Congo faz pressão para extradição de comandante militar

RUMANGABO ¿ Neste domingo, 25, um grupo de ex-lutadores de guerrilha deitou-se em volta do topo onde fica uma base do Exército, colhendo abacates e parecendo relaxados. Mesmo com o fato de seu ex-comandante, general Laurent Nkunda, ter sido capturado, na última quinta-feira, pelo Exército de Ruanda, os soldados insistiram que ele não estava em cativeiro, mas ¿fazendo negociações¿.

The New York Times |

Não se preocupe, disse o lugar-tenente coronel Seraphin Mirindi. Nkunda voltará.

Eles poderiam estar certos.

Nkunda foi um dos líderes rebeldes mais poderosos e imprevisíveis do Congo, um megalomaníaco com habilidades militares comprovadas que, até sua prisão na fronteira do Congo com Ruanda, conseguiu comandar um grande bloco desestabilizado da África central.

Mas ele também foi um amigo próximo de Ruanda, e um guardião de muitos segredos.

Agora, o Congo está incentivando Ruanda a extraditá-lo para ser julgado por crimes de guerra e acusações de traição. Muitas pessoas, nos campos verdes do oeste do Congo, onde tanto sangue tem sido derramado, esperam que a captura do comandante seja uma solução para um conflito de anos de fúria.

Mas há um medo crescente de que a prisão de Nkunda acabe de maneira insatisfatória e que Ruanda não o entregue, em parte porque ele sabe demais.

Neste domingo, a milícia de Ruanda reconheceu pela primeira vez que não estava mantendo Nkunda na prisão, mas em um local secreto e seguro em Ruanda.

A dinâmica do oeste do Congo é volátil, turva e difícil de prever. Quase todos os dias há uma nova surpresa.

Há algumas semanas, comandantes rebeldes de alto posto se separaram, repentinamente, de Nkunda, uma figura carismática que até então parecia ter produzido uma lealdade extrema. Então, milhares de tropas ruandesas atacaram pela fronteira, como parte de uma missão Congo-Ruanda para acabar com militantes hutus que sobraram do genocídio de Ruanda, em 1994.

O último fato veio na quinta-feira passada, quando ao invés de atacar os militantes Hutus, os ruandeses marcharam direto para o território de Nkunda e o levaram embora.

Ao menos, é isso que os ruandeses dizem, embora alguns ex-lutadores de Nkunda dizem que ele foi atraído para Ruanda para um encontro e então capturado ou dito para ficar escondido.

Nkunda é congolês, mas é amplamente visto como um agente dos extensos negócios e interesses de segurança de Ruanda no oeste do Congo. Como os líderes de Ruanda, ele é da etnia Tutsi, e começou sua carreira militar como oficial de inteligência na guerrilha liderada pelos Tutsis, que agora lideram Ruanda.

Ele estava lá no posto do exército da guerrilha em 1994, quando o jato que carregava o presidente da Ruanda, um Hutu, foi misteriosamente atingido, desencadeando o genocídio.

Ele estava lá no oeste do Congo, quando inúmeros Hutus foram massacrados em assassinatos de represália, muitos dos quais nunca foram investigados.

Ele também estava lá no começo de 2000, quando de acordo com os documentos da ONU, a milícia ruandesa criou uma rede criminal que explorou os vastos recursos minerais do Congo.

Por JEFFREY GETTLEMAN

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