Comandante dos Tigres Tâmeis era uma figura ritualística

BANGCOC ¿ Por um quarto de século, Vellupillai Prabhakaran liderou uma insurgência brutal e comprometida, que aterrorizou o Sri Lanka com massacres, bombardeios suicidas e assassinatos.

The New York Times |

Reuters

Soldados cingaleses comemoram morte de líder dos Tigres

O fundador dos Tigres da Libertação da Pátria Tâmil, Prabhakaran, 54, teria sido morto nesta segunda-feira em uma ofensiva militar do governo, que destruiu os restos de um exército construído pelo líder, que chegou a contar com 10 mil combatentes.

Muitos analistas previram que o movimento, com sua milícia destruída e seu território tomado, se reconstituiria usando as táticas que o construíram: luta de guerrilhas e bombardeios terroristas.

Mas Prabhakaran era tanto uma figura ritualística para os separatistas do Tâmil quanto um comandante, e não ficou claro o que aconteceria com a insurgência sem ele.

Embora os tâmeis sejam em sua maioria hindus e apesar de, às vezes, empregar terminologias marxistas, o movimento de Prabhakaran não era majoritariamente religioso ou ideológico. Ele focaliza a criação de uma terra Tâmil na área conhecida como Eelam, no norte oriental do Sri Lanka.

Por anos, ele comandou o que se tornou uma sombra do Estado com sua própria bandeira, política e sistema judicial. Ele construiu um exército fanático, incluindo muitos recrutas que eram crianças, e ordenou-lhes que se abstivessem de sexo e cortassem relações pessoais.

Os tâmeis do Sri Lanka, que formam 12% da população, majoritariamente budista e cingalesa, foram marginalizados desde a independência do país, que era colônia britânica, em 1948.

O domínio do cingalês foi fortificado pela declaração da língua cingalesa como idioma nacional e o budismo como principal religião, e com privilégios aos cingaleses em educação e empregos no governo.

Prabhakaran foi pioneiro em táticas de bombardeios suicidas, ao criar um esquadrão chamado Tigres Negros que registrou uma grande quantidade de mortes ao longo dos anos.

Os combatentes atacavam figuras do governo e tâmeis moderados, além de reivindicar uma longa lista de vítimas de renome, incluindo o primeiro-ministro da Índia, Rajiv Ghandi, em 1991, e o presidente do Sri Lanka, Ranasinghe Premadasa, em 1993.

Gandhi aparentemente foi escolhido para o assassinato por vingança pela intervenção militar da Índia contra os Tigres, no Sri Lanka, no final dos anos 80. A Índia retirou as tropas do local em maio de 1990 após 1.200 soldados serem mortos no combate contra os Tigres.

Um homem gorducho com um bigode espesso, Prabhakaran (pronuncia-se PRAH-bah-ka-ran), era um mestre do esconderijo e da fuga, tendo raramente aparecido em público.

Foi sua recusa em ceder que minou as repetidas tentativas de um acordo de paz e levou às batalhas finais que destruiu o movimento construído por ele.

Em novembro passado, ele disse em seu discurso anual que nenhuma voz sã será levantada seja para abandonar a guerra, seja para procurar a solução pacífica para o conflito.

Nascido em uma família de classe média, no centro do Tâmil em Jaffna, em 26 de novembro de 1954, ele era o caçula de quatro crianças. Prabhakaran deixou a escola e devotou sua vida à guerrilha, tornando-se clandestino em 1972.

Ele se promoveu com o assassinato do governador de Jaffna, em 1975, no qual andou com a vítima até um templo hindu e atirou nela à queima-roupa.

Ele era fascinado por tiroteios do faroeste, de acordo com seu biógrafo, o jornalista indiano M. R. Narayan Swamy. Ele caminhava com passadas vagarosas, com o revólver em sua camiseta e, de repente, virava, sacava a arma e atirava em um inimigo imaginário, disse Swamy mencionando a fala de um amigo. Ele nunca se cansou disso.

Assista à reportagem sobre o líder dos Tigres Tâmeis:


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