Colisão de satélites dos EUA e da Rússia espalha escombros voadores pelo espaço

Por décadas, especialistas sobre o espaço advertiram que a órbita do planeta estava ficando tão cheia que um dia dois satélites poderiam se chocar, espalhando escombros perigosos. Isso aconteceu na terça-feira. E os fragmentos em movimento podem ser uma ameaça para a Estação Espacial Internacional, que orbita a 346 mil km acima do local do choque, com três astronautas a bordo, embora oficiais digam que o risco agora é pequeno.

The New York Times |

Essa foi a primeira (colisão) que, infelizmente, ocorreu, Nicholas L. Johnson, cientista-chefe de fragmentos em órbita na Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço.

Aconteceu a cerca de 788 km acima do norte da Sibéria, por volta do meio-dia no horário da parte leste da região. Dois satélites de comunicação ¿ um russo e um americano ¿ se chocaram, a destruição foi silenciosa. Após o ocorrido, radares militares na Terra localizaram grandes quantidades de fragmentos indo para órbitas acima e abaixo do local.

Nada dessa extensão jamais aconteceu antes, disse Johnson. Tivemos outras três colisões acidentais entre o que chamamos de objetos catalogados, mas todas foram muito menores que essa, eles eram sempre de tamanhos muito pequenos ou médios.

Ele acrescentou que os satélites de comunicação são dois objetos relativamente grandes. O satélite americano era um Irídio, um de uma constelação de 66 naves espaciais. Liz DeCastro, diretor de comunicações corporativas do Satélite Irídio, com base em Bethesda, em Maryland, disse que o satélite pesava cerca de 544 kg e que seu corpo tinha mais de 3,6 metros, sem incluir a estrutura de dados solar.

Em um comunicado, a empresa disse que havia perdido um satélite operacional nesta terça-feira, aparentemente após sua colisão com um satélite russo não-operacional.

Embora essa ocorrência não tenha o mínimo impacto no serviço do Irídio. A companhia está tomando medidas imediatas para divulgar informações sobre a perda, acrescenta a declaração. Os telefones portáteis da empresa podem ser usados em qualquer lugar do globo para possibilitar aos usuários a comunicação oral ou de dados.

Johnson disse que o satélite russo aparentemente não é funcional. Oficiais da embaixada do país em Washington não foram encontrados para comentar. Johnson disse que os radares militares de localização dos EUA ainda precisam determinar o número de fragmentos detectáveis. Levará um tempo, disse. É muito difícil identificar todos os objetos quando estão muito pertos um dos outros. Em dois dias devemos ter um entendimento bem melhor.

"Eu acho que estamos falando de, no mínimo, dúzias de fragmentos, se não de centenas, disse Johnson.

Segundo ele, os escombros podem ameaçar a estação espacial e a tripulação de astronautas. Na verdade, acreditamos que alguns já podem estar percorrendo na altitude da estação, disse Johnson. Mas acrescentou que o risco da estação é bem pequeno. Na pior das hipóteses, disse, Nós apenas a desviaremos do caminho caso seja necessário. O perigo está nos pequenos fragmentos que não podemos ver.

Em Houston, controladores da Estação Espacial Internacional frequentemente ajustam a órbita da estação para desviá-la de escombros espaciais em movimento, que podem se mover incrivelmente tão rápido que mesmo grupos de pedaços pequenos podem fazer um estrago destrutivo.

John Yembrick, porta-voz da NASA em Washington, disse que a agência julgou o risco de colisão com fragmentos em alta velocidade bem pequeno. A ameaça, acrescentou, está definida e é aceitável.

Johnson, que trabalha no Centro Espacial Johnson em Houston, disse que novos grupos de fragmentos em movimento podem acabar sendo uma ameaça para outros satélites ao provocar uma reação orbital em cadeia.

O que estamos fazendo agora é tentar quantificar esse risco, disse. Esse é um trabalho em progresso. Só faz 24 horas. Colocamos o principal em primeiro lugar, tendo em vista a estação e a preparação para a próxima missão de transferência.


Por WILLIAM J. BROAD

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