Contratação para limpeza causa frustração com a BP no Alabama

Vila de pescadores é local com um único empregador, com a BP destruindo seu meio de vida e sendo sua principal fonte de renda

The New York Times |

Nove semanas depois do desastre no Golfo do México, há mais dinheiro na pequena e infeliz vila pesqueira de Bayou La Batre, no Alabama, do que houve nas últimas décadas, dizem os moradores. Há mais dias de trabalho de boa remuneração, mas também mais acidentes de trânsito, relatos de violência doméstica, uso de drogas e álcool, ressentimentos, rumores, fome e mais preocupação.

Em uma tarde recente, Delane Seaman observou com raiva uma procissão de barcos que retornava à doca da cidade, cada proprietário ou capitão com a promessa de receber US$1,4 mil pelo dia de trabalho; cada parceiro, cerca de US$ 200.

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Crianças esperam em fila com suas famílias para receber suprimentos de um banco de alimentos em Bayou La Batre, Alabama
Tudo isso como cortesia de um programa da BP criado para empregar os barcos locais para ajudar na limpeza do vazamento de petróleo do Golfo do México.

O programa, batizado de Navios de Oportunidade, tem sido uma salvação para centenas de pessoas nessa cidade de 2,3 mil habitantes na boca Baía de Mobile, pagando muitas vezes mais do que eles poderiam receber com a pesca. Mas, para outros, como Seaman e seu irmão, Bruce, cuja companhia de processamento de ostras está fechada desde maio, o projeto tem sido o alvo de muita frustração.

"Essas pessoas que você vê aqui não devem ser contratadas", disse Seaman, apontando para um grupo de barcos de pesca desportiva da Flórida. "Ouvimos que a BP contrataria pessoas diretamente afetadas pelo vazamento de petróleo. Mas não podemos ser contratados, e eles estão contratando essas pessoas que abandonaram seus empregos para vir aqui. Entregamos nosso pedido de trabalho há dois meses."

De uma aldeia de pescadores e manipuladores independentes de pescado, muitos dos quais são a segunda ou terceira geração no ramo, Bayou La Batre tornou-se algo próximo a uma cidade de um único empregador, com a BP atuando como destruidora do principal meio de subsistência e principal fonte de renda, por meio de programas de limpeza e indenização por negócios perdidos. Enquanto o dinheiro flui para a cidade, muitos moradores dizem que nada está chegando até eles.

A empresa está tentando contratar mais pescadores comerciais e cortou a parcela de barcos de recreação que trabalham no Alabama de 23% para 13% há uma semana, disse Andrew Cassels, diretor do programa Navios de Oportunidade no Posto de Comando de Incidentes da Mobile.

Mas aqueles que não estão trabalhando dizem que isso ainda não aconteceu. E, para todos, há receio de que, quando o dinheiro acabar, a BP vai declarar falência ou acabar com o programa Navios de Oportunidade.

A população de Bayou La Batre é um terço asiática, principalmente vietnamita, e muitos têm dificuldade em obter ajuda de serviços sociais ou treinar para trabalhar para a BP por causa da barreira da língua, disse David Pham, conselheiro do Boat People SOS, um grupo sem fins lucrativos.

Muitos moradores mais velhos não são suficientemente aptos para trabalhos de limpeza de praias, tampouco elegíveis para a Previdência Social porque não são cidadãos, disse.

Para Delane Seaman, há a sensação de que a "BP tirou nossa vida", apenas para substituí-la com uma forma de dependência que ele e seu irmão tentaram evitar ao entrar no negócio pesqueiro.

* Por John Leland

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