Comissão nuclear encoraja mudança no controle de risco de incêndio

WASHINGTON - Muitas das centenas de trabalhadores da usina nuclear Shearon Harris em New Hill, Carolina do Norte, se ocupam com tarefas de alta tecnologia como calibrar equipamentos, monitorar campos de radiação ou controlar o reator. Mas o tempo todo, há três homens em ação que poderiam ter saído de outro século. Eles procuram por cheiro de fumaça.

The New York Times |

Caminhando centenas de quilômetros por dia, subindo e descendo escadas e percorrendo vastos corredores e passagens estreitas, eles visitam locais cruciais pelo menos uma vez a cada hora para garantir que não há indício de incêndio.

"Eu estou em boa forma, provavelmente a melhor da minha vida", disse Timothy J. Baldwin, 33, que trabalha no alerta de incêndio da usina há quatro anos e diz que cobre 19 quilômetros por dia, incluindo 60 escadarias, e gasta dois ou três pares de tênis a cada ano.

Mas a Shearon Harris quer eliminar trabalhos como o de Baldwin, sob recomendação da Comissão Reguladora Nuclear. Ao invés desta posição, a comissão pede que usinas nucleares adotem uma postura mais sistemática para avaliar o perigo de incêndio - que dependa de um programa computadorizado.

Usando o novo método, a Shearon Harris irá avaliar cada peça de sua usina, através de centenas de milhas de cabos elétricos.

A comissão reguladora está promovendo a nova medida como uma substituição para suas próprias regras "básicas" que determinam procedimentos rígidos sem espaço para análises, disse o John A. Grobe, diretor sócio de engenharia e sistemas de segurança da comissão.

Grobe disse que a meta era tornar as regras de combate ao fogo mais "informadas sobre os riscos", focalizando nos locais precisos e sistemas mais importantes dos 104 reatores nucleares do país.

Em todo o país, as usinas podem optar por aderir aos padrões atuais de combate ao incêndio da comissão ou usar a nova  avaliação de risco eletrônica. Até agora, a comissão diz que 51 das 104 usinas optaram pelo novo método. A Shearon Harris concluirá a transição em novembro de 2010, disse J. Anthony Maness, superintendente de projetos da usina.

A mudança para a análise de risco computadorizada foi bem recebida por muitos do setor, mas não por alguns de seus críticos.

Edwin S. Lyman, cientista sênior da Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados, em tradução literal), disse que analises computadorizadas nem sempre podem antecipar a gama total de riscos de uma determinada usina.

"A postura que a comissão quer adotar é como uma varinha de condão de avaliação probabilística de riscos para fazer com que muitas das exigências desapareçam", disse Lyman.

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