Conforme economia desaba, muitos hispânicos perdem frágil alcance da prosperidade

DALTON, GEÓRGIA ¿ Em seus primeiros anos nos EUA, Carlos B. Jacinto teve a vida itinerante de um trabalhador imigrante da Guatemala, desde colher frutas na Flórida até cortar lenha em uma serraria de Washington. Eventualmente, ele ficou aqui no norte da Geórgia e construiu uma vida de classe média americana.

The New York Times |

As empresas de carpete que sustentavam essa cidade estavam desesperadas por trabalhadores para atender um aumento nacional em construções de casas. Os salários que Jacinto ganhou na última década foram suficientes para comprar uma minivan e uma casa de tijolos com um jardim e uma balança para suas quatro filhas pequenas. Era bem diferente de sua infância na Guatemala, uma cabana de madeira sem eletricidade ou encanamento.

Mas no mês passado, entre as fortunas em retrocesso da economia americana, Jacinto, 37 anos, foi demitido. Tudo que ele conquistou de repente estava correndo risco.

Eu conseguirei manter os pagamentos de minha casa? ele perguntou. Nunca acreditei que isso pudesse acontecer. Agora, não sabemos o futuro.

A crise econômica que se desdobra pelos EUA está impondo um preço particularmente punitivo para os hispânicos, um grupo que estava entre os principais beneficiários da expansão nos últimos anos. O que era uma história de amplos e constantes avanços abriu caminho para maior desemprego, salários diminuindo e casas perdidas.

O aumento das moradias nos EUA gerou milhões de novos empregos para aqueles que desejavam encarar tarefas fisicamente exigentes, de trabalhos em fábricas limpando pisos, carpetes e estofamento, até paisagismo e serviços com telhados e de porteiro. Latinos ocupavam grandes parcelas desses cargos e preenchiam altos números de empregos de construção que pagavam relativamente bem.

Como um grande fluxo de imigrantes latinos se espalhou além das entradas iniciais do sudoeste para pequenas cidades pelo sul e centro-oeste, muitos encontraram emprego fazendo todo o trabalho desagradável evitados por aqueles com melhores perspectivas.

Mas agora partes significativas desse trabalho estão desaparecendo e o que antes eram as áreas que cresciam mais rapidamente da nação, incluindo Estados com populações hispânicas em expansão, como a Flórida, Califórnia, Geórgia e Nevada estão absorvendo o golpe.

De abril do ano passado para abril desse ano, o Departamento de Trabalho relatou que o índice de desemprego entre hispânicos aumentou 1.4% para 6.9%. Em comparação, o índice de emprego geral aumentou de 0.5% para 5%.

Para os quase 19 milhões de imigrantes latinos nos EUA, a crise no mercado influenciou significativamente nos ganhos, diminuindo a parcela daqueles que enviam dinheiro para suas famílias na América Latina de quase três quartos há dois anos para cerca de metade atualmente, de acordo com uma pesquisa publicada semana passada pelo Banco de Desenvolvimento Inter-Americano.

Setor que lidera recessão

Os problemas econômicos agora ameaçam reverter um longo período de ganhos em ter sua casa para latinos também. De 1994 a 2006, o índice de hispânicos com moradia própria aumentou de 41% para 50%, de acordo com dados do censo, um ritmo maior que o dobro entre os não hispânicos.

O crescimento foi incentivado por uma grande confiança em hipotecas de subprime ¿ empréstimos estendidos para pessoas com históricos de crédito problemáticos. Em 2006, 47% dos empréstimos para compras de casas de hispânicos foram de subprime, quase o dobro do número para brancos não hispânicos, de acordo com um estudo feito pelo Centro Comum para Estudos Políticos e Econômicos. Somente afro-americanos dependiam mais de empréstimos assim.

No ano passado, o número de latinos com sua própria casa caiu, uma tendência que provavelmente continuará: um em cada 12 dos empréstimos feitos para famílias latinas em 2005 e 2006 têm chances de fracassar, estima Catherine Singley, do Conselho Nacional La Raza, um grupo de advocacia de Washington.

Geórgia é um dos muitos Estados onde os hispânicos agora sentem a tensão. De 2000 a 2007, a população hispânica cresceu mais de 70%, de acordo com dados do censo.

Na área de Atlanta, a construção deu uma grande recessão, refletindo a tendência nacional. Nacionalmente, os latinos cresceram de um quinto da força de trabalho na construção em 2000 para quase um terço em 2006, de acordo com uma análise dos dados do Departamento do Trabalho feito pelo Instituto de Políticas Econômicas.

Entre os hispânicos nascidos no exterior, a construção foi responsável por 46% do crescimento em emprego de 2004 a 2006, de acordo com Rakesh Kochhar, um economista do Pew Hispanic Center.

Agora, essa dinâmica está funcionando ao contrário. Hispânicos estão concentrados em uma indústria que está liderando a recessão, disse Kochhar.

Nos últimos oito anos, Jose Serrano, um imigrante ilegal, se apertou em casas alugadas em Atlanta com cinco ou seis outros homens enquanto trabalhava em construções que pagavam cerca de US$ 10 por hora, enviando a maior parte de seus ganhos para a Cidade do México para sustentar sua mulher e três filhos.

Mas desde novembro, Serrano não consegue achar um emprego estável. Toda manhã, ele se une a dezenas de outros em um estacionamento, onde empreiteiros contratam para trabalhos estranhos. Na maioria dos dias, ele espera à toa, disse.

Agora, não há dinheiro para enviar para casa. Ele vendeu seu carro e anda pela auto-estrada de Atlanta de bicicleta, além de pegar dinheiro emprestado de seus amigos para pagar seu aluguel de US$ 150 por mês.

Outros em sua situação voltaram para o México, ele disse, desencorajados pelo mercado de trabalho em deterioração e uma recente escalada em buscas por imigrantes ilegais. Se as coisas não melhorarem logo, ele também voltará, apesar de se afligir com a idéia de ter que depender da família que era para sustentar.

Seus sonhos desapareceram, disse Serrano. Sua família conta com você para as necessidades básicas. Você se sente derrotado.

- Peter S. Goodman

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