Com raiva e esperança, árabes se reúnem em Nova York

Egípcios, tunisianos e libaneses acompanham desdobramentos no Egito e se solidarizam com manifestantes contrários ao governo

The New York Times |

Eles vieram dos quatro cantos de Astoria, Queens: taxistas egípcios, lojistas tunisianos e médicos libaneses, buscando notícias e comiseração através da névoa espessa e perfumada da fumaça dos cachimbos de água do café El Layali Helmeya na Rua Steinway, região conhecida como Little Egypt, ou Pequeno Egito.

Mas no momento em que o presidente Hosni Mubarak apareceu na televisão do café na sexta-feira, anunciando a oferta de substituir ministros de seu governo, mas recusando-se a ceder o poder, sua reação foi contundente e unificada. "Sai! Sai! Sai! Você não tem vergonha!", gritavam eles.

Enquanto milhares de egípcios tomavam as ruas do Cairo no domingo, pelo sexto dia seguido de revolta, em Astoria, no coração da comunidade egípcia de Nova York, as pessoas reagiram com esperança tingida com uma raiva visceral de um presidente egípcio que eles disseram haver suprimido a liberdade por tempo demais e um presidente americano a quem acusavam de cumplicidade.

Em quase todos cafés, restaurantes e mercearias da região do Little Egypt, um bairro frenético que poderia muito bem estar localizado no Cairo, os espectadores estavam fixados na Al Jazeera durante o fim de semana.

Muitos estavam desesperados por não conseguir contatar suas famílias desde que Mubarak desligou a internet no país, em um esforço para silenciar seus adversários.

Otimismo

Ahmed Diaa, 29 anos, que chegou a Nova York para estudar a política do Oriente Médio, disse que iria voltar para o Cairo no domingo para se juntar aos protestos. "Pela primeira vez, sentimos que o Egito pode ter um futuro democrático, porque as pessoas estão dispostas a colocar suas vidas em risco", disse Diaa.

Apesar de toda a raiva, o sentimento avassalador em Astoria era de otimismo conforme dezenas de manifestantes – um estudante enrolado em bandeiras do Egito, um cozinheiro egípcio, uma mulher síria com bolsa Gucci – reuniam-se diante da Mesquita Al Iman na Rua Steinway, na sexta-feira, para se solidarizar com o que eles chamaram de uma revolução que varreu o mundo árabe.

Tanya Keilami, 25 anos, uma palestina que estuda antropologia na Universidade de Columbia, disse que os acontecimentos no Egito estão mexendo com os árabes no Oriente Médio e têm encorajado os palestinos em Nova York. "Este não é apenas um movimento para o Egito, mas para todo o mundo árabe", disse ela, acrescentando: "Os regimes têm medo. Nós não vimos nada assim em nossas vidas".

*Por Dan Bilefsky

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