Com poucas e lentas mudanças, rei do Marrocos se mantém no poder

Com reformas, primeiro-ministro passa a ser responsável por funções como nomear ministros, mas decisão final ainda cabe ao rei

The New York Times |

Com o ritmo da mudança democrática desacelerado sob repressão violenta no Oriente Médio e norte da África, a recente decisão do Marrocos de alterar a sua Constituição oferece o que alguns veem como uma alternativa para os confrontos sangrentos que têm marcado a Primavera Árabe.

A decisão do Marrocos - na forma de um referendo para dar mais poderes aos líderes eleitos - foi oferecida como uma resposta aos apelos insistentes por mudança democrática que varreram os países árabes desde que os tunisianos derrubaram seu ditador de longa data, em janeiro.

AP
Marroquinos assistem a discurso ao vivo do Rei Mohammed 6º em um café em Casablanca, Marrocos (17/6)
De acordo com as novas disposições, que ficaram aquém das exigências de uma monarquia constitucional real, o primeiro-ministro ainda será nomeado pelo rei Mohammed 6º, mas agora ele precisa ser escolhido no partido com a maioria parlamentar. Em uma mudança em relação ao passado, o primeiro-ministro será responsável por nomear os ministros do governo, mas o rei ainda precisa aprovar essas escolhas.

Os partidários da nova Constituição argumentam que mudar lentamente pode ser o caminho mais seguro para conquistar uma mudança sustentável, e analistas dizem que mesmo passos de bebê podem ser o suficiente para inspirar outras pessoas da região a seguirem o exemplo eventualmente.

"É uma revolução pacífica, e a principal diferença dos outros países da região é que os manifestantes nunca pediram a queda do regime", disse Mokhtar El Ghambou, que está ajudando a fundar a Universidade Internacional Rabat. "Não houve nenhum derramamento de sangue e eu acho que isso mostra que há duas opções. A primeiro é a mudança radical, a segunda é a mudança com continuidade”.

Para alguns, isso é bom. Para outros, o exemplo do Marrocos é preocupante e oferece argumento aos governantes que querem acabar com o ímpeto favorável dos manifestantes.

O rei Mohammed começou a propor mudanças significativas somente após protestos atingirem as principais cidades marroquinas nste ano. Ele propôs mudanças constitucionais que foram votadas no dia 1º de julho e perdoou dezenas de prisioneiros que a oposição disse terem sido presos por suas crenças políticas.

As mudanças constitucionais – e o fato de 98% da quantidade anormalmente grande de eleitores as terem aprovado – deixaram alguns marroquinos, especialmente da esquerda, desiludidos.

Mas, mesmo se nenhum país seguir o exemplo de Marrocos em um futuro próximo, a capacidade do rei, pelo menos até agora, de satisfazer os críticos e ainda manter o poder apresenta uma alternativa para os reformadores em busca de novas maneiras de arrancar do poder líderes que se apegaram a suas posições por muitas décadas.

*Por Nadim Audi

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