Conversas entre Nixon e Rockefeller revelam detalhes sobre rebelião

Gravações inéditas mostram um governador prematuramente feliz com a ação policial na rebelião penitenciária mais sangrenta dos EUA

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Polícia responde à rebelião na penitenciária de Attica, em Nova York, no dia 9 de setembro de 1971
Em 1971, horas depois que mil soldados do Estado de Nova York, assistentes do xerife e agentes penitenciários invadiram a Penitenciaria de Attica para acabar com uma rebelião que já durava quatro dias, o governador Nelson A. Rockefeller (1959 — 1973) telefonou para o presidente Richard M. Nixon (1969-1974) para reivindicar uma vitória de forma inequívoca.

Na época, parecia que os atiradores do Estado, que realizaram os disparos no pátio da prisão, haviam matado na maioria presos, ao invés de também alguns dos guardas da prisão, que eram mantidos como reféns.

Como os presos eram negros e os guardas, brancos, o governador e o presidente deram a entender que o público iria apoiar o ataque à Penitenciária de Attica. "Eles fizeram um trabalho fabuloso", disse Rockefeller a Nixon. "Realmente foi uma operação bonita."

No dia seguinte, conforme os detalhes sombrios começaram a surgir sobre o ataque, no qual 29 presos e dez reféns foram mortos, um Rockefeller mais moderado reconheceu que sua ovação inicial havia sido prematura. "Bem, você salvou muitos guardas", respondeu Nixon. "Isso valeu a pena."

Gravações das conversas, que estão sendo publicados na íntegra pela primeira vez, fornecem vislumbres sobre a rebelião penitenciária mais sangrenta dos Estados Unidos, que se manteve uma mancha indelével no registro de Rockefeller em seus 15 anos como governador.

De acordo com a conclusão das investigações, a revolta, que teve início no dia 9 de setembro de 1971, foi precedida por queixas dos presos em relação aos procedimentos de reclamação, oportunidades educacionais e outras questões.

Embora um acordo parecesse próximo em relação a muitas das exigências dos presos, Rockefeller aprovou o ataque quando as negociações sobre a anistia foram paralisadas e quando a vida dos reféns parecia estar em perigo.

Um guarda e 62 presos foram acusados de crimes decorrentes da rebelião, e oito presos foram condenados. As acusações contra o guarda foram revogadas. A comissão estadual criticou o governador por não ter ido a Attica, embora tenha reconhecido que sua presença não teria evitado a violência.

A comissão descobriu que a rebelião foi feita por detentos negros que não estavam dispostos a aceitar "humilhações e racismo que caracterizavam a vida na prisão" e que os guardas infligiram represálias brutais depois que a ordem na penitenciária foi retomada.

Em 1976, o governador Hugh L. Carey perdoou sete ex-presidiários de Attica, trocou a pena para um oitavo e disse que nenhuma ação disciplinar seria tomada contra 20 policiais estaduais e agentes envolvidos no ataque.

Presos que foram espancados processaram o Estado, que em 2000 fez um acordo de US$ 8 milhões. Cinco anos mais tarde, o Estado fez um acordo de US$ 12 milhões com guardas sobreviventes e as famílias dos reféns mortos.

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População realiza protesto contra a ação policial na penitenciária de Attica, em Nova York

Por Sam Roberts

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