Com o aumento do trânsito, o desejo por bondes elétricos cresce

PARIS ¿ Os EUA podem ter inventado o bonde elétrico, mas a Europa o aperfeiçoou. Enquanto o preço do combustível decola e dúzias de comunidades norte-americanas exigem a reintrodução do bonde elétrico como alternativa aos ônibus a diesel, os construtores europeus de bondes elétricos são os mais beneficiados.

The New York Times |

Agora, com a administração do presidente eleito Barack Obama contemplando a expansão da infra-estrutura para manter os americanos trabalhando ao lado de uma grave diminuição no ritmo de trabalho, os bondes elétricos podem ser um dos pontos de ajuda para a restauração da economia e da eficiência de energia.

Os bondes foram inventados por americanos, disse Jean-Noel Debroise, vice-presidente de planejamento de produto na Alstom, construtora de bonde francesa que está vendendo seu famoso bonde Citadis para cidades como Houston e Toronto. É um mercado grande, disse ele.

Financiamento

Companhias européias como Alstom, Siemens da Alemanha, AsaldoBreda da Itália, CAF da Espanha e Skoda da República Tcheca são as principais empresas no empreendimento. Estas, juntamente com as companhias não-européias como a Bombardier do Canadá e a Kinki Sharyo do Japão, estão entre os fornecedores dos bondes elétricos, que também são conhecidos por veículos de trilhos leves.

Se conseguirmos um programa financiado pelo governo federal, muitas cidades mostrarão interesse, disse Jeffrey F. Boothe, advogado de Washington especialista em transporte público. No fim das contas, o que os estava impedindo era apenas a falta de dinheiro público.

Ainda há vários obstáculos para serem superados, principalmente os governos locais e estaduais se esforçam para vender contratos durante a redução do ritmo do mercado de crédito.

Mas isso não impediu os europeus de ter interesse em um dos poucos mercados que crescem mais rapidamente no mundo: os EUA. Na metade do primeiro semestre de 2008, o uso do transporte público cresceu em 5,2%, enquanto o uso dos bondes pulou para 12,3%, segundo a Associação Americana de Transportes Públicos.

Mercado americano

Desde o ano passado, quase 2.897 km de trilhos de bonde estavam operando ou sendo planejados em cidades americanas. Em maio, a Siemens, líder de mercado, assinou um contrato de US$ 277 milhões para fornecer bondes elétricos para a Autoridade de Trânsito de Utah. Os veículos estarão prontos para funcionarem até 2012 e serão construídos em uma fábrica da Siemens em Sacramento. Neste ano, a Siemens assinou um perdido de US$ 184 milhões para uma nova linha de bondes em Denver.

O desenvolvimento de Denver não foi incomum, disse Oliver O. Hauck, presidente e executivo-chefe do Sistema de Transporte da Siemens. Começamos com um pedido inicial pequeno, que acabou se tornando um compromisso importante. Primeiro a Siemens entregou oito bondes para Denver em 1993; o último pedido foi de 55 vagões e Hauck espera por mais.

Mas o recente tumulto financeiro ameaça o mercado. As cidades e outros governos locais tem se afastado de maneira impressionante do mercado de bondes. No encontro anual da Associação Americana de Transporte Público, no mês passado, houve discussões entusiasmadas e desanimadoras.

Por um lado, o encontro teve o maior número de presenças do que nunca, disse Boothe, que foi um dos participantes. Por outro lado, ao conversar com amigos, todo mundo estava procurando por valores de troca.

Mercado europeu

Os contratos americanos serviram como um apoio crucial para os construtores de bondes europeus, compensando uma queda no mercado interno. Eles se afastaram muito dos mercados do leste europeu e da Ásia, que são dominados por concorrentes locais. E os países da Europa ocidental já estão saturados.
Uma análise recente da Associação Européia da Indústria de Via Férrea feita pelo grupo de consultoria da Roland Berger prevê um crescimento anual de cerca de 1% para os bondes elétricos europeus para a próxima década, contra mais de 10% na América do Norte.

