Comentário: Será que Obama salvará o liberalismo?

Todas as coisas boas têm fim. Dia 20 de janeiro de 2009 marcou o fim da era conservadora. Desde a eleição de Ronald Reagan em 1980, conservadores de vários tipos e conservadorismos de várias classes, no geral, tiveram predomínio.

The New York Times |

E algo bom também! Os conservadores estavam certos mais vezes do que errado ¿ e mais vezes do que os liberais ¿ sobre os assuntos mais importantes do dia: o comunismo, o jihadismo, o crime e o bem-estar, a educação e a família.

As políticas conservadoras, no todo, funcionaram ¿ de todas as formas em que políticas podem funcionar no mundo real. Os conservadores dos anos Reagan-Bush-Gingrich-Bush têm muito do que se orgulhar.

Eles também têm alguns arrependimentos. Eles terão tempo de ponderar sobre isso enquanto agora os liberais têm uma chance de governar.

Para os conservadores não ficarem orgulhosos demais, vale lembrar que o crescimento do conservadorismo foi possível decisivamente por causa da fraqueza do liberalismo. Ela foi manifestada pela reação débil do liberalismo ao desafio da Nova Direita nos anos 60, que se tornou mais evidente durante os anos 70 e culminou na ineficiência da administração Carter no fim daquela década.

Em 1878, o filósofo político de Harvard Harvey Mansfield diagnosticou a doença: Partindo de uma doutrina agressiva, vigorosa, com homens espirituosos, o liberalismo não se tornou mais do que um temor diante a presença do iliberalismo. ... Quem hoje é chamado de liberal por força e confiança, na defesa pela liberdade?

Nas próximas três décadas, houve o conservadorismo moderno, levou ao momento crucial de Ronald Reagan, que assumiu a tarefa de defender a liberdade com força e confiança. Pode um liberalismo ressuscitar e, frente a uma nova série de desafios, pegar esse manto?

A resposta está nas mãos de um homem: o 44º presidente. Se as políticas de Reagan falharam ou se ele não foi bem-sucedido politicamente, a elevação conservadora seria cortada na flor da vida. Então, hoje com o presidente Obama, o destino do liberalismo é um fardo surpreendente em seus ombros. Se ele governar de forma bem sucedida, estaremos em uma nova era política. Se não, o país se abrirá para novas alternativas conservadoras.

Não sabemos realmente como Barack Obama irá governar. O que temos por enquanto, principalmente, é um discurso inaugural, e isso sugere que ele deve ter aprendido mais com Reagan do que deixa transparecer. O discurso do novo presidente foi ousadamente pró-americano e implicitamente conservador.

Obama apelou para a autoridade de nossos ascendentes, nossos documentos de fundação, e até mesmo ¿ a exatidão política alerta! ¿ nossos pais fundadores. Ele enfatizou que não iremos nos desculpas por nosso estilo de vida nem iremos hesitar em sua defesa. Ele quase não falou sobre direitos (ele mencionou uma vez os direitos do homem, unindo com a prática da lei no contexto de uma discussão sobre a Constituição). Ele convocou uma nova era de responsabilidade.

E ele apelou para o pai de nossa nação que, antes de liderar seu exército cruzando Delaware na noite de Natal em 1776, aparentemente direcionou essas palavras para serem lidas pelas pessoas: Que isso seja contado para o mundo futuro, no rigoroso inverno, quando nada além de esperança e virtude poderiam sobreviver, que a cidade e o país, amedrontado por um perigo comum, vieram adiante para encontrá-lo.

Por alguma razão, Obama não identificou o autor dessas palavras eternas ¿ as únicas palavras citadas no discurso todo. Seu Thomas Paine, e a passagem é do primeiro de uma série de tratos sobre a Guerra Revolucionária, The Crisis (A crise, em tradução livre). Obama escolheu cobrir a citação do algumas vezes descomedido Paine, na autoridade do respeitável George Washington.

Há 67 anos, dois meses após o bombardeio de Pearl Habor, no fim de um longo discurso no rádio em um curso difícil da luta, tínhamos acabado de receber outro presidente liberal, Franklin Delano Roosevelt, que também contou a história de Washington pedindo que The Crisis fosse lido em voz alta, e também citou Paine. Mas ele usou uma passagem mais famosa ¿ e emocionante ¿ com a qual Paine começa sua composição:

Esses são tempos que testam as almas dos homens. O verão do soldado e o brilho do patriota irão, nesta crise, encolher com o serviço ao seu país; mas aquele que apoia isso agora, merece o amor e a gratidão do homem e da mulher. A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; ainda assim temos esse consolo conosco, de que quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo.

A exortação foi adequada para a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, os perigos são muito menos cruéis e os conflitos muito menos difíceis. Ainda assim, haverá tempos de teste durante a presidência de Obama, e a liberdade precisará de defensores leais. Será que Obama poderá reformar o liberalismo para ser, como foi sob a liderança de FDR, uma luta de fé, patriótica sem escusa e forte na defesa da liberdade? Isso seria uma utilidade para nosso país...


Por WILLIAM KRISTOL

Leia mais sobre Obama

    Leia tudo sobre: obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG