Comentário: Não demorou muito para a história se repetir

WASHINGTON ¿ Em 11 de setembro, o presidente Bush aprendeu sobre desastre enquanto lia ¿The Pet Goat¿ (A história do bode, em tradução livre) para crianças do ensino fundamental. Nesta terça-feira, o presidente Obama escapou de um desastre ao ler ¿The Moon Over Star¿ (Lua sobre estrelas, em tradução livre) para crianças também do ensino fundamental.

The New York Times |

Estamos cansados de ficar na Casa Branca, disse o presidente com duas semanas de posse, com sua esposa Michelle ao lado, explicando para os estudantes da escola, que se localiza no centro da cidade.

Enquanto contava a elas que seus super-heróis favoritos eram Batman e o Homem-Aranha, seu próprio sonho de ser um super-herói que aparece para salvar os Estados Unidos... SPLAT!

Não é tão fácil assim.

Diferente de Bush e Dick Cheney, que heroicamente resistiram em reconhecer seus erros historicamente estúpidos, Obama intimou que uma fila formada por Anderson, Katie, Brian, Chris e Charlie (jornalistas norte-americanos) fossem ao Salão Oval para cumprir seu castigo, repetidamente.

Eu errei. Eu falhei. Confessou a Kate Couric (jornalista da NBC).

Ele disse aos âncoras de televisão que o homem que o ajudou a se tornar presidente, Tom Daschle, cometeu um erro grave ao não pagar os impostos do carro e do motorista (deve ter sido um sinal de maldição quando Daschle começou a ostentar aqueles óculos redondos e vermelhos, determinados a parecerem modernos).

Obama admitiu que no final das contas, é muito importante que essa administração dê a mensagem de que não há dois tipos de regras. Vocês sabem, uma para pessoas influentes e outra para o pessoal comum que tem que pagar seus impostos.

Foi necessária a renúncia de Daschle para tirar o presidente da atitude arrogante de que seu círculo encantado não tem que agir de acordo com os padrões de orgulho ensinados para o resto de nós por dois anos.

Depois que ele se retratou de suas mãos forçadas por uma cascata de nomeações de pessoas que se esqueceram de pagar os impostos, sua justificativa foi se arrastar no chão, perigosamente, bem perto daqueles líderes que saíram do poder denunciados por ele, em seu discurso de posse: essa mentalidade elitista de que sabemos melhor, sabemos que estamos fazendo a coisa certa para o país, por isso podemos quebrar as regras.

Os erros de Obama na confusão do pacote de estímulo financeiro também foram induzidos por ele mesmo. Ele deveria abaixar aqueles livros de Abraham Lincoln e alugar Presidente por um dia na locadora.

Quando Kevin Kline (personagem do filme) acidentalmente se torna presidente, ele chama seu contador pessoal, Murray Blum, até a Casa Branca para fazer um corte de milhões no orçamento federal, gastos em programas bobos, parece ele pudesse dar dinheiro aos pobres.

Quem faz esses registros? diz Blum com nojo, marcando em vermelho uma campanha publicitária para incentivar a confiança dos consumidores em carros que eles já compraram. Se eu administrasse meu escritório desse jeito, eu já estaria fora dos negócios.

Obama deveria ter levado uma caneta vermelha para a conta do pacote de US$ 819 bilhões e cortado todos os fornecimentos que parecessem caricaturas dos gastos inebriantes de vendedores democratas.

Como disse o senador republicano Kit Bond: havia tantos alvos bons que ele se sentiu como um mosquito em uma colônia nudista. Ele ficou especialmente preocupado com o suprimento necessário de ferro e aço para a construção da infraestrutura com mão-de-obra norte-americana, e quando o presidente já purificado estava falando com Chris Wallace no programa Fox Tuesday, ele concordou que não podemos mandar uma mensagem protecionista.

Obama declarou a Brian Williams que os programas chamados de esbanjadores pelos republicanos faziam parte de menos de um 1% de todo o pacote. Nenhuma razão melhor para cortá-los e criar uma conta limpa e magra voltada para a produção de empregos.

O presidente democrata tem gastado tanto tempo tentando ¿ e fracassando ¿ em ganhar dos republicanos que ele não deve ter percebido a desencanto em sua própria posição.

Traído por seus banqueiros e líderes, os norte-americanos estavam desesperados para confiar em alguém quando tornaram Barack Obama presidente. Sua estreia os deixou céticos quanto ao desejo do presidente em puxar o saco daqueles que desprezariam seus altos padrões ou o desperdício de dinheiro.

As empresas que receberam o pacote de resgate continuam a insultar as pessoas que pagam impostos.

Antes de ser revelado nesta terça-feira, 3, Wells Fargo, que recebeu US$ 25 bilhões dos fundos federais, estava alegremente planejando uma série de excursões de reconhecimento para os empregados para hotéis luxuosos em Las Vegas, neste mês.

Como a emissora ABC informou, o Bank of America recebeu seus US$ 45 bilhões dos fundos de resgate e patrocinou um carnaval de cinco dias fora do estádio do Super Bowl. A Morgan Stanley recebeu US$ 10 bilhões e fez uma conferência de três dias no Breaker Hotel & Resort, em Palm Beach (a Morgan Stanley também já tinha planejado mandar funcionários de cargos superiores para Monte Carlos e para Bahamas, eventos que foram cancelados).

O The New York Post revelou que Sandy Weill, ex-chefe-executivo do Citigroup, usou um jato da empresa para viajar com sua família no feriado de Natal, para um luxuoso resort em San Jose Del Cabo, com diárias de US$ 10 mil. Não importa que a empresa tenha acabado de receber US$ 50 bilhões do pacote de resgate e demitido 53 mil funcionários em todo o mundo.

O interior do jatinho de 18 lugares, de acordo com o mesmo jornal, é luxuoso, com um bar completo, uma ótima seleção de vinhos, carpetes de US$ 13 mil, copos de cristal Baccarat, utensílios de mesa de prata legítima da marca Cristofle e ¿ particularmente, meu favorito ¿ travesseiros feitos com cachecóis da marca Hermes.

Vamos às barricadas!


Por MAUREEN DOWD

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