Conduta irregular na agência reguladora de petróleo

Uma investigação mostrou que responsáveis por supervisionar perfurações aceitavam presentes e usavam drogas durante o trabalho

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Ken Salazar, secretário de Interior dos Estados Unidos, exigiu reforma ética nas relações entre indústria petrolífera e governo

Segundo um relatório divulgado esta semana, servidores do governo dos Estados Unidos, responsáveis por supervisionar a perfuração no Golfo do México, permitiam que funcionários de empresas privadas preenchem os formulários de inspeção a lápis – e depois os preenchiam a caneta antes de submetê-los ao Serviço de Gerenciamento Mineral, (MMS, na sigla em inglês, órgão análogo à Agência Nacional do Petróleo no Brasil).

O documento, que descreve comportamento inapropriado de funcionários do órgão entre 2005 e 2007, também relata que inspetores aceitaram refeições, ingressos de eventos esportivos e presentes de pelo menos uma empresa enquanto supervisionavam as atividades da indústria.

Embora não haja nenhuma prova que esses fatos causaram o vazamento de petróleo da Deepwater Horizon, o relatório reforça as críticas de que a agência tinha uma cultura de negligência e laços próximos demais com a indústria.

O relatório inclui outros exemplos de comportamento preocupante: em 2008, um empregado da agência inspecionou quatro plataformas enquanto negociava um emprego na iniciativa privada. E um inspetor do escritório de Lake Charles, no oeste da Louisiana, admitiu ter usado metanfetamina, uma droga ilegal, durante o horário de trabalho. Investigadores acreditam que ele pode ter inspecionado plataformas sob a influência da droga.

Outros funcionário do ramo de Lake Charles aceitavam rotineiramente presentes, como viagens de caça e pesca, da Island Operating Company, uma empresa de petróleo e gás que trabalha em plataformas monitoradas pelo governo. Receber esse tipo de presente “parece ter sido uma prática aceita,” escreveu no relatório a inspetora geral Mary L. Kendall.

A investigação também descobriu que outros dois empregados admitiram ter usado drogas durante o período em que trabalharam para a MMS. Pelo menos sete dos empregados envolvidos em atividades inadequadas ou ilegais ainda trabalhavam no órgão quando o relatório foi terminado, em março. Eles seriam suspendidos enquanto o processo de revisão não terminasse. A prática de funcionários das empresas preencherem os formulários de inspeção a lápis e o uso dos computadores da agência para download de pornografia também constam do documento.

O secretário de Interior dos Estados Unidos Ken Salazar disse ter achado o relatório “profundamente perturbador”, e que por isso ele tinha ordenado uma reforma ética profunda na agência. A investigação começou depois de uma denúncia anônima, em outubro de 2008. Os resultados seriam divulgados apenas no fim deste semestre, mas o acidente com a Deepwater Horizon acelerou o processo.

Analistas da indústria petrolífera afirmam que boa parte desse comportamento acabou com a nova administração federal. Mas algumas repercussões continuam. Chris Oynes, que dirigiu por 12 anos o setor da MMS responsável pelo Golfo do México e em 2007 assumiu um posto em Washington, acaba de se demitir, embora seu nome não tenha sido mencionado na investigação.

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