Conflito na Geórgia ressalta postura de McCain em relação à Rússia

HARRISBURG - A guerra que assola a antiga república soviética da Geórgia colocou holofotes sobre a postura cada vez mais dura adotada pelo senador John McCain nos últimos anos em relação à Rússia.

The New York Times |

McCain pediu a expulsão do que chamou de "Rússia revanchista" das reuniões do G8, organização das principais nações industrializadas. Além disso, ele zombou da  afirmação do presidente que disse conseguir entender a alma de Vladimir V. Putin, antigo presidente da Rússia e seu atual primeiro-ministro, ao olhar em seus olhos. "Eu olhei nos olhos dele e vi três letras: K, G e B", disse McCain.

A posição de McCain foi qualificada como provocativa e possivelmente perigosa por alguns auto-intitulados especialistas em política externa, que disseram que isolar a Rússia faria pouco para mudá-la. Mas outros, como neoconservadores que vêem a promoção da democracia como um objetivo fundamental, vêem a postura de McCain como fundamentada e correta. Agora, com a Rússia invadindo a Geórgia enquanto McCain tenta se eleger presidente, suas opiniões sobre a região serão mais analisadas do que nunca.

Para McCain, o conflito acontece meses depois de alertas sobre a situação na Geórgia. O candidato ficou amigo do presidente do país, Mikheil Saakashvili, durante muitas viagens ao local.

Charles King, professor de relações internacionais da Universidade de Georgetown, disse que retóricas como a de McCain podem ter levado a Geórgia a agir sem prudência. O principal conselheiro para assuntos externos de McCain, Randy Scheunemann, fez lobby em nome do governo da Geórgia até março e o candidato republicano há muito abraça os esforços da Geórgia em entrar para a Otan, o que tem sido visto como parte de uma estratégia maior de conter a Rússia ao aceitar seus antigos satélites e ex-repúblicas soviéticas na organização.

"A decisão da Otan em recusar a adesão da Geórgia pode ter significado luz verde para que a Rússia atacasse o país", McCain disse aos repórteres na segunda-feira, "e eu peço que os aliados da Otan revejam essa decisão".

A questão de como lidar com uma Rússia rica em petróleo e cada vez mais independente divide o setor de política externa.

McCain reconheceu numa entrevista recente que sua postura em relação à Rússia dividiu alguns de seus conselheiros de política externa.

Robert Kagan, sócio do Financiamento para Paz Internacional Carnegie e um dos conselheiros de política externa de McCain, disse que as pessoas que acham a retórica de McCain a respeito da Rússia inflamatória vivem em negação.

"A razão pela qual ele está certo é que a Rússia agora entrou para o patamar onde se sente livre para adotar um comportamento internacional totalmente diferente do que vimos nas últimas décadas", disse Kagan. "A Rússia claramente tenta estabelecer uma antiga hegemonia em relação a seus vizinhos".

Por MICHAEL COOPER e ELISABETH BUMILLER

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