Com inversão de papéis, John Boehner se torna personagem central

Futuro presidente da Câmara, republicano eleito começa a ganhar espaço e capital político nos Estados Unidos

The New York Times |

O primeiro sinal da nova hierarquia no Capitólio foi a multidão de cinegrafistas enfiada no gabinete de John A. Boehner na manhã de quarta-feira. Como líder republicano em uma Câmara mantida com firmeza pelos democratas, Boehner tinha problemas para fazer com que sua voz fosse ouvida.

Não mais.

© AP
Republicano John Boehner, eleito para a Câmara pelo Estado de Ohio, deve ser novo presidente da Casa
Horas mais tarde, Boehner, o próximo presidente da Câmara, se posicionou no centro dos holofotes, elegante em um terno cinza e gravata laranja, ao aceitar os parabéns, e declarou se sentir “humilde”. Mas a mulher que ainda detém o título de presidente da Câmara – a deputada Nancy Pelosi, da Califórnia – estava, estranhamente, enfurnada em seu escritório, longe do público.

A repentina inversão de papéis aconteceu em meio a uma estranha calma dentro do Capitólio. A maioria dos parlamentares ainda estava nos seus distritos, absorvendo os resultados das eleições. Para os democratas, especialmente, era um dia de reflexão – e, em alguns casos, recriminações.

Pelosi passou a manhã ao telefone, consultando colegas democratas sobre a possibilidade de permanecer como líder da minoria. Ela cercou-se com membros de sua família, a filha Alexandra e o neto, que em breve fará 4 anos, vieram de Nova York.

Quando subiu ao poder, Pelosi gostava de comandar a atenção dizendo a repórteres que usava a "voz de uma 'mãe de cinco filhos'". Na quarta-feira, sua voz silenciou, exceto por uma entrevista a Diane Sawyer na ABC News. Nela, ela disse: “Não me arrependo, porque acreditamos que fizemos a coisa certa e trabalhamos muito duro nas nossas campanhas para transmitir isso ao povo americano".

Meios alternativos

Pelosi usou rotas alternativas para chegar à sessão sem ser encurralada por membros da imprensa. Quando acabou, ela saiu rapidamente em um elevador do Capitólio, apertando as mãos de seu neto. Lábios franzidos, ela esquivou perguntas sobre seu futuro. "Nós vamos avisá-los", disse a presidente laconicamente quando as portas do elevador se fechavam.

Sempre que o equilíbrio de poder em Washington é modificado é preciso tempo para que as coisas se acalmem. Foi assim na quarta-feira, quando assessores de Pelosi disseram que não sabiam quando ela iria anunciar seus planos, e Boehner deixou claro que, apesar das conquistas históricas do seu partido, ele ainda não sabia ao certo como pretende proceder.

"Nós vamos fazer uma série de decisões durante os próximos meses sobre o que vai acontecer em janeiro", disse Boehner, quando repórteres perguntaram sobre a rapidez com que ele tentará revogar a legislação da saúde aprovada pelo presidente Barack Obama e quais programas federais estão em risco agora que os republicanos estão prometendo fazer cortes.

Boehner pareceu momentaneamente desconcertado sobre uma pergunta a respeito do aumento do limite da dívida – uma medida que a Câmara deverá tomar no próximo ano para evitar que o governo entre em inadimplência, mas a que os candidatos do movimento Tea Party quase certamente se opõem. “Vamos resolver isso”, disse o novo presidente, "ao longo dos próximos meses”.

*Por Sheryl Gay Stolberg

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