Coreia do Norte tem mais usinas nucleares, diz relatório dos EUA

Segundo autoridades americanas e sul-coreanas, centrais só poderiam ser construíddas em sofisticada rede de locais secretos

The New York Times |

O governo Obama concluiu que a nova usina para o enriquecimento de combustível nuclear da Coreia do Norte, usa uma tecnologia que é "significativamente mais avançada" do que aquela que o Irã tem se esforçado a mais de duas décadas para produzir, de acordo com oficiais de alto escalão do governo e da inteligência.

Em comentários públicos cuidadosamente elaborados nos últimos dias, oficiais sêniores dos Estados Unidos e autoridades sul-coreanas também argumentaram que a nova usina não poderia ter sido construída tão rapidamente se não houvesse uma sofisticada rede de outros locais secretos – e talvez uma usina de enriquecimento de urânio em pleno funcionamento – no país.

Estas conclusões sugerem que a Coreia do Norte tenha se esquivar de sanções econômicas e esforços para interceptar carregamentos marítimos e aéreos, um esforço iniciado no governo Bush e acelerado após uma resolução do Conselho de Segurança aprovada no ano passado após o segundo teste nuclear norte-coreano.

As estimativas também complicam muito a tarefa dos diplomatas dos Estados Unidos - incluindo uma delegação de alto nível do Departamento de Estado e oficiais da Casa Branca, que partiram para a China na terça-feira - que têm se esforçado há semanas para formar um plano comum com os aliados da Ásia e da China para conter os avanços nucleares da Coreia do Norte.

Capacidade

A Coreia do Norte já tem o combustível necessário para algo entre seis e 12 armas nucleares e já realizou dois testes nucleares, uma capacidade desenvolvida através da criação de plutônio a partir de um reator nuclear que foi recentemente fechado. Enquanto Pyongyang diz que a nova usina de enriquecimento de urânio vai produzir combustível para reatores que possam gerar eletricidade para o empobrecido país – o mesmo argumento que o Irã tem usado para defender seus esforços nucleares – a parte norte da península coreana não possui tais reatores hoje. Mas se a usina for usada para produzir urânio altamente enriquecido, isso poderia dar ao país um outro caminho para aumentar seu arsenal nuclear.

Vários oficiais e acadêmicos chineses que lidam com problemas norte-coreanos alegaram há uma semana em Pequim que seria contraproducente implementar mais sanções ou resoluções no Conselho de Segurança – medidas que foram adotas antes e que fracassaram.

Oficiais dos Estados Unidos, Coreia do Sul e China reconheceram nos últimos dias que apesar de seu intenso foco sobre os esforços da Coreia do Norte em obter a tecnologia de enriquecimento de urânio, eles não perceberam o estabelecimento da usina de Yongbyon, o principal complexo nuclear da Coreia do Norte. A área está sob intenso escrutínio dos satélites dos EUA, mas a nova fábrica foi construída dentro de uma estrutura antiga e os satélites não conseguem ver através do telhado.

"É muito provável que a Coreia do Norte tenha tentado conseguir uma capacidade de enriquecimento muito antes de abril de 2009, data que reivindica agora", disse Glyn Davies, embaixador dos Estados Unidos na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na semana passada. Caso isso seja verdade, disse ele, há um risco claro de que a Coreia do Norte "tenha construído outras instalações de enriquecimento de urânio em seu território".

*Por David E. Sanger e William J. Broad

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