Combate ao terrorismo não é prioridade para paquistaneses, diz pesquisa

ISLAMABAD ¿ Enquanto os militares paquistaneses fazem uma campanha de expulsão dos militantes do Taleban dos três distritos ao noroeste da capital, uma pesquisa recente mostra que a vasta maioria da população não considera o terrorismo a questão mais importante do país, mas, sim, a economia.

The New York Times |

A pesquisa foi divulgada na segunda-feira pelo Instituto Republicano Internacional, um grupo sem fins lucrativos de Washington que é filiado ao Partido Republicano e promove a democracia no exterior. A análise também mostrou que 81% dos entrevistados disseram achar que o país está direcionado para o caminho errado.

A maioria culpou o presidente Asif Ali Zardari, cujo índice de aprovação foi de apenas 19%. Mas um número impressionante disse preferir uma democracia instável a uma ditadura militar.

A pesquisa foi feita em março, antes de o Taleban tomar conta dos distritos vizinhos de seu território, no vale de Swat, e antes de o governo iniciar uma campanha para mandá-los de volta. Ficam claros os desafios que o governo enfrenta enquanto tenta mobilizar os paquistaneses nessa luta, particularmente com o aumento das vítimas civis na campanha contra o Taleban.

Os paquistaneses foram muito relutantes em enfrentar o Taleban, companheiros dos muçulmanos e paquistaneses. A pesquisa, por exemplo, revela um apoio firme ao acordo de paz com o Taleban, feito em fevereiro em Swat. Já 8% disseram que apoiam o pacto, e 74% dizem achar que o acordo traria paz à região.

Mas esse acordo já foi por água abaixo. E tanto o Taleban quanto o governo culpam um ao outro pelo seu colapso.

Rehman Malik, ministro do Interior do Paquistão, disse que 700 militantes foram mortos nos últimos quatro dias de conflito intenso ¿ um número muito mais alto que os 140 ou mais reportados pelos militares ¿ juntamente com 22 soldados do governo. Ao mesmo tempo em que é claro o tamanho do combate, nenhuma das afirmações sobre o número de mortes pode ser checada porque as agências de assistência e os jornalistas foram impedidos de entrar nas áreas de conflito.

Nos últimos 12 dias, a secretaria da Alta Comissão para Refugiados das Nações Unidas registrou mais de 360 mil civis deslocados por causa do combate, de acordo com o conselho, cuja base é em Genebra.

O cálculo mostrou mais de 900 mil pessoas registradas como sem moradia devido às sucessivas ondas de lutas no Paquistão desde agosto, disse William Spindler, porta-voz da secretaria de refugiados, por telefone.

Malik prometeu que a ofensiva militar continuaria até que os militantes fossem combatidos. A operação continuará até o último Taleban, disse, usando a forma singular de Taleban em inglês, Talib.

O Paquistão começou a ofensiva sob a forte pressão dos Estados Unidos em reverter os avanços do Taleban sobre a capital, após os militantes entrarem em Buner e Dir, distritos unidos à Swat.

A pesquisa mostrou um quadro mesclado quanto ao governo e aos EUA quanto à tentativa de atrair paquistaneses para seu lado no confronto ao extremismo.

A maioria diz que as questões econômicas são o problema mais importante, enquanto apenas 10% consideram o terrorismo. Contudo, a concordância de 69% em relação a um governo liderado pelo Taleban e pela Al-Qaeda no Paquistão é um grave problema. 

Além disso, 45% disseram apoiar a luta contra extremistas das áreas tribais e da Província de North-West Frontier, um número alto para as pesquisas.

A análise de março também mostrou sinais de um crescimento no desejo dos paquistaneses em cooperar com os EUA contra o extremismo. O número de apoiadores cresceu de 9%, em janeiro de 2008, para 37%.

Enquanto 74% concordaram que o extremismo religioso é um problema sério no Paquistão, 56% disseram apoiar as exigências do Taleban em estender as leis islâmicas, ou Shariah, para outras partes do país, incluindo cidades maiores como Lahore ou Karachi.

O fator mais impressionante da pesquisa é que enquanto 81% sentem que o país está indo na direção errada, 77% dizem que queriam viver em uma estrutura democrática, disse Thomas E. Garrett, diretor de programa regional para o Oriente Médio e norte da África do Instituto Republicano Internacional. Eu acho que é um número bem espantoso.

Garrett disse, em entrevista por telefone, que não ficou surpreso com o fato de a economia ser uma preocupação maior do que o terrorismo. Ele disse que o resultado foi consistente em relação às pesquisas anteriores feitas pelo instituto. As pessoas estão mais preocupadas com assuntos econômicos, disse.

A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 30 de março, com 3.500 homens e mulheres adultos em todo o Paquistão. A margem de erro é de cerca de 2%.

A baixa aprovação de Zardari foi consistente com pesquisas já feitas pelo instituto. Ao serem questionadas sobre qual líder lidaria melhor com os problemas do Paquistão, 55% das pessoas apontaram Nawaz Sharif, líder da oposição que foi primeiro-ministro duas vezes, enquanto apenas 9% responderam Zardari.

Nesta segunda-feira, Sharif estava no distrito de Mardan visitando campos de ajuda para aqueles que fugiram do conflito. Ele disse que as pessoas responsáveis pelo deslocamento dos residentes não merecem complacência.

Ele está endossando a operação militar, disse o analista político Arif Rafiq sobre Sharif. É vago ¿ isso dá a ele um caminho tortuoso. Não expressa apoio às operações militares, mas é o máximo de aprovação tácita que você pode conseguir.


Por SALMAN MASOOD


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