Comentário: a reforma do sistema de saúde

Ver Barack Obama tentar convencer os integrantes do Congresso a concordarem com o projeto para o sistema de saúde mostra por que Hillary Clinton decidiu apenas escrever tudo ela mesma e entregar a eles uma cópia.

The New York Times |


Outro dia, o presidente passou uma hora na Câmara de Energia e no Comitê do Comércio reunido com sete democratas da coalizão Blue Dog, que são financeiramente conservaodes e não ficaram felizes com a direção de suas leis. Então, ele os direcionou para todos os integrantes do sistema de saúde da Casa Branca, que se sentaram com os Dogs e negociaram um plano para criar uma comissão independente que preparasse as taxas da Medicare.

A comissão de detenção de gastos parece agora ser a parte central dos objetivos da administração em relação ao sistema de saúde. Eu sou uma pessoa positiva, então gosto de acreditar que isso não tenha sido um completo desespero, mas sim uma pequena mudança em um plano incrivelmente sutil para o Congresso achar que está no controle.

Enquanto isso, no Senado, todos esperam por Max Baucus de Montana. Nada acontecerá no sistema de saúde sem sua aprovação. A vasta autoridade de Baucus deriva do fato de que ele fala tanto pelo Comitê Financeiro do Senado como também por um Estado que possui três décimos de 1% da população do país.

Baucus quer um projeto que tenha apelo bipartidário. Os republicanos que estão ávidos para trabalhar com ele nesse assunto incluem o líder minoritário do Comitê Financeiro e todos os senadores de Maine. O resto parece mais próximo do senador Jim DeMint, da Carolina do Sul, que recentemente pediu a seus colegas integrantes do partido para pisarem no chão e criarem uma guerra de Waterloo com o presidente. Isso acabaria com ele, acrescentou DeMint, de forma apelativa.

DeMint é uma voz cada vez mais influente no Partido Republicano, e agora ele é considerado um possível candidato à presidência pelos republicanos, em 2012. Em parte, isso se deve por causa de seu novo livro, Saving Freedom: we Can Stop Americas Slide Into Socialism (Salvando a Liberdade: podemos impedir os EUA de se tornar socialista, em tradução livre), e em parte porque quase todos os outros potenciais candidatos republicanos foram colocados de lado por causa de grandes escândalos sexuais. Atualmente, DeMint não parece estar envolvido em um escândalo sexual, apesar de que se alguma vez se envolver em um, prometo lembrar a vocês que em sua última campanha ele disse que homossexuais assumidos e mulheres grávidas solteiras não deveriam ter permissão para ensinar em escolas públicas.

Mas não divaguemos. O ponto aqui é que nem a chuva, nem a neve, nem Jim DeMint impedirão Obama de aprovar a reforma no sistema de saúde. Nem mesmo se ele tiver que se encontrar com cada integrante do Congresso individualmente, dar entrevistas para todos os jornalistas de televisão do Hemisfério Norte e participar de coletivas de imprensa todos os dias até o fim do ano.

No começo desta semana, as esperanças da Casa Branca em ter sucesso aumentaram com a votação no Senado de 50 votos a favor e 40 contra para impedir o financiamento da reserva de caças F-22. Isso não significou apenas uma economia de US$ 1,75 bilhão, mas também demonstrou a sensação que a administração teve de que o Congresso realmente pode ser persuadido.

Isso foi uma vitória muito grande. Todo mundo esqueceu as repressões para dar aos senadores hesitantes um impulso para ficar de pé. O secretário da Defesa Robert Gates fez um grande discurso cheio de interseções em Chicago, dizendo à nação que se os caças F-22 ficassem no orçamento, toda a esperança de práticas de aquisições lógicas estariam perdidas para sempre.

O presidente ameaçou vetar o plano de US$ 664 bilhões de aquisições da Defesa se houvesse caças F-22 nele. O vice-presidente Joe Biden estava ao telefone falando, falando e falando. Rahm Emanuel ameaçou morder a perna das pessoas ¿ foi terrível ver aqueles votantes indecisos andando pelo corredor com o chefe de gabinete da Casa Branca mordendo seus calcanhares.

E eles ganharam! Quem disse que o Senado não consegue tomar decisões difíceis?

Claro que o caça F-22 ficou totalmente fora de moda desde o colapso do império soviético. Tivemos duas guerras sem que houvesse qualquer utilidade para ele. Já temos 187 deles parados, disponíveis para caso a União Soviética se reconstitua amanhã e mande seus pilotos para o nosso espaço aéreo para uma batalha aérea clandestina.

Os dois últimos presidentes, os dois últimos chefes de gabinete e, aparentemente, todos os secretários da Defesa desde John C. Calhoun menosprezaram o caça F-22, chamando-o de um grande desperdício de dinheiro. E, claro, o Pentágono já possui outro avião de guerra, o F-35 Lightning (relâmpago), que deve gastar milhões de dólares, apesar de seu apelido não ser tão legal quanto o do caça.

Ainda assim. Hoje, uma economia de US$ 1,75 bilhão. Amanhã, o mundo.

Enquanto isso, o líder dos rebeldes da Câmara, Blue Dogs, chamou a grande vitória de contenção de gastos de um pequeno progresso e apontou que ele e seus seis colegas do Blue Dogs tinham mais nove grandes problemas para discutir com a Casa Branca.


Por GAIL COLLINS


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