Código para motoristas de táxi de Nova York passa por reforma

Novas regras podem incluir pontos sobre proibições de vestuário e devem ser aprovadas no próximo mês

The New York Times |

Existe um código de vestuário para os motoristas de táxi da cidade de Nova York. Sério. Ele é descrito na página 23 do manual de 62 páginas que a cidade entrega aos taxistas detalhando as normas e regulamentos referentes a sua conduta e comportamento. Regatas, blusas sem alça e calção de banho são proibidos.

Aqueles que não respeitarem as regras podem ter de pagar uma multa de US$ 25. Mas a verdade é que a regra passou a ser considerada muito específica e pouco fiscalizada. E agora os reguladores de táxis da cidade querem mudar isso.

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Segundo novo código, todos os taxistas de Nova York precisam ter aparência profissional
A Comissão de Táxi e Limousine está elaborando um novo código de vestuário mais amplo em sua linguagem, na esperança que possa ser mais respeitado. Todos os taxistas, diz o código, precisam ter uma “aparência profissional”.

Lidar com o problema do vestuário dos motoristas de táxi pode ser uma tarefa ambiciosa para um órgão que ainda luta para impor regras mais significativas nas ruas, como o respeito ao limite de velocidade e a proibição ao uso do celular. As autoridades também disseram estar comprometidas com uma vigilância mais reforçada.

"A roupa apropriada não é algo que podemos aplicar com muita facilidade", disse David S. Yassky, presidente da comissão. "No entanto, queremos comunicar aos motoristas que há um padrão de comportamento e é isso que o novo código deve estabelecer".

"Aparentemente, o projeto inicial também proibia gravatas largas. Não. Só estou brincando", acrescentou.

Padrão

Muitos taxistas, acostumados com a cultura “seja você mesmo” do banco da frente, disseram não saber que suas roupas não estavam dentro do padrão. Não é de admirar: desde 1996, a comissão de táxis emitiu apenas 42 violações do código de vestuário para motoristas, ou cerca de três por ano.

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Ideia inicial era código prever uniforme para taxistas da cidade
Durante décadas, o código de regras para os motorista mencionou a questão do vestuário com uma regra simples e concisa: "O condutor deve ser limpo e arrumado, tanto nas roupas quanto na sua própria pessoa". Mas em 1987, motivada por queixas de taxistas despenteados e descorteses, a cidade alterou o código para incluir a proibição de certos itens de vestuário. Sandálias de dedos, camisas sem mangas e shorts acima da coxa foram proibidos, bem como buracos nas calças.

O código de vestuário melhorado mostrou-se ambicioso - apenas 10 intimações foram emitidas no período de seis meses após entrar em vigor. Depois, a cidade relaxou as regras e derrubou a maioria das exigências.

Uma sentença que proibia regatas e roupas de banho, entre outros itens, foi mantida, embora, assim como algumas outras restrições específicas, tenha perdido relevância.

O código revisto, que deverá ser aprovado em audiência pública no próximo mês, já não faz qualquer menção ao vestuário dos taxistas. Yassky disse que a mudança faz parte de um esforço para simplificar o gigante código de regras da cidade. "Tentar ter uma regra que se aplique às tendências da moda é um jogo perdido", ele disse.

Uniforme

Ele conta também que embora não se fale de um uniforme formal para os taxistas, a ideia foi proposta ao longo do tempo.

Os primeiros taxistas de Nova York usavam uniformes imaculados feitos com base nas roupas dos cadetes de West Point. Em 1925, a cidade exigia que os taxistas usassem uma touca de malha, camisa de colarinho branco e gravata.

Os condutores também precisavam ter o "temperamento adequado para o trabalho", segundo o livro “Taxi! A Social History of the New York City Cabdriver" (Táxi! Uma História Social do Taxista de Nova York, em tradução livre).

Dido Goze, um motorista da Costa do Marfim, disse ter se ofendido com a sugestão de reforma para os taxistas. "Aparência profissional? Mas nós já temos isso”, disse Goze, ao lado de seu Crown Victoria vestindo um jeans desbotado e um suéter de lã preto. "Eu não sei por que eles precisam mudar isso".

*Por Michael M. Grynbaum

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