Contrabando de álcool toma conta das tundras do Alasca

BETHEL, Alasca - Num dia nublado e sombrio, algumas pessoas se reuniam diante de uma loja na pequena e remota cidade de Bethel, tentando sem sucesso demonstrar algum propósito. Apesar de tentar mostrar algum prazer ao andar pelo úmido frio, elas obviamente estavam atrás de alguma coisa.

New York Times |

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Jess Carson, um investigador à paisana da polícia estadual do Alasca, observa a cena através do pára-brisa de sua caminhonete suja que cheira a cachorro molhado, cortesia de Kilo, seu farejador pastor alemão. Carson não parece nada impressionado com o ato que já viu inúmeras vezes.

A atuação não tem relação com heroína ou cocaína, mas com bebidas alcoólicas. Muitas comunidades rurais no Alasca consideram o álcool o principal motivador dos crimes, da violência doméstica e de outros problemas sociais e proíbem ou restringem seu uso, como é o caso de Bethel.

A proibição do álcool traz consigo os falsificadores que não têm nada do charme da era da lei seca. Uma caixa de seu whisky pode suprir uma pequena vila nativa.

Enquanto uma pessoa de fora pode ver apenas ingredientes para uma festa nas fotos do relatório anual da polícia que retratam as caixas de cerveja Coors e whisky R&R, aqui as pessoas veem isso como o resto do mundo veria quilos de cocaína colocados em pirâmide diante da câmera, ou seja, contrabando apreendido.

Uma garrafa de R&R (que significa Rich & Rare, um nome fino para uma bebida barata) é vendida por US$10 em média em Anchorage. Mas a mesma garrafa pode chegar a US$300 na região das tundras, fazendo do R&R a escolha número um dos falsificadores e a mais acompanhada pela polícia.

"Cerca de 95% do álcool falsificado encontrado na região de Bethel é R&R, por isso nos concentramos neste produto", disse Carson. Mas a marca não é para paladares mais refinados, ele acrescenta. "Nem mesmo os falsificadores gostam dela".

Claro, os falsificadores precisam dos vendedores, alguns dos quais aceitam trabalhar em troca de uma garrafa de bebida. Estes vendedores geralmente se reúnem do lado de fora deste galpão da loja AC Value Center, onde Listerine, Lysol e outros produtos que contêm álcool são mantidos fora do alcance dos clientes.

Carson vê algo: uma mulher de casaco amarelo parece ter dado dinheiro a um homem que então se afasta rapidamente. Ele desce do carro para questionar a mulher, que diz não saber do que ele está falando, bem como as pessoas a seu redor.

Se for necessário, ela irá esperar todo o dia para que o vendedor volte com sua bebida. Mas há tanto a se fazer no Alasca, que muitos afirmam que a força policial não é suficiente para lidar com o fluxo de álcool ilegal. O policial volta a seu carro e vai embora.

Carson, 32, tem uma jeito inocente que mascara seu conhecimento da rua obtido ao longo de anos trabalhando como investigador em Fairbanks, perto de sua cidade natal de Tok. Há 18 meses ele foi transferido para Bethel, uma pequena cidade de 6,000 habitantes que serve como base para 56 vilas nativas no Delta Yukon-Kuskokwim.

Antes ele se concentrava em cocaína e heroína, mas agora lida com cerveja, vinho e outras bebidas sem duvidar do valor de sua missão. "A maioria dos ataques sexuais, suicídios e homicídios tem alguma relação com o álcool", disse Carson. "Sempre que vou a cena de um crime posso ver o álcool presente. Isso aumenta a necessidade de acabar com o contrabando".

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