Controle de natalidade na China pode se tornar problema em breve

Segundo especialisas, China será o primeiro país importante a envelhecer antes de estar totalmente desenvolvido economicamente

The New York Times | 13/04/2011 08:05

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Sob os regulamentos de planejamento familiar chinês, a maioria dos casais é proibida de ter mais de um bebê. Wang Hong e seu marido, Zhang Jingfeng, estão entre aqueles aos quais foi concedida uma segunda chance – e decidiram não aproveitá-la.

Em vez disso, organizaram todos os seus recursos para oferecer tudo o que puderam a seu único filho de 9 anos de idade, dedicando dois quintos de sua renda anual de 20 mil yuans (cerca de US$ 3 mil) para colocá-lo em uma escola particular. "Eu tenho de criar boas condições para ele", disse Wang, de 33 anos, cuja casa com pouca mobília é aquecida por um fogão a lenha. "Se eu tivesse outro filho, como seria a nossa vida?"

Foto: The New York Times

Wang Hong segura pôster com fotografia de sua família em Yicheng, na China

O raciocínio de Wang ressalta um argumento manifestado com crescente insistência pelos demógrafos que querem que a China abandone suas restrições de natalidade: como o casal de Yicheng, eles argumentam, a maioria dos chineses quer apenas um filho de qualquer maneira.

Talvez mais importante, os economistas afirmam que baixa taxa de natalidade da China, antes uma vantagem econômica, é agora destinada a limitar o crescimento econômico do país.

A ascensão da China tem dependido, em parte, da grande quantidade de trabalhadores que representam uma ampla porcentagem da sua população. Esse aumento criou uma força de trabalho barata, responsável pela produção de suas fábricas, minas e construções.

Agora o tamanho da força de trabalho está estabilizando. Os demógrafos dizem que ele vai começar a diminuir em apenas cinco anos, embora lentamente no início.

População idosa

Enquanto isso, o número de idosos está aumentando tão rápido que até 2040, segundo projeções, a idade média dos chineses será maior que a dos americanos, mas os chineses poderão desfrutar apenas um terço da renda per capita dos Estados Unidos, ajustada pelo custo de vida.

Especialistas dizem que a China irá se tornar o primeiro país importante a envelhecer antes de estar totalmente desenvolvido economicamente.

Um número cada vez maior de pesquisas sugere que grande parte do declínio da fecundidade chinesa nas últimas três décadas não é um resultado da política do filho único e suas diferentes permutações, mas a queda típica das taxas de natalidade que ocorrem em sociedades durante sua modernização.

No fim, muitos especialistas concordam que as políticas de controle populacional do governo não são páreo para as inexoráveis forças demográfica que moldarão as próximas décadas.

Arthur Kroeber, diretor da Dragonomics, uma empresa de pesquisa econômica sediada em Pequim, disse: "Minha opinião é que os chineses absolutamente não precisam da política do filho único”, disse "Mas eu também acho que se eles a abolissem hoje, não haveria nenhum impacto".

*Por Sharon La Franière

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