Com ajuda da Al-Qaeda, ameaça insurgente cresce na Nigéria

Insurgência, que tem como alvo militares, polícia e aqueles que se opõem à lei islâmica, conta com a Al-Qaeda no Magreb Islâmico

The New York Times |

A sombria insurgência islâmica que tem assombrado o norte da Nigéria - que sobrevive a repetidos e sangrentos esforços para eliminá-la - parece estar ramificando e colaborando com afiliados da Al-Qaeda, alarmando autoridades ocidentais e analistas que viam os militantes locais como uma ameaça isolada.

Apenas dois anos atrás, o grupo islâmico que atacava policiais parecia à beira da extinção. Em um ataque pesado, soldados nigerianos destruíram sua sede e mataram o seu líder, deixando centenas de membros do grupo, conhecido como Boko Haram, mortos ou esforçando-se para contra-atacar.

Agora, os insurgentes têm como alvo os militares nigerianos, a polícia e aqueles que se opõem à lei islâmica em ataques e atentados quase diários, usando dispositivos explosivos improvisados que podem ser detonados por controle remoto e têm a marca da Al-Qaeda no Magreb Islâmico, dizem as autoridades e analistas.

O temor é que os extremistas em busca de sua jihad estejam espalhando o seu alcance por todo o continente e plantando raízes em um dos principais aliados do Ocidente que não era visto como um foco de terrorismo global.

O Boko Haram se reuniu e treinou com equipes da Al-Qaeda fora do país, segundo autoridades e analistas nos Estados Unidos e Nigéria, e o grupo começou a empreender uma campanha de propaganda que inclui coletivas de impresa - outro sinal de sua crescente sofisticação.

"Onde eles estão aprendendo a fazer dispositivos de explosivos improvisados?" perguntou Kashim Shettima, o novo governador local. "Alguns deles foram até o Sudão. Por que? Eu acredito que eles estão fazendo esforços para alcançar a rede de terrorismo global."

O governo da Nigéria parece ter apenas uma visão precária de como enfrentar a ameaça, respondendo com tal repressão que muitos moradores veem os militares como um perigo maior do que o Boko Haram.

Segundo a Anistia Internacional, cerca de 140 pessoas morreram na violência que tomou conta da região desde janeiro, incluindo dezenas de civis mortos pelos militares.

No ano passado, depois que dezenas de muçulmanos foram mortos na cidade de Jos, um líder da Al-Qaeda no Magreb Islâmico prometeu ajudar a treinar e fornecer armas aos muçulmanos da Nigéria para "responder à agressão contra a minoria cristã", em um comunicado publicada em sites islâmicos. Ele também prometeu ajudar a vingar o assassinato do líder do Boko Haram em 2009.

Andrew Lebovich, pesquisador da Fundação New America, que acompanha a movimentação da Al-Qaeda no Magreb Islâmico, disse que os dispositivos explosivos improvisados que o Boko Haram está usando tem a marca da organização, repetindo um argumento usado pelas autoridades ocidentais.

*Por Adam Nossiter

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