer, 'Estamos no caminho errado’".

Por Susan Stellin

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