Com medo da crise econômica, consumidores voltam a usar cupons

Heather Hernandez entrou em um supermercado com uma pilha de cupons do mês anterior e saiu de lá com mantimentos no valor total de US$ 160, pelos quais ela pagou US$ 30.

The New York Times |


Com essa economia, todos querem que seus dólares durem mais tempo, disse Hernandez, dona de casa de Hilton, que recorta e guarda cupons com o cuidado de um contador. Eu vejo todos os tipos de pessoas usando cupons. Eu vejo jovens usando cupons. Vejo avôs usando cupons.

Pode ser a era digital, mas quanto se trata de economizar centavos, a maioria dos consumidores optam por um método que deve ter mais de 100 anos: o cupom. Graças a uma economia miserável, os cupons ¿ assim como jogos de tabuleiro e jantar em família ao redor da mesa da cozinha ¿ renasceram. A recessão transformou grupos em caçadores de cupons, pessoas que antes os evitavam, incluindo consumidores jovens e aqueles afortunados.

Os cupons não estavam na moda durante nosso período de consumo voraz, disse Kit Yarrow, psicólog especialista em consumo, de São Francisco, e autor de Gen Buy: How Tweens, Teens and Twenty-Somethings Are Revolutionizing Retail. Mas agora que, mais uma vez, é legal ser barato, eles estão de volta.

Velho hábito, novo hábito

O cupom de resgate teve seu pico nos EUA em 1992, ao fim de uma recessão, quando 7,9 bilhões de cupons foram resgatados, de acordo com a Inmar, companhia que produz cupom. Em 2006, o número caiu para 2,6 bilhões e estagnou nesse patamar até 2008.

Com a piora da economia e a queda do sentimento consumista, a quantidade de cupom de resgate aumentou 10% no quarto trimestre de 2008, em comparação ao mesmo período do ano anterior ¿ primeiro salto desde o começo dos anos 1990. Na primeira metade deste ano, o número de cupons subiu 23%. Cerca de 1,6 bilhões de cupons foram resgatados, levando a Inmar prever que mais de três bilhões de cupons serão resgatados neste ano.

A maioria deles está sendo resgatada por consumidores que, por muito tempo, os evitaram.

As famílias que não costumavam usar cupons, estão usando significativamente mais neste ano do que no ano passado, disse Neil Heffernan, vice-presidente sênior e gerente de administração da companhia de pesquisa Knowledge Networks/PDI. Os números mais recentes do grupo mostram que, no mês de janeiro e fevereiro juntos, o uso de cupons entre jovens, consumidores únicos com economias mínimas, cresceu 14%, em contraste aos mesmos meses do ano passado.

Medo da crise

O número de cupons usados entre outros grupos ¿ consumidores ricos que nasceram no fim dos anos 1950 e 1960 ¿ cresceu 13% em janeiro e fevereiro, em comparação aos mesmos meses no ano anterior. Os dados da Nielsen publicados no último mês destacam essa tendência, mostrando que famílias que ganham US$ 70 mil ou mais por ano estão entre os maiores usuários de cupom.

Matthew Tilley, diretor de marketing da Inmar, disse que o uso de cupom cresceu mais entre esses grupos e que eles eram os responsáveis pelo tráfego de websites com cupons para impressão, como a Redplum.com e a Coupons.com. O número de cupons de resgate, que se dividem entre os que são de papel antigo e os novos de versões digitais, cresceu 308% na primeira metade deste ano, a partir de uma pequena base.

Eu acredito que não é coincidência que o aumento no uso de cupons de resgate começou assim que notícias ruins sobre a economia começou a aparecer na primeira página dos jornais, disse Tilley, acrescentando que cortar cupons é apenas uma maneira a mais por meio da qual os consumidores estão mudando seus hábitos. O povo está se voltando para noções básicas, disse, tentando viver vidas mais simples.

Por STEPHANIE ROSENBLOOM


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