Coalizão de Merkel sofre pressão na Alemanha

Chanceler alemã enfrenta pedidos por novas eleições em meio a lutas internas e demissões em sua coalizão de governo

The New York Times |

Na segunda-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, enfrentou pedidos de líderes da oposição para novas eleições, enquanto as brigas e disputas dentro da sua coalizão governante levaram a uma crescente especulação na imprensa alemã sobre a possibilidade do colapso de seu governo ser iminente.

Abalada pelo pedido de demissão de algumas autoridades de alto escalão de seu partido e um retrocesso significativo nas eleições do mês passado, Merkel se vê na possivelmente pior crise política desde que se tornou chanceler, em 2005.

AP
Chanceler alemã, Angela Merkel, cumprimenta presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Berlim (14/06/2010)
A decisão de avançar com a participação da Alemanha em um resgate multibilionário para a Grécia, e um pacote de resgate ainda maior para defender o euro, custou-lhe caro entre os parcimoniosos eleitores alemães, que estão amargurados com o resgate de vizinhos que veem como perdulários.

Então, na semana passada, o governo propôs cerca de US$ 100 bilhões em medidas de cortes nos gastos até 2014, que buscam retardar o crescimento das dívidas do país.

Vindo na esteira dos votos pelo resgate, o corte no orçamento levou milhares de alemães às ruas em protesto durante o fim de semana, deixando mais de uma dezena de policiais feridos na capital.

Após a demissão do presidente Horst Kohler no mês passado , a votação para um novo presidente no dia 30 de junho está se configurando como um teste crítico para Merkel, que pode decidir sobre sua permanência no poder.

A presidência pode ser uma posição amplamente cerimonial, com o presidente escolhido por membros do Parlamento e representantes do Estado, mas o voto secreto também é um importante teste da solidariedade do partido.

Os líderes do Partido Conservador pediram calma e decoro, depois de ataques que tomaram um rumo ridículo nas últimas semanas com líderes chamando uns aos outros de "porcos selvagens" e "tropa de pepinos".

"Isso não pode continuar como nas últimas semanas", Hermann Grohe, secretário-geral dos democratas-cristãos, disse a jornalistas em Berlim, após uma reunião de líderes partidários, segundo a agência de notícias alemã DPA.

Algumas pesquisas recentes mostraram que a maioria dos eleitores alemães concorda, mas talvez não da maneira prevista por Grohe. "Esse é sem dúvida a pior crise na qual ela esteve envolvida", disse Jackson Janes, diretor executivo do Instituto Americano para Estudos Alemães da Universidade Johns Hopkins.

Janes disse esperar que o candidato de Merkel à presidência, Cristian Wulff, vença mesmo se perder alguns votos. Janes também disse acreditar que o governo continuará no poder. "Não há alternativa neste momento que eu veja, e diria que os alemães em geral não levam divórcios políticos como brincadeira", disse.

* Por Nicholas Kulish

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