Com fim do governo Olmert, saga de soldado israelense sequestrado ganha urgência

JERUSALÉM - Para a família do soldado israelense sequestrado Gilad Shalit, os últimos dias do governo Olmert representam um momento de pouca esperança e grande desespero.

The New York Times |


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O primeiro-ministro Ehud Olmert tem apenas duas semanas restantes no cargo. Até lá, Shalit, que completou 22 no cativeiro, terá completado cerca de mil dias como refém do Hamas.

Os pais e amigos de Shalit pressionam Olmert para que limpe sua mesa, e sua consciência, ao realizar um acordo de última hora com o Hamas para a libertação do soldado.

"Nós achamos que ainda há uma última chance antes que o primeiro-ministro conclua seu mandato", disse Noam Shalit, pai de Gilad, durante um protesto realizado por sua família perto da casa do primeiro-ministro em Jerusalém. "Nós não sabemos o que acontecerá com um novo governo", ele disse. "Eles podem dar início a outros três anos de pesadelo".

A saga de Shalit atingiu a alma de Israel. Em um pequeno país onde todos com 18 anos são obrigados a prestar serviço militar, estranhos se sentem intimamente conectados com a dor da família Shalit. Mas as pessoas também lembram do nome dos jovens que foram mortos em ônibus que terroristas explodiram, e debatem a moralidade da libertação dos responsáveis por tais ataques em troca de Shalit, como parte de uma lista de prisioneiros que o Hamas quer que sejam libertados.

No domingo, do outro lado da rua na qual a família Shalit protestava, famílias de vítimas do terrorismo  começaram sua própria vigília. Eles colocaram placas diante do antigo Cafe Moment, onde um homem-bomba palestino explodiu há sete anos, matando 11 israelenses e ferindo 54.

Um dos que se opõem à libertação de palestinos condenados é Yossi Mendellevich, engenheiro cujo filho Yuval morreu aos 13 anos em um atentado a um ônibus em Haifa em março de 2003.

"Para um pai ter que enterrar um filho de 13 anos e meio é um choque, deveria ser o oposto", disse Mendellevich. "Sua voz estava começando a mudar, ele tinha o começo de um bigode e foi morto de forma bruta".
Mendellevich argumenta que Israel não analisou todas as possibilidades para a libertação de Shalit.

"Está claro que se Gilad Shalit fosse meu filho, eu estaria pronto para entregar Tel Aviv", ele disse. "Mas também precisamos pensar nos pais das crianças que ainda podem morrer nas mãos dos que seriam libertados".

Shalit foi sequestrado no território israelense pelo Hamas e outros militantes palestinos em um ataque, e levado à Gaza, ferido, em junho de 2006. Ele não pode receber visitas da Cruz Vermelha. O último sinal de que está vivo foi uma carta escrita à mão para seus pais em junho do ano passado.

NYT
Israelense segura pintura de Shalit

Israelense segura pintura de Shalit em rua de Jerusalém

Apesar da dor que envolve a questão, muitos israelenses de todo o âmbito político parecem dispostos a libertar os prisioneiros palestinos para garantir sua segurança.

"De uma perspectiva pessoal", disse Yael Barkai, 52, professora e mãe de quatro de Pardes Hanna, norte de Israel, "todo mundo aqui tem ou teve ou terá filhos no exército, ou um primo ou um sobrinho ou sobrinha".

Barkai disse que ela e sua irmã, Ruthi, 48, se preocupam com o futuro de Shalit, a ponto de sonhar com ele à noite. Sentindo a necessidade de fazer algo, elas decidiram organizar o protesto em Jerusalém há seis meses.

A irmã enviou mensagens de email aos amigos, que passaram adiante. Em cinco horas, segundo Barkai, elas obtiveram resposta de 300 israelenses preparados para armar uma barraca e fazer turnos de duas horas da manhã à noite, sete dias por semana.

Com Israel se recusando a libertar prisioneiros da lista do Hamas e com as negociações aparentemente travadas, membros da família Shalit vieram da pequena vila de Galilea para se unir aos voluntários na calçada em uma última tentativa de conseguir a liberdade de seu filho. Motoristas buzinam em solidariedade e crianças que passavam a caminho das comemorações do Purim se uniram em um canto.

Olmert falou durante o final de semana contra as manifestações públicas de simpatia por Shalit, dizendo que elas apenas aumentam as expectativas do Hamas e o preço do resgate.

Mas isso não impediu uma menina de 15 anos de Tel Aviv, que disse se chamar Shir, de aparecer na barraca no domingo para mostrar seu apoio. Nem Yehudit Mahlu, 72, de Beersheba. Nem Yaakov Milo, 57, de Eilat.


Por ISABEL KERSHNER


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