Com penetras no casamento, o gramado usou branco

Eu amo o clima estranho. Minha prateleira de livros guarda itens obrigatórios como ¿Tornados, Dias Escuros, Precipitação Anômala, e Fenômenos Climáticos Relacionados¿ (Tornadoes, Dark Days, Anomalous Precipitation, and Related Weather Phenomena), que narra coisas como flocos de neve gigantes e nuvens que assobiam como cobras. Sem falar no granizo, um de meus favoritos.

The New York Times |

Já adulto, vivendo no Leste, senti falta de granizo, o que, de um ponto de vista prático, é muito bom, dado o estrago que ele pode causar. Ainda assim, senti sua falta, até recentemente.

No feriado nacional do Memorial Day, fui a um casamento na parte rural de Minnesota. O dia da cerimônia estava quente, o ar úmido e parado. A noiva, minha irmã Carole Anne, e seu noivo, Steve, são meditadores, e durante a cerimônia ao ar livre pediram que os convidados fechassem os olhos ao som de uma harmonia.

Distantes, trovões começaram a rugir. Então, ao longe, veio o pranto de uma sirene de tempestades prevenindo o possível perigo. As pessoas mexeram-se em suas cadeiras.

O vento e a cerimônia ganharam velocidade. A maioria dos convidados chegou ao local da recepção antes de o céu tornar-se preto e o aguaceiro cair. Para piorar, a energia já havia acabado. Velas foram acesas, tornando a festa bastante alegre, mesmo com as advertências de tornados e sabendo que talvez fosse necessário procurar abrigo.

Como o meteorologista amador que sou, fui para o espaçoso gramado do Dunrovin Christian Brothers Retreat Center, na Marina de Saint Croix. Fiquei sozinho observando as nuvens carregadas. O centro fica às margens do Saint Croix, e ventos úmidos de superfície estavam soprando através do rio de leste a oeste aparentemente um fluxo raro em tais latitudes. Agora, a cena se reverteu.

Um escuro sistema frontal se aproximou pelo oeste, a linha de nuvens fazendo barulho, relâmpagos horizontais brilhando de nuvem a nuvem como algo saído de um filme de Frankenstein. Eu nunca havia visto nada como aquilo. Meteorologistas dizem que raios horizontais são comuns, mas muitas vezes ficam escondidos pelas nuvens. Um vento frio chegou. Os trovões ficaram ensurdecedores.

Carole Anne se juntou a mim no gramado. Olhamos a frente se aproximar e trocamos uma ou duas palavras íntimas. Nos abraçamos. E então, o granizo começou a cair, rápido e forte.

As pedras de granizo nascem durante o movimento ascendente de ar em temporais conforme a chuva passa por regiões mais frias, congelando e ficando maiores quando as gotas se unem. Quanto mais forte for o movimento para cima, maior fica o granizo. Quando as pedras ficam mais pesadas que a força de elevação do ar, elas caem. Os amplos espaços abertos do meio-oeste americano ajudam a formação de tempestades com granizos grandes e tornados.

Corremos para a cobertura do centro e nos juntamos aos convidados e às crianças. O granizo caiu cada vez maior, primeiro do tamanho de feijões e bolas de gude, então bolas de golfe e finalmente bolas de tênis. Os pedaços maiores de gelo quicavam bem alto, ricocheteando no gramado. O espaço verde começou a se tornar branco. Com um gemido, um grande cedro caiu, assim como outras árvores sob o forte vento.

O lago ao lado do gramado agitou-se à medida que milhares de bolas de gelo atingiam a água, cada uma com seus respingos, alguns parecendo chegar a quase um metro de altura. Eu nunca havia visto granizo como este. Sem pensar que bolas de gelo caindo do céu poderiam causar sérios ferimentos na realidade, sem pensar nem um pouco , corri para juntar algumas das maiores pedras e jogá-las para dentro do salão. Crianças seguiram meu péssimo exemplo, dando risadas, correndo para dentro e para fora da forte chuva.

Os convidados foram para o lado de fora quando a tempestade passou. Meu irmão Chuck, que é engenheiro elétrico, apanhou pedras de granizo e notou algumas das estruturas internas. Em uma, uma grande lágrima de gelo continha muitas delicadas camadas de gelo claro e turvo, similares aos anéis das árvores. Elas narravam uma longa jornada pela atmosfera superior.

Crianças atiravam bolas de gelo. Adultos miravam em árvores. Chegaram os relatórios de estragos. A esposa do diretor do centro fora surpreendida ao ar livre e havia sofrido um ferimento na cabeça que sangrou embora não o suficiente para mandá-la ao hospital.

Eu nunca vi granizo daquele tamanho, diz Jerome Meeds, o diretor e residente de Minnesota por toda a vida. Era enorme.

As maiores pedras de granizo do mundo têm aproximadamente 10 centímetros de diâmetro, ou o tamanho de uma bola de beisebol, de acordo com Um Guia de Campo para a Atmosfera. Se é assim, a chuva de granizo que experimentamos naquele domingo exibiu um dos maiores extremos gelados da natureza.

Nossos veículos ficaram com vários amassados, mas nenhum pára-brisa quebrado. Não tínhamos idéia da tragédia que havia ocorrido apenas 15 quilômetros a oeste, onde morrera um menino de 2 anos e sua irmã de 4 estava seriamente ferida.

Apenas no final, quando toda a excitação já havia passado, minha filha Julie, de 15 anos, mencionou ter visto duas nuvens afuniladas se formando sobre Saint Croix, sendo empurradas para baixo pelas nuvens escuras e se movendo um pouco antes de serem puxadas de volta para dentro da barulhenta massa cinza.

Foi muito legal, ela lembrou. Além disso, era em um casamento.

Por William J. Broad

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