Comentário: Esta velha casa

Por DAVID BROOKS As décadas de 1980 e 1990 foram épocas de grandes difusões. Quarenta e três milhões de pessoas se mudavam a cada ano, e basicamente elas se mudavam para fora dos centros urbanos ¿ de subúrbios próximos a subúrbios afastados nos limites da região metropolitana. Por exemplo, a população metropolitana de Pittsburgh caiu 8% naqueles anos, mas o desenvolvimento da área ocupada de Pittsburgh se esparramou 43%.

The New York Times |

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Se você perguntasse para as pessoas daquela era de mudança o que elas queriam ter próximo de suas casas, elas geralmente diriam um curso de golfe. Mas a cultura mudou. Se você fizer a mesma pergunta hoje, elas provavelmente dirão que querem cafés, pistas de corrida e centros comunitários.

As pessoas erraram o alvo. Elas se mudaram para os subúrbios mais afastados da região metropolitana porque queriam mais espaço e nada mais. Mas, uma vez lá, elas descobriram que sentiam falta da convivência em comunidade e dos vínculos sociais. Assim, nos últimos anos surgiu uma nova tendência. Estão surgindo pontos de encontro nos subúrbios americanos.

Existem restaurantes e áreas de entretenimento, centros de compras, distritos teatrais, mercado de produtos agrícolas e casas de espetáculo. Além disso, áreas centrais de regiões como Charlotte e Dallas estão voltando à vida na medida em que muitas pessoas estão de volta às cidades em busca de contato humano. Joel Kotkin, autor de A Nova Geografia, chama esse fenômeno de Novo Provincianismo.

Barack Obama disse que poderia começar a infra-estrutura que irá impedir o crescimento do programa de auto-estradas de Dwight Eisenhower. Se, de fato teremos um investimento em infra-estrutura que só se vê duas vezes por século, seria maravilhoso se as construções fossem feitas nos padrões atuais. Seria maravilhoso se os gastos de Obama, ao invés de se dissolverem na construção, pudessem de fato encorajar o agrupamento e deixar um legado que pudesse ser visível e adorado nos próximos 50 anos. 

Para tirar proveito do crescente desejo da comunidade, o plano de Obama poderia ter duas coisas. Primeiro, poderia criar novos padrões de transporte. O velho design do metrô foi baseado no sistema centralizador de transportes ¿ uma série de linhas que convergem para um centro urbano. Mas em uma época de múltiplos centros e rotas complicadas de viagem, é melhor ter uma rede mais complexa de estradas e sistemas de trens.  

Em segundo lugar, o plano de estímulo de Obama poderá ajudar na criação de praças nos subúrbios das cidades. Muitas comunidades estão tentando construir pontos de foco. O estímulo poderia construir escolas, jardins de infância, centros de serviços nacionais e outros programas ao redor.

Esse tipo de estímulo poderia ser consistente para a campanha de Obama, focada em trazer novos rumos para os EUA. Esse projeto poderia ajudar a manter o capital social que está prestes a ser dizimando.

Mas ainda não existem evidências de que o plano de Obama para a infra-estrutura esteja atrelado a essa larga visão social. De fato, existe um perigo real de que o plano possa atrasar a inovação e entrincheirar o passado. 

O primeiro passo de um plano de estímulo é recolher dinheiro rápido. Isso significa que você evita qualquer coisa que requer planejamento, criatividade e implementação cuidadosa. A coisa mais rápida a se fazer é simplesmente jogar dinheiro nas coisas que já existem.

Seguramente, o plano de estímulo de Obama, pelo menos levando em consideração o que já foi mostrado até agora, é notável pela sua falta de criatividade. Obama quer colocar mais computadores nas salas de aula, uma ideia antiga do duvidoso mérito educacional. Ele também propôs uma série de ideias que são boas, mas não exatamente transformadoras: polir a já existente rede de energia; arrumar as velhas estradas e pontes; reformar as escolas; e renovar os prédios governamentais que já existem e fazê-los mais eficientes na questão energética.

Essa é a visão federal do Esta Velha Casa. E isso acontece antes do dinheiro do estímulo ser desviado, e ele inevitavelmente será, para refrescar velhas companhias. O pacote para as montadoras poderá eventualmente engolir US$125 bilhões. Depois disso poderão ser as companhias aéreas, e assim por diante.

Isso acontece antes também porque a escassez de recursos está prestes a seguir a fartura. Porque nós vamos gastar US$ 1 trilhão agora em estruturas já existentes e indústrias moribundas, teremos pouco ou nada em 2010 e 2011 para inovações no sistema de transporte, nos programas sociais e outras coisas.

Antes da recessão chegar, nós estamos aproveitando o período de inovação urbana e suburbana. Nós poderíamos estar próximos da revolução nos transportes. Parece que os planos de Obama para a infra-estrutura deverá congelar, e não impulsionar, essa revolução.

O ponto mais importante é: as mudanças sociais têm um ritmo natural. A temporada da prosperidade dá lugar a temporada de escassez econômica, apesar do inverno de recessão, um novo crescimento está para surgir. Um pacote de estímulo deverá ser necessário, mas a menos que seja desenvolvido com cuidado, seu principal efeito poderá ser sustentar as cascas secas do outono.

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