Clinton quer ampliar papel do Departamento de Estado

WASHINGTON - Mesmo antes de assumir o cargo, Hillary Rodham Clinton quer construir um Departamento de Estado mais poderoso, com um orçamento maior, enviados especiais de destaque a regiões problemáticas e um papel mais central para lidar com a economia global em um momento de crise.

The New York Times |

Clinton recrutou Jacob J. Lew, diretor de orçamento na gestão do presidente Bill Clinton, como um de seus  dois representantes, de acordo com as pessoas envolvidas na equipe de transição de Obama. O foco de Lew, segundo elas, será em aumentar a parcela de financiamento direcionada aos corpos diplomáticos. Ele irá se unir a James B. Steinberg, conselheiro de segurança nacional na mesma gestão, como um dos tenentes de Hillary Clinton.

As indicações de vice-secretários, como essas de Clinton, estão sujeitas à confirmação do Senado.

A próxima gestão também deve indicar diversos enviados, dizem os oficiais, revivendo a prática da gestão Clinton, quando Richard C. Holbrooke, Dennis Ross e outros diplomatas representaram um papel central na mediação de disputas nos Balcãs e Oriente Médio.

Enquanto Clinton forma sua equipe sênior ela também tenta criar um papel maior para o Departamento de Estado em relação a assuntos econômicos, nos quais o Tesouro teve controle total durante a era Bush. Ela buscou conselhos de Laura D'Andrea Tyson, economista que liderou o Conselho de Consultores Econômicos de Bill Clinton.

As medidas parecem querer fortalecer o papel da diplomacia depois de um longo período, principalmente sob o comando do ex-secretário de Estado Colin L. Powell, no qual o Pentágono, o gabinete do vice-presidente e até mesmo as agências de inteligência, mantiveram considerável controle sobre a política externa americana.

Com a proeminência de Hillary Clinton, a ampliação do portfólio do departamento pode trazer consigo o conflito com outros membros poderosos do gabinete.

Clinton e o presidente eleito Barack Obama não determinaram enviados ou missões específicos, apesar do nome de Ross ter sido mencionado como possível enviado ao Oriente Médio, bem como o de Holbrooke e Martin Indyk, ex-embaixador americano em Israel.

A gestão Bush fez relativamente pouco uso de enviados especiais. A secretária de Estado Condoleezza Rice realizou pessoalmente  as iniciativas de paz, o que significou uma agenda pior para as missões no Oriente Médio, geralmente com poucos resultados.

"Não há dúvida de que estão reinventando a roda", disse Aaron David Miller, analista de política pública da Instituição Brookings. "Mas isso é voltado não apenas como uma reação a Bush e sim a uma analise astuta do que irá funcionar na política externa".

Com tantos problemas como Paquistão, Irã e Afeganistão, Miller disse que faz sentido que a Casa Branca delegue algumas missões diplomáticas.

Durante anos, alguns oficiais do Pentágono reclamaram que cargos como a reconstrução econômica do Afeganistão e Iraque sobrecarregaram os militares quando podiam ter sido resolvidos por um serviço externo robusto.

"O Pentágono adoraria passar a funcionalidade a recursos civis, mas eles não estavam lá", disse um oficial sob condição de anonimato. "Agora queremos ter um Departamento de Estado que tenha o que é preciso".

A busca de Clinton por uma equipe mais vigorosa em relação à economia, segundo um de seus assessores, vem de sua convicção de que o Departamento de Estado precisa participar da recuperação da crise financeira global. Questões econômicas também revelam algumas das mais importantes relações diplomáticas, principalmente com a China.

- MARK LANDLER e HELENE COOPER

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