Colisão com pássaros pode ter causado acidente em Nova York

NOVA YORK - Investigadores federais seguem indicações precoces de que o pouso forçado do avião da US Airways no Rio Hudson foi causado pela colisão com gansos logo após a decolagem (um tipo de colisão que tem causado problemas aos pilotos desde o voo do primeiro avião).O acidente envolvendo o avião, que decolou do Aeroporto de La Guardia, seria incomum, no entanto, porque ambas as turbinas pareciam danificadas por aves, disseram especialistas em aviação na quinta-feira.

The New York Times |


Desde 2000, pelo menos 486 aviões colidiram com pássaros, de acordo com a Administração Federal de Aviação. Destes incidentes, 166 levaram a pousos de emergência e 66 resultaram na abortagem de decolagens.

O primeiro acidente fatal envolvendo a colisão com pássaros aconteceu em 1912, nove anos depois do primeiro voo dos irmãos Wright em Kitty Hawk, Carolina do Norte. O avião caiu na praia de Long Beach, Califórnia, matando o piloto.

O acidente mais mortal envolvendo pássaros aconteceu em 1962, quando 62 pessoas morreram quando um avião da Eastern Air Lines caiu logo após a decolagem de Boston. O avião havia colidido com uma revoada de pássaros, que sugou as aves para dentro de três de suas quatro turbinas, fazendo com que elas parassem e o avião caísse no porto de Boston.

Avião caiu poucos minutos após decolar no aeroporto de La Guardia

Avião caiu poucos minutos após decolar no aeroporto de La Guardia / AP

Na área de Nova York, o acidente mais recente aconteceu em dezembro de 2006 no Aeroporto Kennedy, quando uma garça real azul foi sugada pela turbina de um Boeing 767 logo depois da decolagem. O avião voltou ao aeroporto e os passageiros foram transferidos para outra aeronave.

Houve outro incidente em La Guardia em 2003, quando um Fokker 100 da American Airlines atingiu uma revoada de gansos ao decolar, fazendo com que a turbina direita não funcionasse. O voo foi direcionado ao JFK.

Todas as turbinas de voos domésticos têm que passar por um teste contra "colisão com pássaros" antes de receberem o certificado de uso. Os fabricantes de turbinas, inclusive a CFM International, responsável pelas turbinas do Airbus A320 da US Airways que fez o pouso forçado de quinta-feira, testam as turbinas fisicamente e através de simulações em programas computadorizados.

Nos testes físicos, as turbinas são posicionadas em potência máxima e absorvem diversos pássaros, daqueles do tamanho de pardais a garças, de uma só vez (as aves já estão mortas). As turbinas também são testadas com múltiplas aves para simular a colisão com uma revoada, disse Matthew Perra, porta-voz da fabricante de turbinas Pratt & Whitney.

Para passar o teste, as turbinas precisam continuar a operar depois da colisão, mantendo potência suficiente para decolar, voar e voltar ao aeroporto, onde terá que pousar com segurança, ele disse. Isso porque um avião com duas turbinas tem que poder decolar com 50% de potência.

As turbinas são testadas individualmente, então os fabricantes não conseguem saber o que aconteceria se uma revoada de pássaros atingisse ambas ao mesmo tempo. No entanto, eles estudam a situação através de simulações. "É algo muito raro", disse Perra.

Perigo

Aeroportos de todo o mundo viram colisões com pássaros ao longo dos anos, fazendo dos animais um perigo para a aviação comercial, militar e pilotos particulares como um todo.

"Sempre que temos um campo aberto e grama, temos pássaros", disse Robert W. Mann Jr., especialista em aviação industrial de Port Washington, Nova York. Mann afirmou que as aves são a maior ameaça durante a decolagem, quando os aviões usam a potência de sua turbina para decolar. Os pássaros também representam perigo quando a aeronave sobe de altitude.

Há anos, a FAA, a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tentaram "minimizar o conflito entre aves e aviões", disse Elbin. Falcões e fogos de artifício foram usados para assustar populações de pássaros das áreas onde ficam as pistas de pouso e decolagem.

Mas às vezes, os aeroportos são forçados a transferir as aves, ou em casos mais extremos, extermina-las.

Mann disse que os pilotos só podem fazer algumas coisas em relação a um possível ataque de pássaros. Ele disse que a resposta da equipe do avião da US Airways à emergência foi "marcante".

Mann disse: "Foi um voo espetacular, tanto o pouso quanto a segurança de muitas pessoas. O avião ficou inteiro".

Por MICHELINE MAYNARD

Assista à reportagem sobre o acidente (em inglês):



Mapa aponta o aeroporto de La Guardia e o local da queda do avião


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