Consumidores sentem aproximação da próxima crise

Depois de anos sobrecarregando os americanos com propostas de cartões de crédito e empréstimos ilimitados, as financiadoras decidiram cortar ambas as ofertas num momento em que a crise econômica atinge diretamente os consumidores.

The New York Times |

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A mudança afeta até mesmo os consumidores válidos e ameaça uma indústria bancária já em dificuldades com outra onda de perdas sem precedentes depois de uma era áurea na qual conseguiu ganhos recordes através dos negócios de crédito fácil que ajudou a criar.

As financiadoras anunciaram uma desvalorização de cerca de US$21 bilhões nos cartões de crédito na primeira metade de 2008 por causa da inadimplência. Com a companhias demitindo milhares de funcionários em meio à crise, a indústria deve perder outros US$55 bilhões no próximo ano, dizem os analistas. Atualmente, o total de perdas soma 5,5% dos valores excedentes dos cartões de crédito e pode ultrapassar  o nível de 7,9% atingido depois da explosão da bolha tecnológica em 2001.

"Se o desemprego continuar a aumentar, a quantidade de créditos perdidos poderá atingir uma alta histórica", disse Gary L. Crittenden, chefe financeiro do Citigroup.

Cartão de crédito mais defícil

Diante de condições difíceis, companhias que emitem o MasterCard, Visa e outros cartões correm para estancar o sangramento, mesmo quando as opções antes facilmente usadas pelos beneficiários para pagar suas contas, como linhas de crédito ou refinanciamentos e transferências para outro cartão, começam a secar.

Grandes financiadoras (como American Express, Bank of America, Citigroup e até mesmo a loja Target) começaram a dificultar a concessão de cartões e a negar qualquer cliente mais arriscado. A Capital One, por exemplo, encerrou agressivamente contas inativas e reduziu as linhas de crédito dos consumidores em 4.5% neste quadrimestre em relação ao ano passado, de acordo com registros regulatórios.

As financiadoras estão abandonando consumidores em dívidas e diminuindo os limites de crédito para quem ainda têm cartão, especialmente para os consumidores que vivem em áreas atingidas pela crise imobiliária ou trabalham nos setores prejudicados.

O temor entre as financiadoras aumentou conforme a crise passou a fazer com que seus clientes em dificuldades passassem a se apoiar nos cartões de crédito até mesmo para as necessidades básicas, como gás e comida.

As financiadoras diminuíram suas ofertas para meras sugestões, com medidas traduzidas para o americano médio em cerca de 13 malas diretas a menos por ano, em relação ao pico da oferta em 2006.

Por ERIC DASH

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