Comentário: Na era dos piratas

Ultimamente, eu venho pensando em começar uma nova escola de serviço estrangeiro para treinar diplomatas. No entanto, minha escola seria muito simples. Consistiria em apenas uma sala com uma mesa e uma cadeira. A mesa seria usada por um professor, fingindo ser um líder estrangeiro.

The New York Times |

O estudante chegaria e tentaria persuadi-lo a fazer algo ¿ pegar este ou aquele objeto. Em certo momento, o líder estrangeiro balançar vigorosamente a cabeça concordando e então alcançando o objeto atrás de si. Ou, ele iria balançar a cabeça vigorosamente e dizer, Sim, sim, claro, eu farei isso, mas então iria apenas fingir que o fez. O aluno teria então que descobrir o que fazer a seguir. 

Fico imaginando se o presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton não são esses alunos, tentando lidar com líderes do Paquistão, Afeganistão, Irã e Coreia do Norte. Eu digo isso, não para criticar, mas para apresentar condolências. Mães, não deixem seus filhos crescerem para serem diplomatas.

Essa não é a melhor época da diplomacia. 

Uma secretária de Estado pode intermediar acordos apenas quando outros Estados ou partidos estão prontos ou dispostos a cumpri-los. Na Guerra Fria, uma era de grandes potências, grandes barganhas e clientes do Estado razoavelmente concretos.

Havia oportunidades amplas para isso ¿ seja no controle de armas da União Soviética ou um tratato de paz entre os respectivos Estados do mundo. Mas esta é progressivamente uma era de piratas, Estados falidos, agentes não estatais e nações em desenvolvimento ¿ cheia de franco atiradores, confusões e generais, mas não diplomatas. 

Hence teve um outro deja vu sobre a qualidade da política externa dos EUA neste momento ¿ isso quando se trata dos nossos maiores problemas (Afeganistão, Paquistão, Coreia do Norte e Irã). Nós apenas damos voltas e voltas, comprando os mesmos carpetes, das mesmas pessoas, de novo e de novo, mas nada muda.

Estamos lidando com Estados e líderes que, ou não podem não podem dar o braço a torcer ou não querem, apontou professor de política externa da Universidade Johns Hopkins, Michael Mandelbaum. As questões que temos com eles parece menos um problema que pode ser resolvido do que condições com as quais temos que lidar.

Aqueles que não podem se entregar ¿ líderes do Afeganistão e Paquistão ¿ são quem promete fazer todos os tipos de coisas boas, resolver todos os problemas, mas no fim os problemas não são resolvidos, porque os governos nesses países têm poder limitado. Aqueles que não querem se entregar ¿ Irã e Coreia do Norte ¿ vez ou outra nos diz: Sim, precisamos dialogar. Mas no final, suas relações hostis com os Estados Unidos ou com o ocidente são tão importantes para a sobrevivência estratégica de seus regimes, tão essenciais para o discurso que os mantém no poder, que não há interesse real em uma reconciliação, mas sim em fingir uma possibilidade.

A única coisa que poderia mudar isso seria uma grande ação dos Estados Unidos e de seus aliados. No caso do Afeganistão e do Paquistão, o poder poderia ser usado para reconstruir de fato esses Estados. Iríamos, literalmente, ter que construir instituições ¿ os freios e as rodas ¿ para que quando os líderes desses países tomassem uma posição, algo realmente fosse feito, e então o problema não iria explodir nas mãos deles.

No caso dos Estados fortes ¿ Irã e Coreia do Norte ¿ teríamos que gerar uma ação muito mais efetiva do lado externo para mudar seus comportamentos de acordo com as linhas que buscamos. Contudo, em ambos os casos, o sucesso com certeza necessitaria investimentos mais longos e maiores de poder e dinheiro, sem levar em conta os aliados.

Ao invés disso, eu temo que estamos adotando uma estratégia de meio campo ¿ fazendo apenas o suficiente para evitar um colapso, mas não o bastante para resolver os problemas. Se nosso objetivo no Afeganistão e no Paquistão é a construção de nações, então eles terão que ter um governo moderado auto-sustentável.

Com certeza não temos tropas e recursos próprios suficientes para devotar a eles. Se nosso objetivo é mudar o comportamento do regime do Irã e da Coreia do Norte, obviamente não geramos medidas externas suficientes. O lançamento de míssil desafiante da Coreia e a continuação do programa nuclear iraniano demonstra isso.

Em suma, temos quarto países problemáticos no centro da política externa norte-americana atual. Problemas os quais não temos o poder ou a capacidade de ignorar, mas parece prejudicar a mudança decisiva dos aliados ou das medidas. A carta principal do jogo ¿ uma massa crescente de pessoas críticas que dividam aspirações dentro desses países, que buscam lutar, o que tem causado melhoras para o Iraque ¿ eu não vejo.

Também temo que estejamos nos comprometendo com o Afeganistão e o Paquistão sem um verdadeiro debate nacional sobre os fins ou meios ou sentidos. Essa é a receita para ter problemas.

Com todos esses fatores, não se pode culpar Obama por procurar um meio-campo ¿ sem querer abandonar os progressistas e mulheres afegãos, mas sem ir muito a fundo no problema. Mas a história ensina que o meio-campo pode ser um lugar arriscado. Pense na relação dos Estados Unidos com o  Iraque antes da insurgência ¿ sem o suficiente para ganhar ou perder, mas o bastante para ficar preso no problema.


Por THOMAS L. FRIEDMAN


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