Como será a mudança de Obama para a decoração da Casa Branca?

Desde que Mary Todd Lincoln ultrapassou o orçamento de decoração da Casa Branca em US$6.700 (um terço do valor total de US$20 mil destinado a ela), enfurecendo seu marido e agradando a mídia que já havia se voltado contra ela, a redecoração da morada presidencial se tornou um campo minado para as relações públicas.

The New York Times |

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Algumas novas gestões passam por este terreno sem maiores riscos, outras são menos cuidadosas e deixam tudo ir pelos ares.

"Um antigo ditado diz que é possível construir uma estrada de um bilhão de dólares que não passa de um chiqueiro e ninguém dirá nada", disse William Seale, historiador da Casa Branca, "mas se você está um um cargo público e mudar sua mesa, acabará na primeira página de um jornal. No quesito decoração presidencial, é preciso lembrar que a opinião pública está observando tudo que você faz".

A equipe de transição de Barack Obama não respondeu a perguntas sobre seus planos para a decoração, então só podemos especular sobre como a família deixará sua marca estilística na Casa Branca. Talvez eles escolham Nate Berkus, o decorador adorado por Oprah Winfrey e outros moradores de Chicago, para ajudá-los.

Ou talvez, como sugeriu o comediante Andy Borowitz na semana passada, sigam o formato que o presidente eleito adotou para montar seu gabinete. "A criação de um time de rivais", disse Borowitz, "então ao invés de um decorador teremos oito: quatro republicanos e quatro democratas, nenhum dos quais suporta o outro, e ele fará com que cada um projete uma sala."

Qualquer que seja a decisão da família Obama, eles terão que seguir algumas regras básicas. Para começar, terão que pagar pela mudança. Ainda que o orçamento oferecido pelo Congresso seja de US$100 mil para a transição de moradias em uma nova gestão, se eles gastarem mais do que isso (e geralmente as famílias de primeira viagem o fazem) terão que cobrir as despesas pela decoração de quartos particulares com doações privadas. Além disso, eles não podem mudar as salas públicas sem a aprovação de um comitê de preservadores.


A decoração da família Nixon em azul e dourado  / NYT

Também seria prudente lembrar que as aparências importam: o Salão Oval de Jimmy Carter tinha uma cor terra que sugeria aborrecimento (mesmo que tenha sido escolhido por seu predecessor e ele tenha optado por economizar na decoração), o custo das porcelanas de Nancy Reagan (US$210.399) foi visto como uma extravagância (mesmo que tenha sido uma doação considerada necessária - antes do jogo, os jantares eram servidos em pratos misturados pois não havia nenhum padrão estabelecido). A Casa Branca de Kennedy era francesa demais; a de Clinton, Arkansas demais. Na história recente, apenas os Bush (tanto pai quanto filho) conseguiram escapar de problemas com a decoração.

Coisa de mulher

Decorar a casa é uma tarefa da primeira-dama. Ela preside o Comitê de Preservação da Casa Branca, um grupo de pessoas indicadas que inclui seu decorador e o curador da casa, bem como historiadores, especialistas em arte decorativa e móveis e outros conselheiros sobre a preservação histórica. (O decorador de Laura Bush, Kenneth Blasingame, designer de Fort Worth, recriou continuamente quartos como o de Lincoln, que foram mostrados sem grande apelo na revista Architectural Digest de março).

As renovações de quartos públicos, acréscimos às formidáveis coleções de arte e móveis, bem como qualquer restauração são supervisionados pelo comitê e financiados pelo Fundo de Patrocínio da Casa Branca, que no momento tem cerca de US$27 milhões.

Quando se trata dos quartos privativos, no segundo e terceiro andar, e do Salão Oval, no entanto, a decoração é uma "decisão pessoal da família", disse Tom Savage, diretor de assuntos museológicos do Winterthur em Delaware e membro do Comitê de Preservação da Casa Branca durante a gestão Clinton. "Mas há muitas ressalvas. O conceito de que a família pode fazer mudanças dramáticas é incorreto".


Hillary Clinton durante a reforma da Casa Branca / NYT

Mesmo assim, o dia da mudança é dramático. Gary Walters, que se aposentou no ano passado depois de 21 anos fiscalizando a mansão de 132 quartos como seu principal mordomo, explicou que no Dia da Posse era seu trabalho ajudar a família a se instalar, no estranho período que vai da partida do antigo presidente (por volta das 10h45 depois de saudar o presidente eleito sob o Pórtico Norte e tomar um café com ele no Salão Azul) e da chegada do novo presidente e sua família depois a parada da posse no final da tarde.

Isso deixa cerca de cinco horas para que o mordomo e seus 93 assistentes, incluindo toda a equipe doméstica, pintores, carpinteiros, floristas e até mesmo calígrafos, diz Walters, juntamente com o novo decorador e sua equipe, desempacotem as coisas da família e guardem tudo. "O objetivo é não termos nenhuma caixa fechada", disse Walters, que costumava passar uma semana na Casa Branca antes da posse para preparar tudo, dormindo em um colchão no porão.

"Pode ser muito difícil", ele acrescentou. "Quando Bush pai foi eleito, por exemplo, nós esperávamos ter uma quantidade normal de tempo, até depois da parada, mas haviam netos e eles ficaram com frio e voltaram duas horas antes do previsto".

Por PENELOPE GREEN

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