Governo faz cortes no mais generoso sistema de benefícios do mundo e determina que desempregados recebam ajuda por 2 e não 4 anos

Quanto tempo é demais para se ficar desempregado? Conforme o desemprego estendido se torna cada vez mais presente em quase todos os lugares do mundo industrializado avançado, esta é a principal pergunta feita pelos governos.

Durante anos, a Dinamarca foi apresentada como um modelo para países com taxas de desemprego elevadas e como um marco progressista para os liberais dos Estados Unidos.

Os dinamarqueses, apesar de seu generoso sistema de bem-estar social, conseguiram manter o desemprego extremamente baixo.

Inger Skouby passa por treinamento ao iniciar trabaçho em escola de Lyngby, subúrbio de Copenhague
The New York Times
Inger Skouby passa por treinamento ao iniciar trabaçho em escola de Lyngby, subúrbio de Copenhague
Agora, a Dinamarca, que permite que os empregadores contratem e demitam à vontade, baseando-se em um elaborado sistema de formação, subsídios para aqueles que estão entre empregos e medidas agressivas para pressionar os desempregados para que aceitem as vagas disponíveis, está enfrentando dificuldades próprias.

Como resultado, o país está começando a mudar de tática.

Lutando para manter seu orçamento sob controle depois da crise financeira, em junho o governo fez cortes em seu sistema de benefícios, o mais generoso do mundo, limitando o pagamento de salário desemprego a dois anos em vez de quatro.

“O fato é que quanto mais tempo você passa sem trabalho, mais difícil é conseguir um emprego”, disse Claus Hjort Frederiksen, ministro das Finanças dinamarquês. “Quatro anos de desemprego é um luxo ao qual não podemos mais nos permitir”.

Agora que a recessão global expôs rachaduras em sua armadura, os esforços da Dinamarca para encontrar um novo equilíbrio entre flexibilidade de mercado de trabalho e segurança para os trabalhadores estão alarmando o país.

Na Dinamarca, os empregadores têm carta branca para contratar e demitir, e na maioria dos casos as pessoas demitidas têm garantia de que irão receber cerca de 80% do seu salário em benefícios, ou uma percentagem mais limitada para aqueles que recebem salários altos.

Em troca, elas devem participar de programas de reciclagem e recolocação criados para reinseri-los no mercado de trabalho, algo que o governo tem intensificado.

Dinamarqueses passeiam em Copenhague
The New York Times
Dinamarqueses passeiam em Copenhague

A cada ano, impressionantes 30% dos dinamarqueses mudam de emprego sabendo que o sistema irá lhes permitir pagar o aluguel e comprar comida para que possam se concentrar na busca por uma nova posição.

Cerca de 80% pertencem a sindicatos, que administram o local de trabalho, ajudam a executar o programa de salário desemprego e pressionam os desempregados a passar por programas de reciclagem.

Mas uma vez que a crise financeira fez com que postos de trabalho evaporassem, o governo, o maior empregador da Dinamarca, teve de oferecer mais vagas temporárias e intensificar o treinamento.

Como na Alemanha e em outros países europeus, centenas de empregadores dinamarqueses também adotaram programas de trabalho de curta duração subsidiados pelo governo, uma tática adotada para evitar o aumento do desemprego. Os programas permitem que as empresas reduzam as horas de trabalho para manter trabalhadores altamente qualificados, ao invés de dispensá-los em momentos difíceis.

Políticos dinamarqueses dizem que seu programa ainda está funcionando bem.

Os sindicatos argumentam que os cortes nos benefícios vão longe demais e planejam pressionar as empresas a aumentar o período típico de aviso prévio de um para três meses antes da demissão.

Os líderes empresariais temem que isso levaria a Dinamarca ao tipo de sistema rígido encontrado em países como Espanha, Itália e França, onde pode levar um ano ou mais para se despedir um funcionário, algo que drena as finanças e aumenta o perigo de mais cortes nas vagas de trabalho.

Por Liz Alderman

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