Conectados e perspicazes, jovens guiam revolta no Egito

Nascidos na época em que Mubarak subiu ao poder, estudantes e profissionais liberais usam anonimato da web para desafiar o Estado

The New York Times |

Eles nasceram perto da época em que o presidente Hosni Mubarak subiu ao poder, formaram-se nas principais universidades do país e passaram suas vidas adultas lidando com as restrições do Estado policial egípcio – alguns subjugados a prisões e tortura constantes em nome de sua causa.

Eles são os jovens profissionais – principalmente médicos e advogados – que desencadearam e guiaram a revolta do Egito, membros da geração Facebook que permaneceram na sua maioria sem rosto – de maneira deliberada, por causa da ameaça de prisão ou sequestro pela polícia secreta.

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No Cairo, jovens egípcios usam laptops para postar vídeos de protestos feitos na praça Tahrir, e divulgá-los no Facebook e no Twitter (7/2/2011)
No entanto, agora que o governo egípcio tem tentado prejudicar seu movimento alegando que os oficiais do governo estão em negociação com alguns de seus líderes, eles decidiram ir a público pela primeira vez.

Havia apenas cerca de 15 deles, incluindo Wael Ghonim, um executivo do Google que foi preso por 12 dias, mas ressurgiu esta semana como porta-voz mais potente do movimento. No entanto, eles trouxeram sofisticação e profissionalismo para a sua causa – explorando o anonimato da internet para escapar da polícia secreta, plantando boatos falsos para enganar os espiões da polícia, encenando "testes de campo" em favelas do Cairo antes de implementar os seus planos de batalha, planejando um cronograma semanal de protestos – que ajuda a explicar a resistência surpreendente do levante que começaram.

Ao longo do processo, muitos formaram alguns vínculos incomuns que refletem o caráter singular não ideológico da revolta dos jovens egípcios, que engloba liberais, socialistas e membros da Irmandade Muçulmana.

"Eu gosto mais da Irmandade, e eles gostam de mim", disse Sally Moore, uma psiquiatra de 32 anos de idade, cristã copta e esquerdista e feminista de raízes irlandesa e egípcia.

Muitos no círculo se conheceram durante a universidade. Islam Lotfi, advogado que é líder da Juventude da Irmandade Muçulmana, disse que seu grupo costumava alistar partidários de outros partidos pequenos de esquerda para se posicionar com eles e pedir liberdades civis, além de fazer a sua causa parecer mais universal. Muitos agora estão aliados na revolta, incluindo Zyad El-Elaimy, um advogado de 30 anos de idade que era líder de um grupo comunista.

Elaimy, que foi preso quatro vezes e sofreu várias fraturas durante a tortura por seu trabalho político, agora trabalha como assistente de Mohamed ElBaradei, que ganhou um Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com a Agência Internacional de Energia Atômica. Por sua vez, o grupo criou laços com outros jovens organizadores como Moore.

As sementes da revolta foram plantadas por volta da época do levante na Tunísia, quando Walid Rachid, 27 anos, uma ligação de um grupo online chamado Movimento 06 de abril, enviou uma mensagem ao administrador anônimo de uma página antitortura no Facebook pedindo "ajuda em divulgar" o protesto do dia 25 de janeiro, lembrou Rachid. Ele queria saber por que o administrador se comunicava apenas por mensagens instantâneas do Google. Na verdade, era alguém que ele já conhecia: Ghonim, o executivo do Google.

*Por David D. Kirkpatrick

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