Consumidores reclamam de falta de restrições ao registro de aparelhos roubados ou perdidos

Durante décadas, quando um item era perdido ou roubado, o consumidor passava por três estágios de pesar: raiva, lamentação e aceitação. Você ficava irritado, depois triste e então seguia adiante, principalmente porque não tinha outra opção.

The New York Times |

Então chegou a era digital e com ela, aparelhos que os fabricantes conseguem manter em funcionamento e até mesmo lucrar com eles depois que forem parar nas mãos de alguém que os furtou ou encontrou. O que, por sua vez, levou a um novo estágio: o ódio.

Especificamente, ódio contra os fabricantes, que geralmente sabem onde o aparelho perdido ou roubado está, depois que eles são registrados por um novo usuário.

Mas muitas companhias de tecnologia não informam o paradeiro dos aparelhos desaparecidos a menos que a polícia faça a solicitação com um mandado judicial. Mesmo um pedido de cancelamento de serviços (algo que intimidaria a ação de ladrões ao inutilizar o aparelho roubado) é tipicamente recusado.

O problema chegou a novos patamares com o leitor Kindle da Amazon, um aparelho sem fio que baixa e armazena livros digitais.

Samuel Borgese recentemente perdeu seu Kindle: ele cancelou sua conta para que ninguém pudesse baixar livros que seriam cobrados em seu cartão de crédito e depois pediu à Amazon que colocasse o aparelho em uma lista de números de série não operantes para que não pudesse ser reutilizado.

Mas a política da Amazon é que não ajudará a localizar um Kindle perdido a menos que a companhia seja contatada por um policial com uma intimação. Em websites dedicados ao dispositivo, como o Blog Kindle e a própria comunidade da Amazon sobre o produto, muitos clientes expressaram ódio em relação a esta política da Amazon, que não é exclusiva.

A Rádio Sirius XM também diz que apenas com uma intimação irá desativar rádios via satélite perdidos, ou revelar informações sobre eles. Patrick Reilly, porta-voz da companhia, disse o objetivo é "proteger o assinante original que perdeu o rádio, mas também não incriminar alguém que legitimamente compre o rádio roubado de terceiros".

Rádios roubados, segundo ele, só são reativados com a "nota da compra", como um recibo do eBay.

Donos de iPhones têm inúmeras opções para procurar por seus telefones, inclusive aplicativos que usam GPS para enviar alertas virtuais.

Mas se alguém conseguir desativar estes sistemas, e se o módulo de identidade de segurança do telefone (vulgo cartão SIM) for substituído, ele pode ser usado por um novo dono para fazer ligações.

"Quando listamos telefones perdidos ou roubados", diz Mark Siegel, porta-voz da AT&T que tem direitos exclusivos ao iPhone nos Estados Unidos, "tudo que queremos é impedir qualquer custo incorreto a uma conta. Nós não desabilitamos o telefone".

A postura das companhias de tecnologia americanas não são adotadas por suas semelhantes no exterior, que parecem mais propensas a intervir.

Na Inglaterra, por exemplo, as principais operadoras de celular mantêm uma lista negra de números de série de celulares, permitindo que os consumidores incluam aparelhos que foram roubados ou perdidos para que não possam ser registrados de novo.

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