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Comentário: A Secretaria da Alimentação de Obama?

Por NICHOLAS D. KRISTOF Na medida em que Barack Obama pondera quem será o novo secretário da Agricultura, ele deveria rever a questão. O que ele precisa agora é de uma reforma profunda na posição renomeada de ¿secretário da Alimentação.¿

The New York Times |

Acordo Ortográfico

O Departamento da Agricultura fazia sentido há 100 anos quando 35% dos americanos estavam envolvidos na agricultura. Mas hoje, menos de 2% da população vive em fazendas. Em oposição, 100% dos americanos comem.

Dar outro nome ao Departamento seria um sinal de Obama deseja transformar a estrutura falida da agricultura que gasta muita energia, provoca mudanças climáticas e faz com que os americanos sejam menos saudáveis ¿ e tudo isso custa bilhões de dólares aos cidadãos que pagam impostos.

Nós estamos subsidiando as calorias menos saudáveis dos supermercados ¿ xarope de milho com alto teor de frutose e óleo de soja hidrogenado - e estamos fazendo muito pouco para que os agricultores produzam comida de verdade, disse Michael Pollan, autor de livros como In Defense of Food (Em Defesa da Comida, em tradução literal.)  

Tradicionalmente, o Departamento de Agricultura ¿ e os comitês de agricultura do Congresso ¿ tem sido entregue aos interesses das fazendas industriais, tanto pelos democratas como pelos republicanos. O lobby da agricultura usa essa posição para impor comidas não saudáveis aos programas de alimentação das escolas americanas, exacerbando nossa crise nacional de diabetes e obesidade. 

Mas sejamos francos. O problema não é dos agricultores. É do lobby da agricultura ¿ dominado pelos operadores industriais ¿ e da tradição bipartidária de prostrar-se diante da situação.

Eu cresci em uma fazenda de Yamhill, Oregon, onde minha família cultivava cerejas, lenha, carneiros e, de vez em quando, poucos gados, porcos e gansos. Um das minhas preocupações é que meus filhos não estão tendo a oportunidade de crescer em uma fazenda também.

Ainda que o Departamento da Agricultura não apóie cidades rurais como Yamhill, ele apóia operações industriais que tem sustentado o lobby. O resultado é que fazendas familiares precisam se vender para empresas maiores, destruindo cidades pequenas.

Um exemplo do absurdo do sistema: todo ano você, cidadão americano que paga imposto, envia um cheque de US$588 para que eu não cultive nada na região arbórea mantida para fins industriais da qual eu sou dono em Oregon (eu repasso esse dinheiro para caridade). Isso mesmo. O Departamento de Agricultura paga a um jornalista de Nova York para que ele não plante em uma floresta de Oregon. 

As criações modernas com animais em confinamento são menos fazendas do que linhas de montagem de carne. Elas são eficientes em alguns aspectos, mas usam grandes quantidades de grão assim como antibióticos de baixa dosagem para reduzir infecções ¿ como resultado, os seres humanos estão ameaçados de criarem resistência aos antibióticos.

Uma fazenda industrial com 5 mil cabeças de gado produz tanto lixo quanto uma cidade de 20 mil pessoas. Mas enquanto a cidade é obrigada a ter sistema de esgoto, a fazenda industrial não é.

Elas parecem rentáveis porque estamos pagando pelo lixo delas, pontua Robert P. Martin, diretor da Pew Commission on Industrial Farm Animal Production. E ainda há os custos da resistência aos antibióticos para a economia como um todo.

Um estudo sugere que as grandes operações recebem, de fato, US$24 de subsídio por cada gado criado. Enfrentamos uma crise de obesidade e recursos, e estamos subsidiando bacon?

A necessidade de mudança está óbvia na saúde, no clima e mesmo nas questões humanitárias. Os eleitores da Califórnia aprovaram em um referendo no mês passado uma resolução obrigando as fazendas industriais a destinarem espaço para aves e rebanhos. A sociedade está cada vez mais preocupada não só com os pequenos garotos que abusam de gatos, mas também com magnatas cujos negócios estão abusando de animais.  

Uma petição online pede uma reforma na secretaria da Agricultura. Em diversas ocasiões da campanha, Obama fez comentários mostrando um profundo conhecimento das questões da agricultura, mas os nomes atrelados à indústria alimentícia que estão cotadas para a secretaria da Agricultura representam mais problemas que soluções.

Mudança, nós podemos acreditar nela?

O mais poderoso sinal que Obama poderia enviar seria o anúncio de uma renomeação no cargo. Um ex-secretário da Agricultura, John Block, disse publicamente que a agência deveria ser renomeada para Departamento da Alimentação, Agricultura e Florestal.

E outra, Ann Veneman, disse que o nome deveria ser Departamento da Alimentação e Agricultura. Eu prefiro simplesmente Departamento da Alimentação, dando prioridade aos 300 milhões de americanos que comem.

Como Pollan me disse: Mesmo que você pense que agricultura não é alta prioridade, nós não vamos ter nenhum progresso nos outros temas de campanha de Obama ¿ saúde pública, mudanças climáticas e independência energética ¿ se a agricultura não passar por uma reforma.

É a sua vez, presidente eleito. Eu te convido a visitar meu blog e ser meu amigo no Facebook. Você pode também me ver no YouTube e me seguir no Twitter.

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