A maioria das cidades européias, mesmo aquelas com sistemas de metrô extensos, também contam com bondes elétricos. Para as cidades americanas, os bondes são crescentemente vistos como uma alternativa aos sistemas subterrâneos que são extremamente mais caros.

A Siemens começou com a rotação de bondes na América do Norte em 1975, quando assinou acordos para entregar bondes elétricos modernos a Calgary e Edmonton, em Alberta. Cinco anos depois, a empresa entregou seus primeiros vagões de bonde para San Diego, nos EUA.

Fornecemos um produto europeu existente, um veículo importado, disse Hauck, Embora desde então, tenhamos aumentado o conteúdo local.

Exigências

Os fabricantes europeus estão cheios de obstáculos. Para uma coisa, o Ato Americano de Compra exige que 60% de vagões de bondes, em valores, sejam produzidos nos EUA. Para obedecer às exigências, a Siemens abriu uma linha de montagem em Sacramento.

Temos agora 70% do conteúdo local, com potencial para se tornar 90%, disse Robin Stimson, vice-presidente da Siemens. A empresa possui bondes operando em Charlotte, em Houston, Norfolk e muitas outras cidades.

Outros fabricantes europeus tornaram o mercado crescentemente competitivo. O grupo tcheco Skoda (não há nenhuma relação com a Skoda subsidiária da Volkswagen) tem fornecido bondes para Portland, Tacoma e Washington e agora tem um convite para um contrato em Toronto.

A empresa AnsaldoBreda da Itália, afiliada do grupo Finmeccanica, está fornecendo bondes para Cleveland; como também para São Francisco e Los Angeles. A Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF) da Espanha, fornece sistemas de transporte para Pittsburgh e Sacramento.

Longe do mercado de bondes, Alstom, um grande conglomerado francês mais conhecido por fabricar o TGV (trem de alta velocidade) e trens da Eurostar, vendeu vagões de metrô para muitas cidades americanas, incluindo São Francisco, Chicago e Washington.

Embora a Administração Federal de Trânsito controle um programa de US$ 1,6 bilhões para bondes elétricos, pouco desse dinheiro, assunto de complexas condições de distribuição, tem sido distribuído para construções de bondes no governo de Bush. O financiamento tem vindo principalmente das comunidades locais.

Os gastos do governo federal com sistemas de veículos de trilhos leves totalizaram US$ 473,4 milhões no ano passado, depois dos US$ 935,7 milhões em 2006, segundo a administração de trânsito. As cidades optam por construções locais e evitam dinheiro do governo federal, disse Boothe. Isso deve mudar com a administração de Obama. Mas os obstáculos permanecem.

Competição acirrada

Os bondes nos EUA viajam em velocidades mais altas do que suas reproduções na Europa, porque eles costumam operar em distâncias mais longas, ligando centros de cidades com subúrbios mais do que apenas circulando em áreas no centro da cidade.
Para alcançar o conteúdo local exigido de 60%, alguns fabricantes, como a Siemens, têm aberto fábricas nos EUA; outros fizeram parcerias locais. A Skoda, por exemplo, construiu bondes para Portland e Tacoma, em conjunto com a Oregon Iron Works, próximo a Portland.

A competição é acirrada. A Bombardier do Canadá conhece bem o mercado americano. A Kinki Sharyo do Japão, filiada da Kintetsu Corp., fornece bondes para a Autoridade de Transporte do Vale de Santa Clara, no sul de São Francisco; para Hudson-Bergen Veículos de Trilhos Leves em Nova Jersey; e para a Sound Transit Central Link em Seattle, a qual começará a carregar passageiros no ano que vem.

As cidades que querem imitar os antigos bondes elétricos. Como Charlotte, Little Rock e Tampa, tem conseguido-os com a Gomaco Trolley Co., unidade da Gomaco Corp., construtora de equipamento com base em Iowa.

Mas os europeus dizem que suas listas de pedidos estão aumentando...

Por JOHN TAGLIABUE

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