Comediantes americanos confessam dificuldades para zombar de Obama

Qual a graça de Barack Obama? Aparentemente nenhuma, pelo menos por enquanto.

The New York Times |

Na segunda-feira, a revista The New Yorker tentou se envolver numa ampla sátira a Obama publicando uma capa em que o candidato democrata e sua mulher, Michelle, são retratados no Salão Oval como terroristas de armas em punho, com a bandeira americana no fogo e um retrato de Bin Laden para concluir a mensagem. A resposta tanto dos democratas quanto dos republicanos foi explosiva.

A comédia não é mais fácil nos diversos programas noturnos da televisão americana, que dependem de líderes falhos para manter um conteúdo saudável de seus monólogos. Jay Leno, David Letterman, Conan O'Brien e outros conseguiram fazer piadas a respeito do republicano que concorre à presidência - uma variação do mesmo tema: John McCain é velho.

Mas há pouco humor a respeito de Obama: sua idade, sua eloquência, sua inteligência, sua família, seu porte físico. Num panorama de programas noturnos dominado por apresentadores brancos, escritores brancos e audiências brancas, não houve piada alguma sobre sua raça.

"Nós fazemos piadas sobre as pessoas que o cercam, não sobre ele", disse Mike Sweeney, o principal escritor de O'Brien em "Late Night".


Capa da revista The New Yorker; casal Obama terrorista / Divulgação

As piadas virão, afirmam os representantes de todos os programas noturnos, assim que ele disser algo que o defina - em termos de comédia. Mas até agora, nenhuma frase de efeito foi proferida.

Por quê? A razão dada por muitos dos envolvidos nos programas é que falta algo essencial em Obama: não existe nada "contra" ele. Nada fácil de virar piada, ou motivo de chacota, como as acusações sobre a postura de Bill Clinton em relação às mulheres, os constantes erros do presidente Bush ou a persona robótica de Al Gore.

"Ele não é um bufão de forma alguma", disse Mike Barry, que começou a escrever piadas políticas para os monólogos de Johnny Carson na gestão Johnson e zombou de todos os candidatos à presidência desde então. "Ele simplesmente não é uma figura cômica", disse Barry.

Piadas foram feitas a respeito do que Hillary Clinton realmente pensava de Obama durante as primárias e sobre os comentários vulgares que o reverendo Jesse Jackson fez a respeito dele. Mas qualquer coisa similar a uma piada sobre o próprio Obama simplesmente não funciona.

Quando Jon Stewart no "Daily Show" do Comedy Central tentou recentemente fazer uma piada a respeito da mudança de posição de Obama em relação ao financiamento de campanha, por exemplo, ele se deparou com uma resistência do público tão óbvia que sentiu que "não se tem permissão para rir dele".

Stewart disse na segunda-feira, "as pessoas tendem a reagir de acordo com o que permite sua ideologia".


Por BILL CARTER

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