Comentário: Tim Geithner! Por que as pessoas ricas são tão baratas?

WASHINGTON ¿ Esperteza é a nova onda. Foi o que disse Arne Duncan, chefe da escola de Chicago, em sua audição de aprovação no Senado para ser secretário de Educação de Barack Obama.

The New York Times |

O jeito perspicaz de Obama e seu grupo político de nerds bonitos, como uma repórter admiradora os apelidou, podem inspirar as ambições das crianças escolares.

Quando Duncan passar um pouco mais de tempo em Washington, ele aprenderá algo estranho: a política é um lugar onde pessoas realmente espertas frequentemente são pegas fazendo coisas bem estúpidas.

Tome por exemplo Tim Geithner, o nerd bonito escolhido por Obama para arrumar a enorme bagunça deixada por W. e Henry Paulson, homem que brincou com cobras vivas e idéias péssimas.

Como um cara no caminho certo para ser secretário do Tesouro falha em pagar US$ 34 mil em taxas federais (US$ 43.200, incluindo juros), ou esquece-se de checar a situação imigratória de sua empregada ¿ o mesmo tipo de tropeços e altos e baixos que fez muitas outras pessoas importantes que poderiam tomar um cargo no governo caírem? Os norte-americanos esperam que o homem responsável pela Receita Federal pague seus próprios impostos.

As transgressões de Geithner podem parecer insignificantes, dado os tipos de transgressões que ocorreram na administração de Bush, e dadas as horríveis advertências da escolha de Obama pelo diretor de orçamento, Peter Orszag, que no final os EUA está perto de continuar gastando mais do que pretendia.

Mas Obama mudou de idéia sobre uma nova e brilhante forma de política, e novamente temos um deja vu de um esperto agindo estupidamente, o rico sendo insaciável, o poderoso sendo superficial.

Isso nos leva aos Clintons.

Hillary estreou sua audição no Senado, nesta terça-feira, 13, desempenhando a estudante nota 10, que ela é. Como disse um ex-assistente de sua campanha, não importa o que você diga sobre ela, ela sempre está preparada.

Com Chelsea sentando de maneira protetora atrás de si, em um vestido cor de ameixa e um cabelo no estilo anos 40 ¿ Bil estava assistindo pela TV com sua sogra ¿ Hillary mostrou razões pelas quais ela poderia ser uma estrela no Estado e a rainha dos nerds bonitos de Obama.

Ela estava por dentro de todos os assuntos, não importa o quão obscuro. Ela falou sobre a política caduca do ártico ¿ quem saberia? ¿ com Lisa Murkowski do Alasca, que parece não perceber que estamos cansados desse Estado.

Ela estava atualizada sobre o assunto inevitável do Tratado do Direito do Mar. Ela distribuiu sopas de bajulações esperadas no Senado, com a astúcia de um chef. Mesmo depois de o senador Dick Lugar, republicano dos jurados que a questionava impacientemente, levantar que sua ligação com a fundação de Bill Clinton carregava o risco de governos estrangeiros e entidades tentando temperar favores para a senhora secretária, doando dinheiro a seu marido, ela habilidosamente deu um jeito nele.

Sua liderança e inspiração com respeito ao controle de armas e especialmente a não-proliferação e os esforços em conter e destruir armas nucleares e outros suprimentos militares, e agora mudando para a área de elementos patogênicos, que são particularmente perigosos, é um grande exemplo para mim do que deveríamos estar fazendo, disse ela a um brilhante Lugar.

Não são muitas as mulheres que podem falar sobre elementos patogênicos com tanta autoridade e, ainda assim, feminilidade.

Depois de resistir intermináveis e pomposas lições de moral de John Kerry sobre o que ela deveria ler e pensar ¿ uma tentativa velada e tênue de mostrar ao mundo que ele seria um secretário de Estado melhor, e de fato, ele recebeu essa promessa de Obama ¿ Hillary respondeu agradecidamente.

Após seu discurso tempestuoso sobre como os cientistas revisaram os níveis suportáveis de emissões de gás para o efeito estufa de 550 regiões por milhão para 450 para agora 350, Hilarry respondeu: Você é eloquente em descrever isso, e tem sido um líder em tentar soar o alarme do assunto por muitos anos.

Isso pareceu tê-lo acalmado um pouco.

A única pessoa que tentou lutar com ela sobre o não apetitoso molho de carne de Bill foi David Vitter, republicano de Louisiana que teve envolvimento em um escândalo de prostituição com a famosa companhia D. C. Madam em 2007, e ele não foi o mensageiro certo para isso.

Hillary se desvencilhou dele.

Ela facilmente irá intimidar as palavras dos ditadores, como muitas vezes intimidou Obama nas eleições primárias. Mas permanece a questão se ela consegue ou não colocar de lado sua tendência em ver discordância como deslealdade. Será que ela pode trabalhar no Departamento de Estado com aqueles que a deixaram para apoiar Obama? Será que ela consegue administrar a vizinhança de Foggy Bottom melhor do que administrou sua vaga campanha?

Obama e Hillary continuam engajados em um tango intenso.

O novo presidente é confiante o suficiente para pensar que ele pode fazer o que ninguém nunca fez. Ele pensa que pode arrancar ¿ como um diamante do carbono ¿ a parte brilhante dos Clintons que possa torná-los serventes públicos excepcional, extraindo de seu lado cinza o que os faz sujos, mesquinhos, oportunistas e eticamente duvidosos.

Limpar o estábulo de Áugias (figura da mitologia grega que fez Hércules limpar seu estábulo) não é nada comparado a essa tarefa, com Obama tentando posicionar Hillary e Bill dentro de suas vontades, enquanto eles tentam colocar o presidente eleito dentro das vontades deles...

Por MAUREEN DOWD

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