Comentário: Ele realmente está saindo da presidência

Nesta quinta-feira, 15, o presidente George W. Bush diz adeus ao povo americano. A excitação é enorme. O homem vem dizendo adeus há tanto tempo, que se parece com aquelas bandas de rock reconstituídas que estão em uma turnê de adeus desde 1982. Saímos de diversas entrevistas com grandes quantidades de carros e uma coletiva de imprensa final nesta segunda-feira, 12, na qual ele relembrou sobre sua chegada no cargo nacional em 2000. ¿É como se fosse ontem¿, disse ele.

The New York Times |

Eu acho que falo por toda a nação quando digo que a forma como essa transição se esticou, mesmo o dia de ontem não parece ser ontem. E a última vez que George W. Bush não teve nada a ver com nossas vidas parece ter sido em 1066.

Até agora, as aparições de despedida de Bush não atraíram muitas críticas empolgadas (talvez, o mais impressionante, tenha sido a crítica de Ted Anthony da Associated Press, no final da coletiva: Tudo pareceu estranhamente íntimo e um pouco desconfortável, da mesma forma que ver um encanador usando um jeans tão baixo).

As pesquisas da Gallup mostraram que a aprovação do presidente aumentou levemente desde que começaram, mas isso provavelmente foi por causa do entusiasmo pelo fato de ele estar saindo do cargo.

Algumas vezes, vocês me mal-subestimaram, disse Bush à imprensa de Washington. Essa não é a primeira vez que o presidente se preocupou com sua má-subestimação, então é justo considerar essa palavra como algo que o presidente dos Estados Unidos pensa que existe.

A retórica é uma parte da administração da qual nós com certeza vamos sentir falta. Estamos perto de entrar em um mundo no qual o chefe de Estado fala em sentenças completas, e eu não sei o que faremos para nos divertir nos dias chatos.

A Casa Branca prometeu que eu seu último discurso, o presidente se reuniria com um pequeno grupo dos heróis cotidianos dos EUA, o que significa que a única pessoa no palco com um histórico de falhas em desempenhar um bom trabalho em momentos de tensão será o orador principal.

Bush irá devotar parte de seu tempo para defender seus feitos, embora já tenha feito um pouco disso. Nas últimas semanas, aprendemos que ele pensa que a resposta ao furacão Katrina funcionou muito bem, exceto pelo fator infeliz de os jornalistas gastarem tanto tempo com fotografando imagens do acontecimento, e que ele considera o fato de os EUA ter invadido outra nação sob o fundamento de informações falsas uma decepção.

Desde que também se referiu às decepções em seu período de posse na Casa Branca como pouco irritante, talvez seja melhor pensar em um desastre de armas de destruição em massa como uma espinha para a administração ou um complexo em potencial.

Se há algum suspense quanto ao discurso, ele é sobre quantas vezes Bush usará a palavra liberdade, que apareceu 27 vezes em seu, relativamente breve, discurso inaugural. O homem, que nos ofereceu a Operação pela Liberdade no Iraque, a Agenda da Liberdade, e Divisão de Liberdade dos EUA e a Nova Comissão de Liberdade do presidente sobre Saúde Mental, humilhou profundamente um dos mais conceitos mais fortes no nosso vocabulário nacional que se tornou difícil ouvi-lo sem lembrar-se das palavras de Janis Joplin sobre como a liberdade é apenas mais uma palavra que não tem nada a perder.

Há muitas maneiras de abordar esse negócio de discurso de despedida. Ronald Reagan começou obtendo a familiaridade, então passou para uma advertência contra o grande governo e um pedido para elevar a nova geração de patriotas que sabe quem Jimmy Doolittle era.

Já o discurso de Bill Clinton soou muito como uma oferta para um terceiro mandato (35 milhões de norte-americanos usaram a lei de família...). Por outro lado, qualquer um ouvindo isso agora com certeza começar a chorar quando Clinton chegou à parte em que dizia como ele estava deixando o país em um caminho sem dívidas até o fim de 2009.

A história não lembra o melhor desempenho de Bush em julgamentos como esse, no qual ele tem uma liderança de longa data e, na prática, nenhum papel verdadeiro em preparar as palavras que ele irá dizer. Mas ainda assim, o que ele poderia dizer ao país que mudaria a opinião de alguém sobre os últimos oito anos?

Meus amigos americanos, antes de deixá-los na próxima semana eu quero que saibam que...

a) Embora as coisas tenham acontecido de forma errada, eu me sinto satisfeito em perceber que Dick Cheney estava realmente no controle das ações. Honestamente, eu não conheci nem metade das pessoas do gabinete.

b) Eu e Laura percebemos que com tudo que foi levado em consideração, a partida para uma mansão no Texas é totalmente inadequada. Por isso estamos partindo para começar uma nova vida como missionários em uma pequena estação de resgate no deserto Gobi...

c) Surpresa!Tudo isso foi apenas um pesadelo. Na verdade, ainda é novembro de 2000 e amanhã Al Gore será eleito presidente.


Por GAIL COLLINS

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