Companhia chinesa é acusada de vender material proibido ao Irã

NOVA YORK - Promotores de Nova York indiciaram um empresário chinês e sua companhia por conspiração relacionada à venda de materiais sensíveis ao Irã em transações sigilosas que, segundo as autoridades, violam sanções da ONU que buscam impedir as ambições nucleares de Teerã.

The New York Times |

De acordo com o processo aberto em Manhattan na terça-feira, a companhia chinesa vendeu tungstênio, ferro de alta resistência e metais exóticos à Organização de Indústrias de Defesa, um braço das forças militares iranianas, entre 2006 e 2008, geralmente usando companhias de fachada para esconder as transações.

Tanto as Indústrias de Defesa quanto a sede da companhia chinesa, Limmt Economic and Trade Co., são proibidas de realizar negócios nos Estados Unidos.

Os materiais têm muitos usos na construção de mísseis de longo alcance e armas nucleares, inclusive na fabricação de um motor que aguente altas temperaturas e centrífugas que podem enriquecer o urânio e transformá-lo em combustível atômico. Os materiais podem ser usados para armas bem como para fins civis.

A venda ao Irã de muitos destes materiais foi proibida pelas Nações Unidas e o comprador iraniano é um líder reconhecido dos esforços militares em dar continuidade à fabricação de armas avançadas. A diversidade e quantidade de vendas é significativa, envolvendo milhares de toneladas de alguns dos materiais mais sensíveis do mundo.

O programa nuclear e de mísseis do Irã é uma preocupação mundial. Teerã corre contra o tempo para enriquecer urânio contrariando a oposição do Conselho de Segurança da ONU e recentemente lançou um satélite, passo que os analistas veem como importante para o uso de mísseis de longo alcance que podem carregar armas nucleares.

O processo acusa o empresário chinês Li Fang Wei,  executivo da Limmt, e a companhia  de conspirarem para esconder suas transações e de apresentarem informações falsas sobre transações bancárias que aconteceram em Manhattan. O promotor do distrito de Manhattan, Robert M. Morgenthau, anunciou a acusação em uma coletiva de imprensa na terça-feira.

Todos os registros falsos envolveram vendas entre a Limmt e clientes não afiliados às forças militares iranianas. Estas transações não foram realizadas em dólares americanos.

As vendas às Indústrias de Defesa são mencionadas sob acusação de conspiração. Apesar das transações terem sido realizadas em euro e não envolverem bancos americanos, elas foram usadas para ilustrar os esforços de Li em esconder suas atividades.

Apesar das acusações terem penas relativamente leves (até um ano de prisão por conspiração em quinto grau e no máximo quatro pela falsificação de documentos empresariais) Morgenthau disse que o propósito central do processo é expor as tentativas de proliferação nuclear do Irã.

Leia mais sobre Irã

    Leia tudo sobre: proliferação nuclear

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG