Contagem regressiva para Olimpíada de Londres começa com dúvidas

PEQUIM ¿ Se havia alguma dúvida que a Olimpíada de Londres, em 2012, seria diferente da de Pequim, ela desapareceu assim que o prefeito londrino apareceu durante a cerimônia de encerramento no domingo à noite.

The New York Times |

O prefeito, Boris Johnson, apareceu depois que Guo Jinlong, de Pequim, e Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), haviam feito seus discursos.

Guo e Rogge estavam elegantes e sérios, vestidos em ternos escuros e amassados. Johnson chegou com seu botão do meio aberto, mão no bolso. Ele acenou, apontou, ergueu o pulso e deu risada: um colegial travesso que saiu com os adultos.

Johnson estava lá para um dos muitos rituais dos jogos. Guo passou a bandeira olímpica para Rogge, que a entregou para o londrino ¿ simbolizando a passagem da Olimpíada de uma cidade para outra.

Quão bem Londres irá carregar essa bandeira é uma questão que seus representantes se perguntaram repetidamente nas duas últimas semanas.

O que eles poderão fazer para acompanhar essa Olimpíada que não teve economia, com suas arenas espetaculares, organização perfeita e atenção aos detalhes? O primeiro problema de Londres é simplesmente dinheiro. Estimativas do custo dos jogos de Pequim, além do orçamento operacional do comitê de organização de Pequim, começam em US$ 40 bilhões. E isso sem considerar a diferença nos custos da mão-de-obra, que são consideravelmente menores na China do que serão na cidade inglesa.

Legado na comunidade

Todos envolvidos com os jogos de Londres têm certeza de seus números: um orçamento operacional de US$3.7 bilhões para o comitê de organização; US$17.2 bilhões para construir tudo. Para Londres, a armadilha é evitar ser acusada de desperdiçar dinheiro em um evento de vida curta, e também de não ser vista como mesquinha.

É improvável que exista uma Olimpíada desse tamanho, extensão e estatura de novo, disse Sebastian Coe, presidente do comitê de Londres, em uma coletiva de imprensa.

O Comitê Internacional Olímpico (COI) está preso na mesma armadilha. Essa era sua festa, e a China gastou US$ 40 bilhões nela, apesar dele não se alegrar com a quantidade de dinheiro que foi em um evento que dura apenas 17 dias.

A solução do COI é enfatizar o que a Olimpíada deixou para trás.

Pequim é uma cidade enorme, crescendo e se modernizando rapidamente, e não tinha muitas áreas esportivas. Os jogos deixarão um legado de arenas e estádios aqui.

Esse não é um legado que Londres precisa. A cidade já conta com locais com 80 mil assentos - Wembley and Twickenham ¿ além de outras áreas esportivas.

Nossa prioridade é deixar um legado para a comunidade, disse Coe. Nossa mensagem tem sido clara e não ambígua: usar os jogos de Londres para incentivar a participação em esportes olímpicos.

Nenhuma Olimpíada jamais produziu uma mudança sustentável na participação.

Os organizadores de Londres dizem que a maioria das áreas de esportes olímpicos já existe. Elas incluem Wembley e Wimbledon para tênis. A . Lords Cricket Ground terá que ser mudada para arco e flecha. A Earl´s Court, local das partidas de vôlei, é um local para exibições, não uma quadra esportiva, e partes dela datam do final dos anos 30. O Greenwich Park realizará os eventos eqüestres; Hyde Park, onde acontecerá o triathlon; e o Regent´s Park, para ciclismo, são áreas existentes somente porque os parques já estão lá. O mesmo vale para a Horse Guards Parade; uma escolha um tanto quanto surreal para o vôlei de praia.

Wembley e a North Greenwich Arena, que terão partidas de badminton, são lembranças de quão errado o planejamento em Londres deu nos últimos anos. Ambos foram entregues atrasados e com um orçamento muito estourado. A North Greenwich Arena, originalmente o Millennium Dome, custou aproximadamente US$1.9 bilhões. Wembley foi reconstruída recentemente, sua reabertura estava marcada para 2006, mas abriu em 2007 e custou US$1.5 bilhões.

Estilo inglês

Apesar dos enormes orçamentos, uma Olimpíada moderna depende muito daqueles que fazem o trabalho voluntário. Um dos elementos definidores em Pequim foi a legião de jovens dispostos a doar seu tempo e esforço.

Paul Deighton, principal funcionário do Comitê Olímpico de Londres, disse que não pode esperar duplicar seus números.

Uma das maiores forças da China é a capacidade de mobilizar tantos recursos e pessoas, ele disse. Nós daremos a elas papéis maiores e mais independência. Esse é um modelo que funciona melhor para os britânicos.

Os voluntários de Pequim foram igualados, em números, pelas forças de segurança. O terrorismo é uma sombra que paira sobre qualquer evento de massa. Pequim não teve ataques terroristas nos últimos anos, mas Londres teve ¿ coincidentemente no dia 7 de julho de 2005, um dia depois que a cidade foi escolhida para sediar a Olimpíada.

Londres, Coe disse, é uma cidade enorme, global e capital. Haverá um balanço. Os jogos têm que ser aproveitados, e ela não ficará fechada.

A polícia e os soldados estavam, mais uma vez, em todos os lugares de Pequim no domingo. Enquanto o show oferecido pelos anfitriões na cerimônia de encerramento não ter sido uma narrativa épica como foi a de abertura, ainda assim foi espetacular, enorme, e, exceto pela entrada dos atletas, coreografada meticulosamente.

Então os britânicos apareceram, com um número de dança incluindo um ônibus de Londres e integrantes de três grupos de dança. Claramente, eles estavam longe de casa com recursos limitados. Mesmo assim, pareceu caótico e não ensaiado.

Jimmy Page quase resgatou o momento, com uma demonstração do simples poder de uma guitarra. David Beckham recebeu o que pode ter sido um aplauso maior do que para qualquer atleta estrangeiro na Olimpíada, apenas por jogar uma bola de futebol para a multidão.

Foi uma demonstração poderosa de como conseguir muito de pouco.

- Peter Berlin

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