A minúscula aldeia de Kivalina, Alasca, não tem um hotel, um restaurante ou um cinema. Mas tem um processo judicial enorme que pode afetar a maneira como os Estados Unidos lidam com a mudança climática.

Kivalina, uma comunidade esquimó Inupiat de 400 habitantes empoleirada em uma ilha ao norte do Circulo Ártico, está acusando dezenas de produtores de combustível e energia de ajudarem a causar a mudança climática que, segundo eles, tem acelerado a erosão de sua terra.

Blocos de gelo de água marítima protegiam a frágil costa da cidade a partir do começo do inverno, em outubro, mas "nós não temos mais essa formação e estamos em janeiro", disse Janet Mitchell, administradora de Kivalina. "Nós vivemos tensos durante a estação de ventos fortes."

A aldeia quer que as companhias, incluindo ExxonMobil, Shell Oil e muitas outras, paguem pelas despesas da transferência da vila para o continente, que poderia chegar a até US$400 milhões.

O caso é um dos três grandes processos judiciais movidos por grupos ambientais, advogados particulares e funcionários do governo de toda a América contra grandes empresas geradoras de gases causadores do efeito estufa. E ainda que a vila enfrente uma difícil disputa à frente, casos como esse estão ganhando força.

Nos últimos meses, duas cortes de apelação inverteram decisões de tribunais distritais para que casos sobre o aquecimento global fossem abandonados, permitindo que as ações tivessem continuidade.

Advogados ambientalistas juntaram forças com procuradores gerais de oito estados e da cidade de Nova York, em busca de uma ordem judicial que obrigue a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa em Connecticut.

Em Mississippi, proprietários de imóveis na Costa do Golfo alegam que as emissões das indústrias que contribuem para a mudança do clima aumentaram a potência do Furacão Katrina.

E ainda que um juiz federal em Oakland, Califórnia, tenha abandonado o processo de Kivalina em outubro, a aldeia está apelando da decisão.

Os casos geralmente fazem uso da lei de perturbação comum, a mesma que permite que vizinhos processem uns aos outros por causa de barulhos, odores e qualquer coisa que interfira com o uso ou prazer de sua propriedade.

No contexto da mudança climática, tais ações judiciais eram tratadas como frívolos exageros que seriam derrubados rapidamente.

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