Cofres cheios oferecem vantagem a Obama em campanha para 2012

Desde o início do ano, presidente americano gastou cerca de US$ 87 milhões, mesmo valor que republicanos juntos conseguiram arrecadar

The New York Times |

O presidente Barack Obama está explorando sua vantagem inicial na arrecadação de fundos de campanha para bancar uma ampla organização e tecnologia da informação em lugares críticos para a eleição geral americana. O atual presidente faz isso ao mesmo tempo que os candidatos republicanos economizam dinheiro e disputam a candidatura, no que pode se tornar uma longa batalha pela indicação de seu partido.

Reuters
Presidente Barack Obama faz discurso na escola Greenville County, no Estado da Virginia

Desde o início do ano, Obama e o Comitê Nacional Democrata, para o qual o presidente está ajudando a arrecadar dinheiro para financiar os esforços de base de seu partido, gastaram cerca de US$ 87 milhões em custos operacionais, de acordo com uma nova análise de relatórios de financiamento de campanha apresentados à Comissão Eleitoral Federal e analisados pelo The New York Times. Esse valor é o mesmo que todos os atuais candidatos republicanos juntos arrecadaram até agora nesta campanha.

Nos últimos meses, esse dinheiro ajudou a abrir comitês de campanha em pelo menos 15 Estados em todo o país. Em contraste, os candidatos republicanos mais bem financiados, Mitt Romney e o governador do Texas Rick Perry, têm presenças físicas em apenas um punhado dos primeiros Estados primários, como New Hampshire, Carolina do Sul e Flórida.

Apenas nos últimos três meses, de acordo com os documentos, a campanha de Obama gastou mais na folha de pagamento do que vários dos candidatos republicanos conseguiram arrecadar – mais de US$ 4 milhões. Obama já está pagando por uma equipe atuante em pelo menos 38 Estados, incluindo Wisconsin, Virgínia, Pensilvânia, Ohio, Novo México e Carolina do Norte. A sede de sua campanha em Chicago conta com mais de 200 assessores pagos.

Além disso, Obama gastou milhões de dólares investindo em mídias sociais e tecnologia da informação, aplicando uma força tecnológica ao mesmo tempo experiente e bruta para arrecadar pequenas doações, recrutar e encorajar voluntários e criar uma infra-estrutura técnica para sustentar sua campanha de reeleição no próximo ano.

A diferença nos gastos ressalta fatos facilmente perdidos em meio ao índice de aprovação relativamente baixo do presidente , seus desafios na conquista de eleitores independentes e os impasses que ele enfrenta em Washington: Obama traz para a campanha recursos financeiros inigualáveis e uma equipe experiente em onde e como usar o dinheiro, as pessoas e a tecnologia.

"Nos últimos três meses, nós ampliamos nossa equipe de organização em 50% e abrimos três escritórios de campo novos por semana", Jim Messina, gerente de campanha de Obama, escreveu em um email enviado aos apoiadores do presidente na quinta-feira. "Milhares de voluntários e organizadores realizaram 3 milhões de ligações telefônicas e visitas aos eleitores."

As vantagens de Obama são, em parte, circunstanciais: sem adversário nas primárias, Obama, assim como outros presidentes em exercício antes dele, já pode começar a se preparar para a eleição geral que ainda está a mais de um ano de distância.

Ele também pode arrecadar grandes contribuições para o Comitê Nacional Democrata – chegando a US$30,8 mil por doador contra o limite de US$ 5 mil em contribuições para os candidatos – que estão ajudando a financiar esforços mais amplos do Partido Democrata. Durante os últimos três meses, o Comitê Nacional Democrata já transferiu fundos totalizando mais de US$ 1,3 milhão para organizações democratas em todos os 50 Estados e o Distrito de Columbia, de acordo com registros do partido.

Embora o Comitê Nacional Republicano tenha desfrutado de uma forte arrecadação de fundos nos últimos meses, o partido ainda está pagando grandes dívidas incorridas durante o ciclo eleitoral de 2008. No final de setembro, o comitê ainda estava com US$ 14,5 milhões em dívida, de acordo com relatórios de campanha.

Essa lacuna explica, em parte, por que grupos independentes próximos aos republicanos como o American Crossroads e o American for Prosperity estão elaborando planos para gastar milhões de dólares esse ano em mídia social e esforços para identificar seus eleitores, com foco principal em ajudar o eventual candidato republicano a conquistar a Casa Branca.

Perry e Romney, assim como Obama, também são apoiados por super PACs, fundados por aliados e ex-assessores de cada candidato. Tais grupos podem arrecadar contribuições ilimitadas e são obrigados a divulgar seus gastos com muito menos frequência do que as campanhas oficiais ou os comitês partidários, criando alguma incerteza na avaliação de como as guerras de arrecadação de fundos, em última análise, ajudam um candidato ou outro.

Obama tem usado sua operação de campo cada vez maior como um ponto de venda para os grandes doadores, numa iniciativa de arrecadação de fundos chamada "Start Strong" (Comece Forte, em tradução literal). O programa compartilha com os apoiadores os custos estimados da campanha para os organizadores, escritórios e suprimentos de campanha em 12 Estados e regiões, e os convida a ajudar com uma doação.

"Precisamos começar com força agora, gostaríamos de pedir ajuda a cada membro do Comitê Nacional Democrata para darmos início a essa empreitada", Kevin Karlsgodt, chefe de Obama finanças-adjunto da equipe, escreveu em um email destinado aos principais doadores democratas no início desse mês. "Peça aos amigos que contribuam em uma semana ou duas, e nós vamos chegar lá em algum momento."

AFP
Presidente Barack Obama abraça mulher antes de voltar ao seu ônibus depois de uma parada em um restaurante em Reidsville, Carolina do Norte

Em apenas um exemplo do poder financeiro da campanha, nos últimos três meses, Obama gastou mais de US$ 2 milhões em publicidade online e meio milhão de dólares em equipamentos de informática e softwares. Sua conta de hospedagem foi de US$ 360 mil, mais dinheiro do que cada um dos candidatos republicanos Newt Gingrich, Rick Santorum e Jon M. Huntsman Jr. tinha em suas contas bancárias no final do trimestre.

Os documentos também revelam que os candidatos republicanos estão investindo parte de seu tempo e dinheiro. De acordo com registros de sua campanha, Romney, que gastou bastante em Iowa em 2008, mas sugeriu que não iria competir agressivamente no Estado este ano, dobrou sua equipe de campanha no local, de dois para quatro. Ele também gastou cerca de US$ 160 mil no Estado esse ano.

Perry, que entrou na campanha no terceiro trimestre, gastou cerca de US$ 58 mil em Iowa, que é o Estado considerado como uma importante base para sua candidatura.

Vários dos candidatos republicanos estão gastando relativamente pesado em New Hampshire, que tradicionalmente hospeda a primeira primária do país. Excluindo os custos de consultoria, Huntsman gastou a maior quantidade, cerca de US$397 mil no Estado, seguido por Ron Paul, do Texas, que gastou cerca de US$ 278 mil, e Romney, que gastou US$184 mil, de acordo com uma análise dos documentos de campanha.

Por Nicholas Confessore e Griff Palmer

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