Contrariando governo do Fatah, povo da Cisjordânia mostra solidariedade ao Hamas

NABLUS, Cisjordânia - Pouco menos de 100 pessoas apareceram na segunda-feira no movimentado centro de Nablus para um protesto em solidariedade aos palestinos em sofrimento na Faixa de Gaza.

The New York Times |


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A falta de interesse não é, certamente, falta de apoio ao Hamas. A fúria aumenta na região em relação à guerra em Gaza, bem como o apoio ao grupo e a raiva contra a Autoridade Palestina nesta cidade, que há muito se opõe à ocupação israelense. Muitos querem que a autoridade e o presidente palestino, Mahmoud Abbas do partido Fatah, adotem uma postura mais critica a Israel.

Mas complicadas disputas internas também acontecem aqui na Cisjordânia, separada geograficamente e governada pela Autoridade Palestina e não, como Gaza, pelo Hamas. Líderes do Fatah estão cada vez mais preocupados com o apoio ao Hamas, seu rival, a ponto de impedir manifestações recentes.

Também há, depois de muitos anos de disputa, grande pesar diante de outra rodada de ataques mortais. Mesmo com a guerra em Gaza, não há sinais de uma terceira intifada, ou levante, apesar da convocação do Hamas por uma.

"As pessoas estão cansadas", disse Jamal Fayez, dono de um restaurante. "Elas estão cansadas e estão pobres. Estão cansadas do conflito entre Hamas e Fatah, e cansadas de tentar garantir o pão de cada dia".


Tanque israelense avança em Gaza / AP

As pessoas aqui dizem que o apoio ao Hamas crescerá  conforme o conflito avance. Elas dizem que foram intimidadas por forças de segurança de Abbas e de seu primeiro-ministro, Salam Fayyad, (subsidiadas pelos Estados Unidos e treinadas pela Jordânia) que acabaram com protestos e proibiram o uso de bandeiras do Hamas.

Na tarde de segunda-feira, uma marcha de centenas de estudantes de Birzeit subúrbio de Ramallah em direção a fronteira de Atarot foi dispersada por forças de segurança palestinas com cacetetes. Na sexta-feira, forças de segurança dispersaram um grande protesto em Hebron e Ramallah, prendendo partidários do Hamas. Pela primeira vez na história, a polícia palestina usou gás lacrimejante contra seu próprio povo.

"A Autoridade Palestina está impedindo seu próprio povo de ir às ruas", disse Hassan Hassan, 50, advogado. "Eles apenas querem que seu ponto de vista seja pertinente e querem mostrar a Israel e aos Estados Unidos que acham que o Hamas deve ser destruído".

Mahmoud Hanaisheh, 69, fazendeiro, foi ao protesto para mostrar solidariedade. "Foi importante para mim estar ali", ele disse. "Eu quero poder falar, mesmo se ninguém me ouvir".

Por STEVEN ERLANGER

Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:


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