Comentário: O próximo presidente da guerra

No sábado, 17, na sinagoga antes de dizer as preces costumeiras para o nosso país, o rabino nos pediu para refletir sobre o fato de que um novo presidente tomaria posse nesta terça-feira, 20, e nos encorajou a focarmos um pouco mais seriamente na reza. Pareceu-me que os membros da congregação o fizeram, enquanto líamos ¿Nosso Senhor e Senhor de nossos ancestrais: Pedimos que abençoe nosso país ¿ e nosso governo, nossos líderes e consultores, e todos aqueles que exercem uma autoridade justa e correta...¿

The New York Times |

Barack Obama irá assumir essa autoridade justa e correta na tarde desta terça-feira, 20. Depois de jantar com ele na semana passada, enquanto nos despedia, eu ouvi por acaso um de meus colegas conservadores dizer baixinho ao presidente eleito, Senhor, eu estarei rezando por você. Obama pareceu pausar o aperto de mão e agradecê-lo mais calorosamente do que a nós que simples ¿ e sinceramente ¿ lhes desejamos sorte.

O futuro presidente é o homem do momento. Ele merece boa sorte e preces sinceras. Mas eu fiquei pensando nesses últimos dias mais sobre o homem que carregou a carga do gabinete em seus ombros nos últimos oito anos, George W. Bush.

Ele não era o meu favorito entre os republicanos em 2000. Ele cometeu erros em sua presidência, e tem limitações como líder. Mas exerceu sua autoridade justa e correta de uma forma ¿ eu acredito ¿ que merece ser reconhecida e respeitada.

Provavelmente, demorará um tempo para que ele consiga um pouco de cada. Na sinagoga, depois da oração pelo nosso país, há uma oração para o Estado de Israel, pedindo a proteção e salvação dos israelenses para espalhar por eles um refúgio de paz. Enquanto recitávamos isso neste sábado, 17, eu não pude parar de refletir sobre alguns de meus amigos judeus desapontados parecem ter pensado muito no fato de que o presidente Bush é um dos melhores amigos que o Estado de Israel ¿ e, sim, do povo judeu - teve há algum tempo.

Bush ficou ao lado de Israel quando não tinha nenhum incentivo político para fazê-lo e não recebeu nenhum benefício político por fazê-lo. Ele foi criticado pela maior parte do mundo. Ele fez isso porque pensou que era o certo a fazer.

Ele foi denunciado por isso, como Israel foi denunciado por fazer o que julgou necessário para se defender. O sábio liberal Bill Moyers tem sido um crítico ferrenho de Bush. Em 9 de janeiro, na emissora PBS, ele desaprovou Israel pelo que chamou de estado de terrorismo, é travar uma guerra contra uma população inteira em Gaza.

Ele investigou a política de Israel na bíblia, onde A violência do fanatismo se tornou um código genético, aparentemente, nos judeus e nos árabes. Eu não ousaria dizer o que é e o que não é geneticamente codificado nos respeitáveis genes protestantes de Moyers. Mas eu agradeço que foi George W. Bush quem pediu guerra nos últimos oito anos e não alguém que agrade Moyers.

Muitos dos defensores de Bush o glorificam por manter o país salvo desde 11 de setembro de 2001. Ele merece essa honra e estou muito feliz em defender das críticas, sua política de vigilância, apuração e antiterrorista.

Mas eu não acho que nos manter salvos foi o feito mais impressionante de Bush. Acho que foi ganhar a guerra no Iraque, e, em particular, sua recusa em aceitar a derrota quando tantos o aconselharam a fazê-lo, no fim de 2006. Sua ordem para aumentar as tropas no Iraque em janeiro de 2007 foi um ato de coragem pessoal e de liderança presidencial.

Os resultados beneficiaram tanto o Iraque quanto os EUA. E o resultado no Iraque é um presente marcante para o futuro presidente, que agora só tem que sustentar o sucesso, ao invés de tentar lidar com as consequências, na região e em todo o mundo, de uma retirada humilhante e uma derrota devastadora.

O custo da guerra no Iraque, e no Afeganistão, foi grande. Na tarde de quarta-feira da semana passada, no meio de todas as outras atividades de uma administração em sua última semana, Bush recebeu mais ou menos 40 famílias de soldados mortos, na Casa Branca. A equipe havia marcado a duração do encontro para até duas horas. Bush, um homem que normalmente cumpre sua agenda, passou mais de quatro horas recebendo pequenos grupos com membros da família daqueles que morreram em combate.

Na semana passada, Barack Obama acrescentou ao seu itinerário uma vista ao Cemitério Arlington National. Obama sabe que ele, também, será um presidente de guerra. Ele sabe que as decisões que fizer, principalmente, como líder serão na maioria das vezes significantes. E então, neste domingo de manhã, 18, antes de ir para a igreja, ele colocou uma coroa de flores no Tombo f Unknown (Tumba do desconhecido) e ficou em silêncio enquanto ouvia alguns barulhos. A sombra melancólica deu um leve contraste a todo algazarra e conversa dos últimos dias. O tributo de silêncio de Obama capturou uma verdade mais profunda e ¿ eu ouso dizer ¿ uma esperança mais fundamental, do que qualquer discurso.


Por WILLIAM KRISTOL

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