Colaboradores de Hillary Clinton resistem em apoiar Obama

DENVER ¿ Um número significativo de importantes arrecadadores da senadora Hillary Rodham Clinton permanece alheio e receoso em trabalhar para o senador Barack Obama, um problema perturbador que parece contribuir para o fracasso da campanha em acertar o passo com arrecadadores ambiciosos em direção às eleições gerais.

The New York Times |

O rancor prolongado entre as partes parece ter se intensificado durante a Convenção Democrata, com os resmungos de alguns arrecadadores de Hillary sobre como eles têm sido tratados pela campanha de Obama em questões como hotel, credenciais e coisas do gênero. As tensões já estavam altas, particularmente depois das revelações de que Obama não consultou e nem pediu conselhos de Hillary na escolha de seu vice-presidente.

Muitos grandes arrecadadores de Hillary não foram à Convenção; outros vão embora na quarta-feira, antes do discurso de Obama.

De um modo geral, aparece um consenso entre os grandes arrecadadores de Hillary de que a campanha de Obama não fez o suficiente para angariar o apoio deles, de acordo com mais de seis doadores entrevistados.

Eu tenho tido mais contato com a campanha de McCain desde a indicação do que com a campanha de Obama, disse Calvin Fayard, advogado de Nova Orleans, importante arrecadador de Hillary e doador do Partido Democrata há muito tempo, que não está em Denver essa semana.


Partidários de Hillary compareceram à Convenção para o discurso da senadora na terça-feira / Reuters

Fayard disse que estava pensando em apoiar o senador republicano John McCain, citando o que ele considera a "inexperiência de Obama".

Depois que Hillary suspendeu sua campanha em junho, ela e Obama prometeram publicamente trabalhar juntos para integrar o aparato dos arrecadadores de Hillary com os de Obama.

Mas parece que muito desses esforços não tiveram sucesso, disse o ex-apoiador de Hillary que decidiu arrecadar dinheiro para Obama.

Eu acredito que eu sou minoria, disse Hassan Nemazee, ex-administrador das finanças da campanha nacional de Hillary que já levantou mais de U$ 500 mil para Obama nos últimos meses. Eu acredito que existe uma grande quantidade de recursos que não serão absorvidos pela campanha de Obama se não tiver engajamento do pessoal da Hillary Clinton.

De fato, a análise do The New York Times sobre o Comitê Federal de Eleições descobriu que os doadores de Hillary contribuíram com aproximadamente U$ 2 milhões para a campanha de Obama em julho, valor parecido com o que eles doaram em junho. O montante é considerável, mas parece está abaixo das expectativas originalmente prevista pelos arrecadadores de Obama.  

Quando Obama decidiu em junho descartar os U$ 84 milhões do financiamento público, funcionários da campanha calcularam que para fazer valer o tempo adicional que ele precisaria para se dedicar a outras coisas que não a arrecadação, eles teriam que arrecadar duas ou três vezes o montante de U$ 84 milhões.   

Eles conseguiram U$ 300 milhões para a campanha e U$ 180 milhões para o Partido Democrata, disseram muitos arrecadadores, ou cerca de U$ 100 milhões ao mês.  

A marca chega próximo ao que os assessores de Obama citaram em entrevistas onde anteciparam a verba para as eleições gerais, mas o porta-voz da campanha insistiu na terça-feira que esses fundos não eram um objetivo e negou que U$ 100 milhões por mês era uma meta ou que a campanha estava tendo problemas em recrutar os doadores de Hillary.   

Em julho, Obama e Comitê Nacional Democrata arrecadaram cerca de U$ 77 milhões. Isso supera a marca de U$ 53 milhões que McCain e o Comitê Nacional Republicano coletaram. Mas esse foi o segundo mês em que os funcionários de Obama erraram o passo.

Em junho, quando Hillary suspendeu sua campanha, a equipe dela e de Obama imaginaram que arrecadariam dos doadores de Hillary algo em torno de U$ 50 milhões e U$ 75 milhões ou mais. Eles parecem não ter chegado nem perto disso.  

Ressentimento

E as possibilidade da campanha de Obama de pressionar os arrecadadores de Hillary que estão inativos ou desestimulados, parecem estar diminuindo. Houve muita discordância entre as partes sobre qual a melhor maneira de captar os ex-arrecadadores da senadora, com alguns argumentos que diziam à campanha de Obama que mudasse a estrutura da arrecadação para dar aos arrecadadores de Hillary status semelhantes aos dos arrecadadores de Obama. Mas funcionários de Obama, que se orgulham de ter menos hierarquia na organização da campanha, resistiram. No final, eles viram pouca necessidade de mudar o que estava dando certo, alegaram alguns arrecadadores de Hillary.

Outro ponto doloroso são as alegações dos arrecadadores de Hillary de que Obama não fez esforço suficiente para ajudar a pagar as dívidas da ex-rival. Uma análise do The Times apontou que os doadores de Obama deram U$ 300 mil para Hillary em julho e U$ 135 mil em junho.  

Os desprezos ocorridos na Convenção não ajudaram. Apenas alguns dos doadores de Hillary foram colocados no cobiçado Ritz-Carlton, onde os maiores doadores de Obama estão hospedados.  

A análise do The Times sobre o financiamento da campanha registrou que menos de 50 entre mais de 300 arrecadadores de Hillary contribuíram para a campanha de Obama em julho, antes 10 no mês passado.  

Apenas 70 arrecadadores de Hillary contribuíram para a campanha de Obama, significando que a vasta maioria não contribui.  

Por MICHAEL LUO e GRIFF PALMER

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