Com corte no orçamento, Cameron mostra identidade do governo

Após dez semanas no cargo, ativo premiê britânico traça caminho de austeridade econômica

The New York Times |

Nos cinco anos que David Cameron passou reconstruindo o Partido Conservador na oposição, as pesquisas de opinião mostravam que ao tentar recriá-lo oferecendo uma imagem cheia de compaixão, mas persistentemente confusa, os eleitores tinham dificuldades em definir que tipo de primeiro-ministro ele poderia ser.

Não mais.

Após 10 semanas no cargo, Cameron, que se reuniu com o presidente Barack Obama em Washington na terça-feira, se mostrou um dos políticos mais ativos a ocupar a posição em tempos modernos.

Sua atuação rivaliza, em alguns aspectos, até mesmo com a de Margaret Thatcher, a "Dama de Ferro" que como líder do Partido Conservador na década de 1980 atacou sindicatos e excessos do governo, enquanto privatizava indústrias nacionais e abria espaço para políticas de livre mercado.

Com uma bateria incessante de anúncios de novas políticas, Cameron e sua coalizão de conservadores e liberais democratas propuseram alguns cortes profundos no déficit que os conservadores esboçaram durante a campanha eleitoral de maio, com um maior esforço para romper com o molde do grande governo na Grã-Bretanha que, apesar dos melhores esforços de Thatcher, prevaleceu desde a Segunda Guerra Mundial.

© AP
Cameron e Obama durante encontro na Casa Branca (20/07)

Ao fazê-lo, eles têm mapeado um caminho de austeridade econômica quase selvagem, uma abordagem que contrasta com as políticas de Obama, que escreveu a Cameron e outros líderes mundiais no mês passado alertando contra cortes prematuros nos gastos do governo que podem conduzir o mundo a um segundo estágio de recessão.

Em uma entrevista à rádio NPR antes de ir para a Casa Branca, Cameron expressou seu ponto de vista de maneira diplomática. "Cada país tem que lidar com o seu déficit orçamental, mas o momento em que fazemos isso pode variar", ele disse.

E variam de forma significativa, como o governo de Cameron mostrou.

O orçamento apresentado no mês passado propunha uma campanha de austeridade extraordinariamente rigorosa, estabelecendo cortes durante os próximos cinco anos de 25% ou mais.

Mas aquilo se mostrou apenas uma preparação para a ambiciosa - e politicamente arriscada - tentativa de desmantelar a burocracia na Grã-Bretanha.

Se for bem sucedida, a iniciativa vai tirar o que os novos dirigentes dizem ser a mão pesada do Estado na vida pública, restringindo seu alcance em escolas e hospitais, reduzindo os benefícios sociais e revendo programas intrusivos de lei e ordem estabelecidos pelo Partido do Trabalho que alarmaram os defensores das liberdades civis.

As propostas do governo para cortar gastos vão além do que a Grã-Bretanha tem experimentado em sua história moderna, mesmo no governo Thatcher.

A principal característica do programa é um plano para reduzir pela metade o déficit do orçamento anual de US$ 235 bilhões em cinco anos e conseguir isso através de cortes em quase todos os ministérios do governo.

Por John F. Burns

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