Cortes de energia deixam cidades americanas no escuro

Para poupar dinheiro, municípios como Highland Park, em Michigan, arrancam postes de luz das ruas

The New York Times |

Quando o sol se põe na pequena cidade americana de Highland Park, no Estado de Michigan, seus bairros parecem desaparecer. Para poupar dinheiro, este ano dois terços dos postes foram removidos, e o resultado é uma escuridão que parece comum nos campos de milho da região, mas não a uma comunidade cercada por quase todos os lados por Detroit.

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Um dos 500 postes de luz que continuam funcionando em Highland Park, Michigan; antes, eram 1,6 mil

Os pais dizem que agora se preocupam mais ao deixar seus filhos caminharem até a escola no início da manhã, enquanto os motoristas reclamam que muitas vezes não conseguem ver os pedestres.

Alguns moradores dizem estar remodelando suas vidas para se ajustar as horas do dia, o mesmo feito pelos párocos do reverendo Alexander Bullock, que pediram recentemente que ele mudasse o horário das aulas de estudo da Bíblia das 19h para as 16h.

"Fica muito escuro", disse Bullock. "Saio da igreja e não consigo enxergar o que está à minha frente."

Em todo o território americano, cidades com orçamentos esgotados estão considerando algo que antes era intocável: as luzes.

As circunstâncias em Highland Park são extremas. Com problemas financeiros profundos e longos, a cidade deixou funcionando apenas dos 1,6 mil postes da cidade, segundo autoridades.

Esforços semelhantes têm sido feitos em dezenas de cidades americanas como Myrtle Creek, em Oregon, Clintonville, em Wisconsin, Brainerd, em Minnesota, Santa Rosa, na Califórnia, e Rockford, em Illinois.

Desligar as luzes tem levado multidões irritadas a encontros de câmaras municipais, provocado ciúme entre bairros e vizinhos e iniciado conversas sobre o crime local.

Em questão de anos, Highland Park acumulou uma dívida de cerca de US$ 4 milhões com a DTE Energy, a empresa responsável pelo fornecimento de eletricidade local.

A cidade estava pagando menos da metade da sua fatura mensal de US$ 60 mil por um sistema de iluminação antiquado e caro de se manter. Assim, a empresa e a cidade fecharam um acordo. A empresa poderia desligar e tirar 1,3 mil postes de luzes da cidade, adicionar 200 luzes em locais estratégicos, e a dívida seria perdoada, disse Scott Simons, porta-voz da empresa.

Resultado: as luzes ainda são abundantes ao longo da avenida de Woodward, a principal rua comercial. Mas a um quarteirão de distância, em calmas ruas residenciais, há luzes apenas nos principais cruzamentos.

É muito cedo para julgar se as luzes têm afetado a segurança. Autoridades de outras comunidades e estudos sobre a questão da iluminação pública e crime tiveram conclusões mistas.

Por Monica Davey

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