Comentário: Um encontro marcado com a escassez

O dia 4 de novembro de 2008 será histórico porque irá marcar o final de uma geração, de uma era econômica e política.

The New York Times |

Economicamente, a data marca o final do Longo Boom, que teve início em 1983. Politicamente, provavelmente irá marcar o final da dominância conservadora, que começou em 1980. Além disso, o 4 de novembro marcará o final da geração da supremacia do baby boom, que começou em 1968.

Nos últimos 16 anos, os baby boomers, que nasceram do tumulto dos anos 1960, ocuparam a Casa Branca. Na noite de terça-feira, se podemos acreditar nas pesquisas, um membro de uma nova geração será eleito à presidência. Por isso, a data é três vezes mais importante.

Quando os historiadores olharem para trás para essa era que chega ao fim, verão um momento de conquistas particulares e decepção pública.

Nas últimas duas décadas, os Estados Unidos se tornaram um lugar muito mais interessante. Companhias como Starbucks, Apple, Crate & Barrel, Microsoft e muitas outras realçaram a vida diária. Cidadãos, especialmente os mais jovens, repararam o tecido social, dedicando seu tempo aos serviços comunitários e diminuindo o índice de crimes e gravidez na adolescência.

Ao mesmo tempo, a esfera pública não floresceu. Apesar de décadas de afluência questões permanentes sobre a saúde pública, educação, energia e economia não foram resolvidas. Os baby boomers, que entraram na vida adulta prometendo um ativismo contínuo, não passaram de uma geração politicamente apática. Eles produziram dois presidentes, nenhum dos quais chegou a cumprir todo seu potencial. Eles permanecem consumidos pela cultura de guerra que dividiu sua geração e propagam sua supremacia política atual depois de anos engordando sob oportunidades douradas.

Mês após mês, a frustração aumentou. Os americanos estão ansiosos por suas vidas, mas absolutamente decepcionados com seus lideres públicos. Por isso a exigência de mudança.

Os republicanos indicaram um velho guerreiro com histórico de decisões difíceis e fácil absorção dos golpes que vêm com elas. Muitos de nós o vemos(e sempre veremos) como um herói do nosso tempo. Mas a exigência pública por mudanças foi total e, caso as pesquisas estejam corretas, os eleitores irão eleger o homem que romperá o ciclo do passado de todas as formas possíveis.

Barack Obama é filho de uma filha dos anos 1960. Sua mãe nasceu apenas cinco anos antes de Hillary Clinton. Para pessoas da geração de Obama, o grande rompimento já havia acontecido quando eles chegaram à idade adulta. Essa é uma geração de consolidação e neo-tradicionalismo - uma geração de protetor solar e capacetes para ciclistas, mais ansiosa e paternal do que qualquer outra coisa.

Obama não é membro apenas desta geração temperada, mas também de seu segmento mais instruído. Ele viveu quase metade de sua vida adulta a poucos quilômetros de uma ou outra das melhores universidades do país.

Sua equipe de classe média alta instruída esteve a seu lado com grande fervor. Jornais das principais universidades apoiaram sua campanha numa proporção de 63-1. A classe alta instruída (das universidades, mídia, advocacia e centros financeiros) contribuíram com sua campanha de US$600 milhões. Em breve, este será o grupo que governará.

A ironia é que eles terão que enfrentar o problema no qual têm menos experiência e para o qual estão menos preparados: a escassez.

Criados em meio à prosperidade, favorecidos pela genética, estes jovens meritocratas terão que governar em um período em que a demanda das riquezas do país é maior que a oferta. Eles terão que lidar com uma sociedade envelhecida, com o aumento nos custos da saúde pública e da energia. Eles terão que gastar trilhões de dólares para evitar a recessão. Eles terão que manter sua promessa de cortes fiscais, renovação na produção de energia, aprovar um projeto de saúde caro e muito mais.

Nos próximos anos, a riqueza do país irá estagnar ou encolher. O aperto fiscal irá aumentar. Haverá maior luta pelos recursos escassos e disputa por fronteiras imaginárias. O desafio do próximo presidente será amortecer a dor da recessão e ao mesmo tempo tentar construir uma sólida fundação fiscal para que o país possa prosperar no futuro.

Em outras palavras, nós provavelmente estamos entrando num período no qual jovens ricos liberais irão se deparar com uma escassez dura que não parece reconhecer ou ter algum plano para combater.

Em uma era de transição, as crianças herdam os fardos de seus antepassados.

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